Duarte Nobre Guedes, presidente do Conselho Diretor da Associação Nacional dos Locadores de Veículos (ARAC), alertou para o “aumento de situações de criminalidade associadas ao roubo e ao uso indevido das viaturas de aluguer, com enormes prejuízos para o setor e para a sociedade” na sessão de abertura da VII Convenção Nacional da ARAC, que decorre esta sexta-feira, 9 de outubro, em Óbidos. O presidente defendeu uma maior cooperação entre as autoridades e o setor privado, enquanto Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), apelou à inclusão das propostas da confederação no Orçamento do Estado para 2027.
“Nos últimos meses e anos assistimos a um aumento de situações de criminalidade associadas ao roubo e ao uso indevido das viaturas de aluguer, com enormes prejuízos para o setor e para a sociedade”, alertou o presidente do Conselho Diretor da ARAC, Duarte Nobre Guedes, na sessão de abertura da VII Convenção Nacional da associação.
O responsável destacou a segurança como um dos elementos diferenciadores de Portugal enquanto destino turístico, defendendo o reforço da cooperação entre as autoridades e o setor privado no combate a este tipo de criminalidade: “Foi reiterado o compromisso deste Governo de promover uma atuação mais proactiva, assente no planeamento e numa relação mais próxima com parceiros e com o setor privado,” relembrou.
Segundo Duarte Nobre Guedes, no setor do rent-a-car, essa cooperação já se traduz num “diálogo permanente e construtivo” entre as forças policiais e os associados da ARAC.
Neste sentido, a ARAC manifestou ainda disponibilidade para colaborar com as autoridades na criação de uma “plataforma moderna e interativa” que “permita divulgar a informação crítica e garantir rapidez nos processos a todos os associados e às autoridades”.
Ligação entre regiões, sustentabilidade e associativismo
Duarte Nobre Guedes destacou também a importância do turismo para o setor da locação automóvel e o papel desta atividade na economia portuguesa, alertando que as discussões sobre a mobilidade não devem centrar-se exclusivamente nos desafios das grandes cidades. “Um estudo recente de uma consultora internacional concluiu que apenas 10% da distância percorrida pelos automóveis a nível mundial ocorre em contexto urbano”, afirmou. “A maior parte da mobilidade continua a acontecer fora das grandes cidades, nas ligações entre regiões, nos territórios menos densos e nas atividades económicas do dia-a-dia,” continuou.
O presidente do Conselho Diretor da ARAC sublinhou a importância das ligações entre regiões em Portugal para “aproximar as suas empresas”, para levar mais atividade económica a diferentes territórios e para “apoiar um turismo cada vez mais distribuído e diversificado.”
O dirigente destacou ainda o trabalho desenvolvido pela ARAC junto dos centros de decisão nacional e europeus, nomeadamente em matérias relacionadas com a competitividade das empresas portuguesas, no acompanhamento da transição energética, eletrificação de frotas e na defesa de um enquadramento regulatório que concilie a sustentabilidade com a realidade económica das empresas. “Quando iniciámos este mandato, assumimos o compromisso de reforçar a presença e a influência da ARAC junto dos centros de decisão nacional e europeus,” relembrou.
No domínio da sustentabilidade, Duarte Nobre Guedes defendeu que este objetivo deve ser acompanhado de medidas que salvaguardem a “competitividade” e a “justa concorrência das empresas”.
O responsável abordou também o diálogo mantido com as autoridades da Região Autónoma da Madeira. “Continuamos a estar manifestamente contra as medidas que representam custos acrescidos para os utilizadores dos nossos serviços e que discriminam ainda mais e negativamente um meio de transporte de forma isolada,” reiterou.
No entanto, reconheceu a “disponibilidade demonstrada” para ouvir o setor, adaptar algumas das propostas à realidade operacional das empresas e à capacidade de resposta aos clientes.
O reforço do associativismo e da participação das empresas foi outro dos pontos destacados pelo presidente do Conselho Diretor da ARAC, que defendeu o papel das associações enquanto instrumentos de democracia participativa.
“Os resultados que temos conseguido alcançar nos usos das instituições nacionais e europeias demonstram a importância de uma associação forte, mas demonstram também a importância da participação ativa das empresas que representam”, destacou.
Neste sentido, salientou que os desafios do setor, nomeadamente nas áreas da fiscalidade, regulação, digitalização, eletrificação “exigem uma ARAC forte”, que “depende do contributo e da participação dos seus associados”, referiu.
Francisco Calheiros espera que CTP seja ouvida no OE 2027

Também presente na sessão de abertura, Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), afirmou que espera que as propostas apresentadas ao Governo estejam inscritas no Orçamento do Estado para 2027. O presidente da CTP defendeu que estas medidas devem contribuir não só para o desenvolvimento do turismo, mas também para o “equilíbrio económico e social do país”.
Entre as prioridades identificadas pelo presidente estão a “continuação da redução da carga fiscal sobre as empresas e as pessoas” e o reforço da “reforma administrativa do Estado”, com o objetivo de aumentar a agilidade do Estado e diminuir a burocracia. Neste sentido, Francisco Calheiros propõe um “Simplex para o turismo”, destinado a simplificar os “processos de aprovação de novos projetos turísticos”.
Para a CTP, é também “urgente” que o Orçamento do Estado para 2027 preveja os investimentos que têm que ser realizados, tendo em conta os acessos rodoviários e ferroviários ao novo aeroporto em Alcochete, “nomeadamente a nova Ponte sobre o Tejo.”




