Pedro Costa Ferreira candidata-se à presidência da CTP: “A próxima fase exige uma nova ambição”

-PUB-spot_img

Depois de cerca de 15 anos à frente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, que já tinha anunciado que este seria o seu último mandato na associação, apresentou esta terça-feira a candidatura à presidência da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) para o mandato 2027-2030. Sob o lema “Unir o Turismo, Reforçar as Regiões, Preparar o Futuro”, o candidato defende que o setor entra “num novo ciclo de desenvolvimento”, que exige “uma confederação cada vez mais agregadora, mais próxima das associações e das regiões e mais influente na definição da visão estratégica para o setor”.

Em comunicado, Pedro Costa Ferreira considera que “Portugal protagonizou, nas últimas décadas, uma das maiores histórias de sucesso do turismo mundial”, mas sustenta que “os desafios da próxima década exigem uma nova ambição, capaz de reforçar a competitividade, preparar o futuro e unir todo o setor em torno de objetivos comuns”. “Crescer em valor significa, por exemplo, aumentar a produtividade das empresas e criar condições para emprego mais qualificado e salários mais elevados”, acrescenta.

No comunicado, Pedro Costa Ferreira defende uma CTP que represente “toda a cadeia de valor do turismo”, valorize “a diversidade dos territórios”, promova “uma maior articulação entre os diferentes subsetores” e assuma “um papel ativo na antecipação dos grandes desafios que marcarão o futuro da atividade”. Entre as prioridades da candidatura aponta ainda o reforço da competitividade do turismo português, a conciliação entre o desenvolvimento turístico e a qualidade de vida das comunidades residentes, a aposta na inovação e no talento e a afirmação da CTP como “o principal centro nacional de reflexão estratégica sobre o turismo”.

No manifesto da candidatura, Pedro Costa Ferreira afirma que decidiu avançar “com plena consciência da responsabilidade” que essa decisão representa. O candidato defende uma CTP “mais presente no pensamento estratégico nacional, mais próxima das associações, das regiões e dos associados, mais exigente na execução e mais preparada para antecipar os desafios do futuro”.

O candidato considera que o turismo português enfrenta um novo conjunto de desafios estratégicos, que passam pela competitividade, sustentabilidade, inovação, conectividade, talento, inteligência artificial, alterações climáticas e coesão territorial. “A próxima fase exige uma nova ambição”, escreve, defendendo que é “imperioso preparar Portugal” para responder às transformações que marcarão o setor na próxima década.

Uma das ideias centrais do manifesto é a metáfora do caleidoscópio, utilizada para defender um modelo de governação mais representativo da diversidade do setor. “Cada região, cada produto, cada empresa, representa uma cor. Separadas, são peças; juntas formam o turismo português”, afirma. Neste contexto, defende que a direção da CTP deve integrar “a esmagadora maioria das associações que compõem o setor”, garantindo a representação dos diferentes subsetores da cadeia de valor. “Cada associação é importante porque, tal como num caleidoscópio, cada associação acrescenta uma dimensão indispensável à imagem coletiva do turismo português. Cada associação é uma cor. A CTP deve ser a imagem”, sustenta.

No mesmo documento, Pedro Costa Ferreira defende uma liderança “que recuse a uniformidade, para criar alinhamento”, considerando que “o presidente não é o único, nem é chefe”, mas antes “o elemento que faz rodar o caleidoscópio”, promovendo a participação das diferentes associações na definição das prioridades estratégicas da confederação.

O manifesto dedica ainda um capítulo ao território, defendendo que a CTP deve contribuir para valorizar as especificidades de cada região, promover redes entre destinos complementares e estimular o investimento no interior, para que o turismo seja “efetivamente um instrumento de coesão nacional”. O candidato sublinha também a necessidade de conciliar o desenvolvimento da atividade turística com a qualidade de vida das populações. “O maior prémio que um destino pode receber não é o reconhecimento internacional, é continuar a ser um bom lugar para viver”, afirma, acrescentando que “os residentes não são figurantes da coisa turística, constituem parte integrante da experiência turística”. Nesse sentido, considera que a política turística “não deve escolher entre a qualidade da experiência turística e a qualidade de vida dos residentes, deve procurar integrá-las”.

O manifesto desenvolve ainda o conceito de “crescer em valor”, defendendo que o crescimento do turismo não pode limitar-se ao aumento da receita turística. Segundo Pedro Costa Ferreira, esse crescimento deve incorporar fatores como “valor acrescentado, produtividade, salários, inovação, conhecimento, investigação” e impacto económico.

No domínio da inovação, o candidato defende que a CTP acompanhe de forma mais ativa temas como a inteligência artificial, o tratamento de dados, a energia, as alterações climáticas, a mobilidade, os novos mercados, o talento, a formação e a ciência. “A CTP não deve ser apenas uma entidade reivindicativa. Deve integrar e influenciar um verdadeiro laboratório estratégico”, escreve, defendendo que a Confederação se afirme como “o grande centro nacional de reflexão estratégica sobre o turismo”.

Segundo o comunicado, a candidatura conta, desde o primeiro momento, com o apoio da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP), da Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos (APECATE), da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), da Associação Rodoviária de Transportadores Pesados de Passageiros (ARP) e da Everything is New. Para o candidato, este apoio “reforça a ambição de construir uma confederação mais participativa, representativa e preparada para os desafios do próximo ciclo”.

A candidatura de Pedro Costa Ferreira junta-se à de Bernardo Trindade, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) e administrador do grupo PortoBay Hotels & Resorts, que anunciou em maio a intenção de concorrer à presidência da CTP para o mandato 2027-2030, abrindo a corrida à sucessão de Francisco Calheiros.

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui

-PUB-spot_img