Eleições CTP: “Acho negativo que existam duas listas até ao fim”

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A pouco mais de seis meses do fim de 15 anos à frente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros fala das duas candidaturas à sucessão e revela que foi convidado por um dos candidatos para presidir à Assembleia Geral da Confederação. Sobre a sucessão, o presidente da CTP diz não ter preferência por nenhuma e afirma que ambos os candidatos têm perfil para liderar a CTP. Considera, no entanto, que seria negativo que as duas listas chegassem até ao fim, por poder significar que uma associação representativa ficaria de fora da futura direção. No final, quando lhe perguntamos qual gostaria que fosse a sua marca na história da CTP, responde: “eu não tenho marca. O que eu gostaria, quando falassem de mim na CTP, era que dissessem: ele tentou fazer o melhor possível”.

Existem dois candidatos à presidência da CTP, Bernardo Trindade e Pedro Costa Ferreira. Considera positivo haver mais do que uma candidatura?

Não considero negativo que haja dois candidatos e que haja troca de ideias. Acho negativo que existam duas listas até ao fim. Por uma razão muito simples: se houver duas listas até ao fim em eleições, isso implica que a Associação A ou a Associação B, qualquer uma delas extremamente representativa, não esteja na futura direção da Confederação.

Apoia algum destes candidatos?

Havendo dois, não me manifesto. São dois ótimos candidatos, mas, obviamente, não tenho preferências e tenho-me mantido numa situação bastante neutra.

Que características deve ter o próximo presidente da CTP para responder aos desafios que o turismo português vai enfrentar nos próximos anos?

São candidatos um pouco como eu, ou seja, estão há muitos anos no turismo. Vão ter as vantagens e os inconvenientes que eu tive. Quer o Pedro, quer o Bernardo, não me lembro do que é que eles fizeram sem ser turismo. Na APAVT, na AHP, nas empresas, na Espírito Santo, na Porto Bay, conhecemos todos esta dinâmica há muito tempo. Se calhar, se aparecesse alguém completamente fora disto, eu poderia dizer que não era o perfil ideal. E depois, ao longo destes tempos, já houve alguma experiência política, portanto, vão entrar aqui com alguma facilidade. Os perfis, em termos de pessoas que estão há muitos anos a lidar com o turismo, quer um, quer outro, são semelhantes.

Há alguma característica que é essencial para ser presidente da CTP?

Diria uma coisa, mas acho que ambos têm. É algo que me causou dúvidas no princípio da minha presidência. Tive dois momentos: nos primeiros anos ainda estava na Espírito Santo e na Confederação. Portanto, exercia em part-time. Tive dúvidas se este lugar poderia ser desempenhado assim. A certa altura, achei que não. É um lugar em full-time. Quer o Pedro, quer o Bernardo podem vir em full-time. Ou seja, é muito difícil hoje em dia não ser assim, com tanta coisa que está em cima da mesa. Isto é muito intenso. Foram 50 reuniões para discutir a legislação laboral este ano. Se, além disto, ainda tivesse que desempenhar funções numa empresa, seria difícil. Acho que ambos têm disponibilidade para isso.

“Não faço tenções de desaparecer”

Há alguma preocupação que gostaria de deixar ao próximo presidente da CTP? Uma espécie de “não se esqueça disto” quando assumir funções?

Faço tenções de, em devido tempo, preparar um dossier para fazer uma passagem de pasta e não faço tenções de desaparecer. Vou estar completamente disponível para o meu sucessor. Estive aqui 15 anos. Dei muito de mim nestes 15 anos. Gostaria muito que a CTP não só se mantivesse como está, como melhorasse.

Não tenho dúvidas de que vai melhorar, porque quem vier virá com ideias novas. Já estou um bocadinho viciado nisto e, portanto, vai ter toda a minha disponibilidade para que a CTP, que hoje em dia reconheço que tem uma awareness, é reconhecida no mercado, é ouvida, é importante, seja muito mais importante, seja muito mais ativa no mercado.

Se tivesse que eleger um tema que dissesse mesmo “isto não podes largar”?

Há duas coisas que são importantes: tem que se manter esta parceria público-privada. A relação que nós temos é muito boa. Muda o Governo, muda ministro, muda secretário de Estado, todos eles falam connosco, não há aqui cortes; a disponibilidade também é importante. Hoje em dia, passados estes anos todos, acho que é preciso ter disponibilidade para estar aqui. Quem não tem disponibilidade deve pensar duas vezes, porque isto é muito dinâmico, é muita solicitação.

É provável que fique ligado à CTP nos órgãos sociais?

Fui convidado por um dos candidatos para ser presidente da Assembleia Geral.

Qual?

Não vou revelar. Acho que é uma coisa que, vamos lá ver, faz sentido. Estou disponível para aceitar.

Quando um dia escreverem a história da CTP, o que é que gostaria que ficasse como a sua marca?

O que eu gostaria, quando falassem de mim na CTP, era que dissessem: ele tentou fazer o melhor possível. E é a conclusão. Eu tentei fazer o melhor possível. Tive algumas coisas que consegui, outras não consegui.

Tentei, de facto, fazer o melhor possível. Eu sou muito defensor disto. Tive a sorte de trabalhar praticamente toda a vida em tudo o que eu gostava. Posso dizer que isto era uma atividade que, para mim, era uma dúvida, porque a componente política era completamente nova. Posso dizer que gostei desta parte política. Trabalhei com prazer aqui e tentei fazer o melhor que podia.

“O que eu gostaria é que, quando falassem da CTP e da minha passagem por aqui, dissessem: ele tentou fazer o melhor possível”

Tem alguma ambição profissional que ainda gostaria de concretizar? O que vai fazer no futuro?

Tenho uma vida muito organizada. Eu sou casado há 45 anos, não tenho um filho em casa há 15, portanto, tenho uma vida muito organizada. Parar não vou. Tenho negócios meus para os quais vou olhar. Só sei o que é que eu não vou fazer. Não vou ser executivo. Isso não vou ser. Acho que há um timing para tudo e já cansa um bocadinho. Trabalho ininterruptamente desde os anos 80, portanto, vou fazer 47 anos de trabalho ininterrupto. Nunca tive um mês de férias — não me estou a queixar, atenção, não tive porque não quis. Sempre gostei de trabalhar. Portanto, só sei o que é que eu não quero vir a fazer. Eu não quero mais, a seguir à CTP, ter um cargo executivo, ou seja, um cargo em que, todos os dias, faça chuva ou sol, tenha de ir para o escritório. Isso não vou fazer mais. Já chega. A partir daí, depende do que surja.

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