O Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) apresentou um novo documento de orientação que propõe sete princípios para ajudar governos, destinos e setor privado a transformar o crescimento do turismo em prosperidade partilhada, defendendo uma gestão mais estratégica e colaborativa dos destinos.
No documento “Destination Stewardship: Creating Value for All”, divulgado esta quarta-feira, 29, o WTTC sublinha que o debate em torno do turismo deve deixar de se centrar apenas no número de visitantes e passar a avaliar o impacto da atividade na qualidade de vida dos residentes, na resiliência dos destinos e no valor económico e social gerado para as comunidades locais.
De acordo com o comunicado, o turismo continua a afirmar-se como um dos principais motores da economia mundial. Em 2025, o setor contribuiu com 11,6 biliões de dólares para a economia global e sustentou 366 milhões de postos de trabalho, representando cerca de 10% do PIB mundial e um em cada dez empregos. Nas próximas décadas, o WTTC estima que uma em cada três novas oportunidades de emprego seja criada pelo setor.
Para responder aos desafios associados ao crescimento da procura turística, o WTTC propõe sete princípios de gestão dos destinos:
Planear em conjunto para crescer em conjunto;
Fazer da satisfação dos residentes uma medida de sucesso;
Planear com antecedência;
Compreender os desafios através de dados e evidência;
Diversificar o turismo por mais destinos e ao longo de mais épocas do ano;
Transformar o turismo em prosperidade partilhada;
Estar preparado para responder rapidamente aos desafios.
Segundo o WTTC, estes princípios pretendem apoiar os destinos na construção de modelos turísticos sustentáveis, capazes de proteger a identidade dos locais, distribuir melhor os benefícios da atividade turística e melhorar simultaneamente a experiência dos visitantes.
O documento inclui ainda um conjunto de medidas de aplicação imediata, especialmente relevantes numa altura em que muitos destinos atravessam a época alta. Entre as recomendações estão a monitorização da perceção dos residentes, a identificação de zonas de maior pressão turística através de dados, a promoção de destinos menos conhecidos, o incentivo a comportamentos responsáveis por parte dos visitantes, uma comunicação mais eficaz dos benefícios do turismo para as comunidades locais e a criação de equipas de resposta coordenadas.
O relatório reúne também exemplos de boas práticas internacionais. Madrid é destacada pela aposta na descentralização e na redução da sazonalidade, enquanto o Colorado é referido pelo modelo de governação colaborativa e Bogotá pelo investimento em dados para apoiar a gestão do destino. Já Dubrovnik surge como exemplo de uma gestão mais inteligente das escalas de cruzeiros, Nova Iorque pela diversificação da oferta turística regional e as Ilhas Baleares pela reinversão transparente das receitas do turismo nas comunidades locais. O WTTC destaca ainda iniciativas desenvolvidas em Copenhaga, Japão, Liubliana e Coreia do Sul.
Citada no comunicado, Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC, afirma que “quando os destinos são bem geridos, o turismo cria emprego, fortalece as comunidades, protege o património cultural e natural e gera prosperidade duradoura”. A responsável defende que o sucesso da gestão dos destinos depende da colaboração entre governos, comunidades locais e setor privado, acrescentando que os sete princípios apresentados constituem “um quadro prático” que pode ser adaptado às necessidades de cada destino.




