O Debrais Boutique Hotel prepara abertura para novembro, na Boavista, no Porto, com um investimento inicialmente estimado nos 11,6 milhões de euros, 52 quartos e um restaurante de assinatura liderado pelo chef Ramón Freixa. Em entrevista ao TNews, Bárbara Moreira, que assume a direção-geral da unidade, explica como está a ser preparada a operação do novo hotel, que aposta num posicionamento de “luxo contemporâneo e discreto”, assente na gastronomia, sustentabilidade e soluções digitais.
Bárbara Moreira tem uma longa experiência no setor hoteleiro. Começou na hotelaria de cinco estrelas, numa função próxima do hóspede, onde afirma ter aprendido “que o luxo se encontra muitas vezes nos pequenos gestos”. Depois de vários anos na banca privada, onde, mesmo fora do setor, continuou ligada ao universo do serviço personalizado, regressou à hotelaria há cerca de 10 anos com responsabilidade em áreas como o alojamento, a qualidade e a relação com o cliente, até chegar à direção-geral. Hoje assume ainda funções de docência no ISCET.
Agora, lidera a abertura do Debrais Boutique Hotel, no coração do Porto. “Numa pré-abertura, tudo começa numa folha em branco e muitas decisões têm de ser tomadas antes de podermos observar o seu impacto na operação”, sublinha Bárbara Moreira, destacando a diferença entre dar forma a uma nova operação e assumir uma estrutura já definida.
Segundo a diretora-geral, a abertura de um hotel envolve decisões distintas, como “a organização dos espaços, a escolha dos sistemas, os procedimentos, o recrutamento, a formação e, sobretudo, a cultura que queremos criar”, aponta. “O grande desafio do primeiro ano será transformar tudo aquilo que foi pensado no papel numa operação real e numa experiência consistente”, reflete.
“O grande desafio do primeiro ano será transformar tudo aquilo que foi pensado no papel numa operação real e numa experiência consistente”
A preparação e os objetivos do primeiro ano
Situado na Boavista, o Debrais beneficia de uma envolvente onde o cruzamento das componentes cultural, empresarial e residencial tornam a “localização especialmente interessante, tanto para quem visita o Porto em lazer como para quem viaja em contexto de trabalho”, afirma Bárbara Bandeira. A responsável destaca ainda a sua ligação emocional ao território. “No centro da rotunda encontra-se o Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular, cuja conclusão contou com o trabalho do meu bisavô, o escultor Henrique Moreira”, revela.
A inauguração oficial do hotel está marcada para o mês de novembro. Esta fase intensa de pré-abertura, em que se conclui a instalação e parametrização de sistemas, chegam os últimos materiais, se definem procedimentos e se formam equipas, é também “especialmente entusiasmante” para a general manager.
“[O] hotel começa a deixar de ser apenas um projeto para ganhar vida: os espaços começam a ficar concluídos, as equipas começam a chegar e aquilo que foi pensado durante tantos meses começa finalmente a tornar-se realidade”, reflete Bárbara Moreira, acrescentando que a “prioridade não é apenas abrir numa determinada data, mas abrir bem, com as equipas preparadas, os serviços devidamente testados e a experiência que [querem] proporcionar aos hóspedes já presente desde o primeiro dia”.
Os dados iniciais apontavam para a criação de cerca de 48 postos de trabalho, mas, refere Bárbara Moreira, o “número final (…) será superior à estimativa inicialmente comunicada”. O recrutamento já se encontra praticamente concluído, com as principais chefias integradas com antecedência, para participarem na definição de procedimentos, escolha dos materiais, organização dos espaços e preparação da formação das respetivas equipas, adianta ainda a responsável.
O investimento global inicialmente apresentado e comunicado no âmbito do projeto apoiado pelo Compete 2030 é de 11,6 milhões de euros. “O valor final do investimento encontra-se ainda em consolidação”, refere Bárbara Moreira, que considera não ser rigoroso avançar já com um número atualizado, mas explica que “ao longo do desenvolvimento foram sendo introduzidos ajustamentos relacionados com a evolução da obra, os equipamentos, a tecnologia e o próprio modelo operacional”.
Neste primeiro ano de atuação, a diretora-geral explica que o foco será “dar a conhecer o hotel, desenvolver a procura, criar uma relação com os mercados prioritários e garantir que o serviço é consistente”.
Conceito e diferenciação
O conceito do hotel assenta num “luxo contemporâneo e discreto, com personalidade, rigor e sem excessos nem formalidade artificial”, explica Bárbara Moreira, acrescentando que a diferenciação do projeto resulta, “acima de tudo, [da] forma como a equipa recebe e acompanha cada pessoa”.
