Conversas de verão | “Consegui chegar ao aeroporto com tudo certo, menos o dia”

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O TNews volta a publicar, este verão, as ‘Conversas de verão’, uma rubrica que entra na sua segunda edição e que convida profissionais do turismo a partilharem o seu lado mais descontraído. Em pequenas entrevistas, descobrimos destinos de sonho, memórias de viagem, objetos indispensáveis na mala e outras histórias que revelam quem são as pessoas por detrás dos cargos.

Sandro Lopes | Diretor operacional da Soltrópico

Que destino escolheria para umas férias sem pensar em trabalho?

Escolheria um destino que combinasse natureza, alguma vida local e, no final, uns dias de praia. Gosto de conhecer e explorar, mas sem criar um itinerário tão preenchido que obrigue a regressar de férias para descansar. E isto não é, de todo, uma indireta para alguém lá em casa.

Para ajudar a desligar, uma diferença horária significativa também é bem-vinda. E, idealmente, um roaming pouco colaborante. Já me aconteceu e confesso que, dessa vez, não tive grande vontade de resolver o problema.

O que não pode faltar na sua mala de férias?

Calções de banho e, mais recentemente, os ténis de corrida. Gosto de manter alguma atividade durante as férias, seja a correr ou a passar pelo ginásio. Sem grandes obrigações, porque férias também são férias, mas gosto de continuar ativo.

Normalmente, levo apenas a roupa necessária e não sou de exagerar na mala. O maior desafio é trazer tudo de volta. Quando entro verdadeiramente em modo de férias, é relativamente fácil deixar um carregador, uma peça de roupa ou qualquer outra coisa esquecida no hotel.

Alguns objetos já prolongaram as férias sem mim.

Que livro ou filme sobre viagens mais o marcou?

Não diria que houve um único livro ou filme que me tenha marcado de forma decisiva, mas A Praia ficou-me na memória. Na altura, mostrava um destino muito diferente daquilo que conhecíamos e despertava a curiosidade por lugares e culturas mais distantes.

A minha geração cresceu também com uma presença muito forte da televisão brasileira, sobretudo através das novelas. Faziam parte da programação diária e Malhação, em particular, falava diretamente para os mais jovens, acompanhando o ambiente escolar, as amizades, a música e o desporto. Acabou por criar uma proximidade com o Brasil e com uma forma de viver que nos parecia mais descontraída.

Talvez venha daí o meu gosto por fins de tarde ao pôr do sol, boa música e pele salgada.

Tem alguma memória de uma viagem que correu mal? O que aprendeu com essa experiência?

Tenho de começar por dizer, em minha defesa, que isto aconteceu há muitos anos.

No regresso de uma viagem, apresentei-me tranquilamente no aeroporto e, depois de várias tentativas para fazer o check-in, o funcionário do balcão perguntou-me se tinha a certeza de que o voo era naquele dia.

Não era. O voo tinha partido no dia anterior. E tinha sido eu próprio a fazer a reserva.

Foi um daqueles momentos em que percebemos que alguma coisa não está certa, mas ainda esperamos que seja o sistema a estar enganado. Não estava.

A situação ficou-me na memória pela ironia. Trabalho diariamente com viagens, horários e reservas, mas consegui chegar ao aeroporto com tudo certo, menos o dia.

Se pudesse inventar o hotel, resort ou destino ideal, como seria?

Hoje já existem muitos e bons hotéis, com excelentes localizações, serviço e instalações. Para criar algo realmente diferente, teria de pensar num conceito ligado ao novo quotidiano, em que o exercício, a alimentação, o descanso e a longevidade ocupam um espaço cada vez mais importante.

Imagino um hotel com uma forte componente de fitness e bem-estar, com programas e atividades pensados não apenas para melhorar a condição física, mas também para ajudar as pessoas a viver melhor e durante mais tempo. Teria treino de força, mobilidade, atividades ao ar livre, percursos de corrida, recuperação, qualidade do sono e contacto com a natureza, sempre de forma personalizada e sem transformar as férias num estágio de pré-época.

A alimentação teria a mesma importância. Seria equilibrada, personalizada e saborosa, com uma oferta sem açúcares adicionados e, preferencialmente, servida em restaurantes à carta, privilegiando a qualidade e reduzindo o desperdício. Nas bebidas, teria de existir variedade e uma boa seleção de mocktails.

O hotel seria pequeno, exclusivo e junto à praia, mas suficientemente próximo da vida local para permitir conhecer verdadeiramente o destino. Teria ambientes diferentes, alguns mais familiares e outros mais tranquilos, com animação na medida certa. Não existiriam proibições de telemóveis, Wi-Fi ou conversas de trabalho. Haveria apenas pequenas penalizações: sempre que alguém falasse de trabalho, teria de dar cem passos pela praia. Não resolvia o problema, mas contribuía para a longevidade.

No fundo, seria um hotel pensado para descansar e aproveitar, mas também para mostrar que é possível cuidar da saúde sem transformar o bem-estar numa obrigação.

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