Emissões da aviação em Portugal aumentaram 19% desde 2019

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As emissões poluentes da aviação aumentaram 19% em Portugal desde 2019, segundo dados de um estudo da Federação Europeia de Transportes e Ambiente, citado pela associação ambientalista Zero, que alerta para o impacto do crescimento do tráfego aéreo e da expansão da capacidade aeroportuária no país. 

A análise compara as trajetórias de emissões e planos de expansão com orçamentos de carbono compatíveis com o Acordo de Paris de 20 grandes aeroportos de 10 países europeus.

Em Portugal, a Zero, que integra a Federação Europeia de Transportes e Ambiente, manifesta “grande preocupação” com o consumo de jet fuel, que representa, segundo a associação, um acréscimo de cerca de um milhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano.

“Esta situação é particularmente preocupante quando se tem em conta que as emissões dos principais combustíveis rodoviários cresceram 3,6% e as da produção elétrica caíram cerca de 70% e que em 2026 Portugal continua sem um orçamento de carbono para a aviação e sem o Roteiro para a Descarbonização da Aviação (RONDA) concluído”, defendeu a Zero em comunicado. 

A associação considera que a expansão da capacidade aeroportuária em Lisboa e no Porto deve ser enquadrada pelos limites de emissões definidos para o setor. Enquanto os combustíveis sintéticos não estiverem disponíveis à escala necessária, o crescimento do tráfego aéreo “pode comprometer um orçamento de carbono para a aviação que Portugal ainda não definiu” e que “deverá ser desenvolvido rapidamente”, para estabelecer quanto pode o setor emitir cumulativamente de forma compatível com os objetivos do Acordo de Paris sobre redução de gases com efeito de estufa. 

Os combustíveis sintéticos de aviação (e-SAF), produzidos com hidrogénio renovável e carbono sustentável, serão “essenciais para descarbonizar os voos que não possam ser evitados, transferidos para modos mais eficientes ou descarbonizados por outras soluções”, explicou a organização de defesa do ambiente. 

“A conclusão fundamental é suficientemente clara: o crescimento do tráfego aéreo não pode continuar a ser tratado como independente dos limites climáticos, sobretudo numa altura em que os combustíveis sintéticos permanecem muito longe da escala necessária”, referiu.

A associação defende, por isso, que cada país deve definir, “de forma transparente e cientificamente fundamentada”, o orçamento de carbono disponível para a aviação. 

“O RONDA deve colmatar esta lacuna, começando por definir um orçamento de carbono para a aviação portuguesa, com trajetória e marcos para 2030, 2035 e 2040 e referenciais que permitam avaliar as emissões associadas aos diferentes aeroportos”, avançou a Zero.

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