O design de interiores foi concebido por Diego Rodríguez, da Concepto DR, e “procura criar ambientes contemporâneos e sofisticados, mas simultaneamente tranquilos e acolhedores”, afirma.
O Debrais conta com 52 quartos, organizados em seis tipologias diferentes, cujas principais diferenças apontadas por Bárbara Moreira estão relacionadas com a “configuração das camas, a dimensão dos espaços, a existência de terraço e as zonas de estar mais amplas e independentes nas suites”. Em particular, “as suites localizadas no último piso distinguem-se ainda pelos jacuzzis privativos”.
Com os Estados Unidos, Brasil, Reino Unido, Espanha, França e Benelux identificados como mercados prioritários, Bárbara Moreira destaca igualmente no mercado português um “papel muito relevante, tanto no alojamento como na restauração e na relação quotidiana do hotel com a cidade”.
O projeto destina-se a viajantes gastronómicos e culturais, turistas preocupados com sustentabilidade e também clientes em viagens de negócios. A general manager aponta que, embora sejam segmentos com motivações diferentes, todos partilham a “procura por qualidade, autenticidade e um serviço mais personalizado”.
Gastronomia como “um dos grandes pilares”
No que diz respeito à gastronomia, um dos pilares do projeto, o objetivo é “privilegiar a sazonalidade, o produto português e uma relação próxima com os produtores”, explica.
Parte desta missão é posta em prática com o restaurante de assinatura liderado por Ramón Freixa, em que a “obtenção de uma estrela Michelin é uma ambição”, mas o principal foco é a criação de um espaço “aberto à cidade e não apenas aos hóspedes do hotel”, relevante e consistente na “qualidade do serviço”.
O objetivo é criar um “lugar ao qual as pessoas regressem pela experiência, pela cozinha e pela forma como são recebidas”, explica, sublinhando que “o restaurante terá um peso importante na notoriedade internacional do hotel, mas terá também um papel fundamental na (…) relação com o Porto e com o público local”.
“A visão e a técnica do chef Ramón Freixa serão desenvolvidas em estreita colaboração com o chef Jorge Bolito, que tem um conhecimento muito próximo do produto e dos produtores portugueses. Será uma combinação entre a sensibilidade mediterrânica do chef Ramón com o conhecimento dos produtos atlânticos do chef Jorge”, acrescenta.
O restaurante contará com menus de degustação, ainda a ser testados e trabalhados, e uma carta de vinhos pensada para acompanhar essa experiência.
“A gastronomia será um dos grandes pilares do Debrais Boutique Hotel. O Ramón Freixa Porto foi concebido como um destino gastronómico com identidade própria, aberto à cidade e não apenas aos hóspedes do hotel”
Sustentabilidade com foco em “resultados concretos”
Bárbara Moreira refere que, enquanto a localização da Boavista permite “trabalhar um segmento corporate qualificado, que valoriza acessibilidade, eficiência, conforto e discrição”, a “sustentabilidade será transversal a toda a operação e não apenas uma proposta destinada a um perfil específico de cliente”.
“O hotel contará com painéis fotovoltaicos, um sistema integrado de gestão técnica e energética, equipamentos de maior eficiência, monitorização de consumos e oito pontos de carregamento para veículos elétricos. Teremos igualmente bicicletas elétricas disponíveis, incentivando formas de mobilidade mais sustentáveis”, enumera. Bárbara Moreira acrescenta que, no que toca à operação diária, “reduzir o consumo de papel, separar corretamente os resíduos, utilizar a água e a energia de forma responsável, gerir melhor a lavandaria e combater o desperdício alimentar” são objetivos assumidos que, para a general manager, podem fazer a verdadeira diferença.
“Não queremos usar a sustentabilidade apenas como um argumento de comunicação, pretendemos que esteja presente nas decisões quotidianas do hotel e que se traduza em resultados concretos”, garante.
“Não queremos usar a sustentabilidade apenas como um argumento de comunicação, pretendemos que esteja presente nas decisões quotidianas do hotel e que se traduza em resultados concretos”
Outra vertente do projeto é a previsão da desmaterialização total dos processos, permitindo que o serviço seja prestado de forma digital e personalizada, através de soluções integradas de inteligência artificial, introduzidas de forma progressiva. “Quando falamos em desmaterialização não significa eliminar o contacto humano nem impor ao hóspede uma experiência exclusivamente digital”, explica.
“A ideia é que o hóspede possa partilhar digitalmente as suas preferências antes da chegada, tratar de alguns procedimentos, fazer pedidos durante a estadia, comunicar com a equipa e realizar o check-out”, acrescenta Bárbara Moreira. O pretendido não é “substituir decisões que exigem sensibilidade, discrição ou julgamento humano”, conclui.















