APAVT: Setor precisa de apoios e quer concretização de promessa de pagamento do Programa Apoiar

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O presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo afirmou esta sexta-feira, 30, que o setor precisa de apoios e gostaria que a promessa de pagamento do Programa Apoiar de abril a dezembro de 2021 fosse concretizada.

“É o que as agências precisam e acreditavam que ia acontecer”, disse o presidente Pedro Costa Ferreira, recordando que esta foi uma promessa de campanha do Partido Socialista nas últimas eleições. “O programa Apoiar foi pago até abril de 2021, quando as condições de crise que o justificaram se prolongaram muito depois de abril de 2021 Esperávamos o pagamento  de abril a dezembro 2021, tivemos boas respostas por parte do Partido Socialista na altura de campanha, não tivemos essa boa realização de resposta pelo Governo de agora”, disse o responsável da APAVT durante um encontro com jornalistas para a apresentação do tema do próximo congresso.

Os processos de recuperação financeira serão, de resto, um dos tópicos de conversa da sessão reservada às agências de viagens durante o congresso que se realizará de 8 a 11 de dezembro em Ponta Delgada.

“Vamos manter-nos ativos, porque sentimos que é um diálogo que não deve ser esgotado. Neste momento, os processos de apoio aparentemente parecem muito centralizados em crédito, o que não queremos, porque já estamos muito endividados, e no Banco de Fomento, entidade que não conseguimos ver, apesar de olharmos muito para o horizonte”, referiu Pedro Costa Ferreira.

Sobre o pacote de medidas de apoio às empresas apresentado recentemente pelo Governo, o presidente da APAVT lamentou não existirem medidas para as agências. “Não reconhecemos nenhum apoio que se dirija às agências, gostaríamos de estar incluídos, porque se justificaria estarmos incluídos”, defendeu. “Já ninguém duvida que o crescimento da economia portuguesa este ano se deveu ao turismo. Que ninguém tenha dúvidas que, quem vai buscar os consumidores lá fora são as agências de viagens, e que ninguém tenha dúvidas que, quando se fala em reservas diretas nos bancos de cama, a maioria delas são feitas por agências de viagens”.  

Além do pagamento do Programa Apoiar, a APAVT defende um incremento dos prazos de pagamento da dívida. 

Previsão de consumo no próximo ano

Pedro Costa Ferreira afirmou não estar surpreendido com a forte retoma da procura, que se deveu a uma poupança forçada durante a pandemia. “Dissemos em 2020 que o retorno ia ser off/on, contra a maioria dos estudos de consultores e outros analistas que indicavam regressos mais atenuados no tempo. Sempre dissemos que, se houvesse condições do ponto de vista pandémico, a retoma voltaria mais forte do que nunca e foi o que aconteceu”.

No entanto, as previsões para o próximo ano do presidente da APAVT são mais conservadoras: “Prevemos um 2023, ao nível do mercado português e de outros mercados emissores europeus, menos robusto do que 2022”. Quanto à operação de verão de 2023, também “é expetável que seja menos robusta, porque teremos, por um lado, a poupança forçada já gasta, por outro lado, menor rendimento disponível decorrente da inflação e, sobretudo, decorrente do peso que tem a subida de juros na habitação”.

Qual será a resposta do setor turístico? Pedro Costa Ferreira admitiu que destinos de proximidade podem ter oportunidade nesta conjuntura. “Num quadro de redução do rendimento disponível, a Madeira e os Açores, se trabalharem bem, podem ter até uma oportunidade acrescida, como aconteceu na pandemia”. Para o responsável da APAVT, num contexto europeu, o país até pode beneficiar em termos de mercados de proximidade, mas alerta para as notícias sobre a desvalorização da moeda no Reino Unido e para o comportamento do mercado alemão .”Há um histórico: assim que há perspetiva de menor rendimento disponível, há menor consumo, aliás, a Alemanha está já a entrar em recessão”. Por outro lado, destacou os mercados norte-americanos e a valorização do dólar. “Se calhar teremos aí uma oportunidade espetacular, sabendo que os mercados de long-haul são estratégicos para o futuro do turismo português”.

Consumo de viagens a decrescer?

Pedro Costa Ferreira disse não sentir, por enquanto, um decréscimo no consumo de viagens: “Não temos esse sentimento, o verão foi muito bom. Os números das agências são muito positivos, do ponto de vista da demonstração de resultados. Os números de hoje ainda são resultado da vingança de consumo e do gasto da poupança acrescida. Mas sabemos bem o que aí vem”, alertou. 

O presidente da APAVT realçou ainda que esta recuperação das agências de viagens é “absolutamente efetiva”, “esperamos ter resultados em 2022 muito próximos de 2019, com assimetrias: o lazer melhor, o corporate não atingiu os valores de 2019 e os eventos também estarão  mais atrasados”.

Pedro Costa Ferreira sublinhou que “a recuperação é a nível da demonstração de resultados, se tivermos um ano com resultados semelhantes a 2019, significa que nos faltam cerca de seis anos para termos um balanço semelhante a 2019, porque as agências perderam entre cinco a sete anos de resultados ao longo da crise. O balanço equilibrado de 2019 está muito longe de acontecer, mesmo que aconteçam anos felizes como este”.

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