Falha no controlo aéreo no Reino Unido deixa mais de 1.900 voos cancelados

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Mais de 1.900 voos foram cancelados na sequência da falha técnica que afetou, esta terça-feira, o sistema de controlo de tráfego aéreo do Reino Unido, com as consequências da interrupção a prolongarem-se esta quarta-feira e a poderem estender-se ao longo dos próximos dias.

De acordo com os dados mais recentes da empresa de análise de aviação Cirium, foram cancelados mais de 1.750 voos na terça-feira e outros 153 até às primeiras horas desta quarta-feira. A falha afetou vários dos principais aeroportos britânicos, incluindo Heathrow, Gatwick, Manchester, Stansted, Edimburgo, Luton, Glasgow, London City e Aberdeen.

Entre as companhias aéreas mais afetadas na terça-feira estiveram a British Airways, com 225 cancelamentos, a easyJet, com 219, a Ryanair, com 105, a Jet2, com 37, e a Loganair, com 28.

A Ryanair estima que mais de 65 mil passageiros tenham sido afetados por cancelamentos e atrasos que chegaram às oito horas.

A British Airways alertou para um “impacto significativo em cadeia”, depois de ter sido obrigada a cancelar mais de 100 voos na tarde de terça-feira. A companhia explicou que várias aeronaves e tripulações ficaram fora de serviço devido às perturbações.

Também a easyJet, Jet2 e TUI reportaram atrasos e cancelamentos, enquanto as companhias procuram minimizar os efeitos da falha na operação.

Aeroportos retomam operações, mas recuperação será gradual

A NATS, entidade responsável pelo controlo de tráfego aéreo no Reino Unido, indicou que continua a trabalhar com companhias aéreas e aeroportos para recuperar da interrupção, classificando o processo como uma recuperação “muito complexa”.

O problema técnico foi inicialmente identificado pelas equipas da NATS às 13h46 de terça-feira, tendo a empresa posteriormente admitido que a recuperação estava a demorar mais do que o previsto.

Esta quarta-feira, o aeroporto de Heathrow indicou que as operações estavam a ser retomadas, embora fossem esperados impactos resultantes do reposicionamento de aeronaves e tripulações. Gatwick também confirmou a retoma dos voos, mas alertou que a operação poderá demorar algum tempo a regressar totalmente à normalidade.

Os aeroportos recomendam aos passageiros que confirmem o estado dos voos diretamente com as respetivas companhias aéreas antes de se deslocarem para os terminais.

A falha voltou a colocar sob pressão a NATS, depois de incidentes semelhantes registados em 2023 e no verão passado, também relacionados com problemas informáticos e que provocaram perturbações generalizadas.

A Ryanair e a Wizz Air defenderam uma reforma urgente do sistema e questionaram a liderança da NATS.

A Ryanair chegou mesmo a pedir a saída do CEO da NATS, Martin Rolfe, argumentando que, três anos depois da falha de 2023, os passageiros estão novamente a sofrer atrasos significativos provocados por problemas no controlo de tráfego aéreo.

A companhia sublinha ainda que as taxas de controlo de tráfego aéreo no Reino Unido, pagas pelas companhias aéreas, aumentaram 28% desde 2022, considerando que a evolução dos custos não tem sido acompanhada por uma melhoria da fiabilidade do serviço.

Martin Rolfe afirmou ter assumido a responsabilidade pelo incidente e apresentou um pedido de desculpas “sem reservas”, mas recusou comentar se irá abandonar o cargo.

Para Luke Petherbridge, diretor de relações públicas da BTA, a prioridade imediata deve ser apoiar os passageiros afetados, mas a repetição de falhas levanta questões sobre a necessidade de perceber “o que deu errado”, que medidas estão a ser tomadas e de que forma o sistema poderá tornar-se mais resiliente.

A diretora-geral da Wizz Air UK, Yvonne Moynihan, defendeu igualmente uma “reforma urgente” do controlo de tráfego aéreo britânico, considerando que este é já o terceiro verão em que os passageiros são afetados por perturbações de grande dimensão associadas a falhas no sistema.

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