O presidente da Turismo Centro de Portugal, Rui Ventura, alertou esta sexta-feira, 9 de outubro, que as dificuldades de mobilidade e acessibilidade podem comprometer a promoção turística dos territórios e a distribuição dos benefícios económicos do turismo. Na sessão de abertura da 7.ª Convenção Nacional da ARAC, em Óbidos, o responsável defendeu ainda a necessidade de reforçar as infraestruturas de carregamento elétrico nas localidades do interior.
“Não podemos ter territórios extraordinários que depois são difíceis de visitar”, afirmou Rui Ventura, sublinhando que a mobilidade é uma dimensão “absolutamente crítica” para o desenvolvimento turístico do Centro de Portugal, uma região que abrange 100 municípios.
O responsável considerou que a promoção dos destinos, por si só, não é suficiente para atrair visitantes. “Podemos fazer a melhor campanha do mundo” sobre os territórios do interior, mas, se os turistas tiverem dificuldades em chegar aos destinos, “essa campanha perde toda a eficácia”, alertou.
Neste contexto, Rui Ventura destacou o papel das empresas de aluguer de veículos na acessibilidade turística, sobretudo para os visitantes internacionais. “Alugar uma viatura continua a ser uma das ferramentas mais simples e eficazes de conhecer o nosso território”, afirmou, salientando a liberdade que este meio de transporte oferece para explorar diferentes localidades e experiências.
Segundo o presidente da Turismo Centro de Portugal, a mobilidade individual permite não só facilitar a circulação dos turistas, mas também distribuir visitantes, consumo e rendimento por uma área mais vasta. “Quanto mais fácil for circular pelo território, maior será a possibilidade de o visitante conhecer mais lugares, permanecer mais tempo, consumir mais nos nossos estabelecimentos e gerar mais valor”, afirmou.
O responsável defendeu, por isso, que a mobilidade deve ser encarada também como uma questão de coesão territorial, recordando que o crescimento turístico português esteve, durante muitos anos, concentrado em determinados destinos. “Não basta promover os territórios, é preciso garantir condições para que as pessoas consigam visitar esse mesmo território”, reforçou.
Rui Ventura reiterou ainda que a estratégia turística da região não passa apenas por aumentar o número de visitantes e dormidas, mas por gerar mais valor económico e social nos diferentes municípios. “O verdadeiro sucesso do turismo não pode medir-se apenas pelo número de pessoas que nos visitam”, afirmou, defendendo que deve também ser avaliado pelo valor e pela atividade económica que deixa nos territórios.
Neste âmbito, apontou o “turismo 12 meses por ano” como um dos principais objetivos do Centro de Portugal, com vista a distribuir a atividade turística ao longo do ano e a aumentar os benefícios para as comunidades locais.
A propósito do desempenho recente do destino, Rui Ventura destacou os “sinais positivos” registados em agosto, mês em que o Centro de Portugal contabilizou cerca de 1,225 milhões de dormidas, um crescimento homólogo de 1,1%, e 83,6 milhões de euros em proveitos dos estabelecimentos de alojamento turístico, mais 3,4% face ao mesmo período do ano anterior.
Estes resultados, considerou, mostram que a região está a recuperar de um “momento muito difícil de arranque de ano”, reforçando a importância de continuar a apostar na valorização económica do turismo.
O presidente da Turismo Centro de Portugal chamou também a atenção para as limitações das infraestruturas de carregamento de veículos elétricos no interior da região. Segundo Rui Ventura, é necessário garantir condições para a mobilidade elétrica em muitas das aldeias do Centro de Portugal, algo que “muitas vezes não acontece”. Por isso, defendeu que é preciso “olhar para o território num todo”.
Também presente na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Filipe Daniel, destacou a importância da mobilidade para aproximar os visitantes das localidades, dos negócios e das experiências turísticas. Segundo o autarca, esta ligação permite que “o valor gerado pelo turismo alcance mais empresas, mais famílias, mais lugares”.
Filipe Daniel defendeu ainda que a dispersão dos fluxos turísticos exige melhores ligações entre os destinos e que a transição energética deve ser acompanhada por “infraestruturas adequadas, informação clara e soluções economicamente viáveis”.
Por sua vez, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, que participou na sessão através de uma mensagem em vídeo a partir de Singapura, destacou o peso económico do setor automóvel em Portugal, que, segundo os dados apresentados, representa mais de 45 mil milhões de euros em receitas, um valor acrescentado bruto superior a 6,7 mil milhões de euros e perto de 180 mil empregos diretos, distribuídos por mais de 17 mil empresas.
Considerando-o um “setor estratégico para Portugal”, o governante identificou a fiscalidade, os instrumentos financeiros para a renovação do parque automóvel e a transição energética entre os principais desafios, sublinhando a importância da mobilidade e da conectividade para a competitividade do país. Pedro Machado valorizou ainda os “contributos válidos” da ARAC para a discussão do Orçamento do Estado, manifestando a expectativa de que as conclusões da convenção ajudem a tornar Portugal “mais competitivo” e, por essa via, “mais coeso e mais justo”.
A 7.ª Convenção Nacional da ARAC, Associação Nacional dos Locadores de Veículos, decorre esta sexta-feira, em Óbidos, sob o tema “Mobilidade em Transformação: Desafiar o presente, liderar o futuro”.




