Cerca de 34% dos voos que partiram dos aeroportos portugueses entre julho e setembro de 2026 sofreram atrasos ou cancelamentos, afetando aproximadamente 3,5 milhões de passageiros. De acordo com os dados divulgados esta terça-feira, 27 de outubro, pela AirHelp, o aeroporto da Madeira foi o mais pontual do país, enquanto Ponta Delgada apresentou o pior desempenho entre os seis aeroportos analisados.
Segundo a empresa especializada na defesa dos direitos dos passageiros aéreos, dos cerca de 71 mil voos analisados durante o terceiro trimestre, aproximadamente 24 mil registaram perturbações, dos quais mais de 23 mil sofreram atrasos de pelo menos 15 minutos e cerca de 840 foram cancelados. Os restantes 66% operaram à hora prevista.
Entre os voos afetados, mais de cinco mil acumularam atrasos de pelo menos uma hora, o equivalente a aproximadamente 7% do total analisado. Destes, mais de 1.300 registaram atrasos de duas horas ou mais e mais de 500 ultrapassaram as três horas.
No que respeita aos passageiros, mais de 10,4 milhões de pessoas partiram dos aeroportos portugueses entre julho e setembro, das quais cerca de 3,5 milhões (33%) foram afetadas por atrasos ou cancelamentos. Segundo a AirHelp, aproximadamente 742 mil passageiros enfrentaram atrasos de pelo menos uma hora, 193 mil de duas horas ou mais e 71 mil de três horas ou mais. Além disso, mais de 90 mil passageiros, correspondentes a 0,9% do total, viram os seus voos ser cancelados.
Madeira lidera pontualidade e Lisboa fica entre os aeroportos com pior desempenho
O aeroporto da Madeira, no Funchal, foi o mais pontual entre os seis aeroportos portugueses incluídos na análise, com 79,2% dos 4.657 voos a partirem à hora prevista. Seguiram-se Faro, com uma taxa de pontualidade de 78,7%, e o Porto, com 69,6%.
No extremo oposto, o aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, registou a taxa de pontualidade mais baixa, com apenas 56,8% dos voos a operarem dentro do horário previsto. Seguiram-se o aeroporto das Lajes, na ilha Terceira, com 59,1%, e Lisboa, com 60,1%.
O aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, concentrou o maior volume de tráfego da análise, com 29.058 voos e mais de 4,6 milhões de passageiros, dos quais 60,4% viajaram sem perturbações. Isto significa que cerca de quatro em cada dez voos que partiram da capital sofreram atrasos ou cancelamentos durante o terceiro trimestre.
No Porto, foram analisados 15.502 voos, que transportaram mais de 2,4 milhões de passageiros. A taxa de pontualidade situou-se nos 69,6%, enquanto 69,3% dos passageiros viajaram sem perturbações.
Já Faro registou 11.434 voos e cerca de 1,8 milhões de passageiros, com 78,7% das partidas a decorrerem dentro do horário previsto. Na Madeira, 78,2% dos cerca de 697 mil passageiros viajaram sem perturbações.
Nos Açores, Ponta Delgada apresentou também a percentagem mais baixa de passageiros sem perturbações, com 58,1% dos cerca de 432 mil passageiros analisados. Nas Lajes, essa proporção foi de 61,4%, num total de aproximadamente 178 mil passageiros.
A AirHelp esclarece que o ranking inclui exclusivamente os aeroportos com, pelo menos, 400 voos mensais com dados disponíveis, o equivalente a 1.200 partidas durante o trimestre. Segundo a empresa, este critério permite assegurar uma comparação entre aeroportos com um volume de atividade considerado suficiente.
Passageiros podem ter direito a compensações até 600 euros
Na sequência dos resultados, a AirHelp recorda que os passageiros afetados por atrasos e cancelamentos estão protegidos pelo Regulamento (CE) n.º 261/2004, que estabelece direitos de assistência e compensação em determinadas circunstâncias.
A legislação aplica-se aos voos com partida de aeroportos da União Europeia, independentemente da nacionalidade da transportadora, e aos voos provenientes de países terceiros com destino à União Europeia, desde que operados por uma companhia aérea comunitária.
Segundo a empresa, os passageiros podem ter direito a assistência, incluindo refeições, bebidas, alojamento e transporte, dependendo da duração do atraso e das circunstâncias da perturbação.
Em determinadas situações, podem ainda beneficiar de uma compensação financeira até 600 euros por pessoa, quando o incidente é da “responsabilidade da companhia aérea” e não resulta de “circunstâncias extraordinárias”.
A AirHelp recomenda aos passageiros que conservem a documentação da viagem, incluindo cartões de embarque, comunicações das companhias aéreas e comprovativos de despesas, para facilitar eventuais reclamações.




