“A Favor, ou Contra”: O que pensa o setor sobre a posição da CTP face aos relatos de criminalidade no país?

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Na rubrica desta semana “A Favor ou Contra”* questionámos os profissionais do setor sobre a sua posição em relação à recente manifestação da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) face aos relatos de criminalidade no nosso país, sobretudo nos meses de verão, em que o número de turistas aumenta significativamente.

Nas últimas semanas, a CTP tem sido alertada para vários incidentes ocorridos em regiões mais frequentadas por turistas, nomeadamente Lisboa, Porto e Albufeira, e em locais como aeroportos, restaurantes e zonas de elevada afluência.

Hélder Martins, presidente da AHETA 

“Sou verdadeiramente a favor, especialmente nas zonas mais movimentadas. O policiamento de proximidade inibe algumas atuações menos próprias e, principalmente em zonas de animação noturna, esta presença das forças policiais é fundamental, o chamado policiamento de proximidade. Há que registar que nos últimos anos as forças policiais, no Algarve, foram perdendo elementos e, mesmo com o reforço de verão, não chegámos aos números de efetivos que tinham anteriormente.”

André Gomes, presidente do Turismo do Algarve

“A segurança é um fator decisivo para o setor turístico, e reconhecemos a preocupação da CTP em relação a um eventual aumento da criminalidade. No entanto, é importante salientar que Portugal, e em particular o Algarve, continua a ser um destino seguro. Não é uma ou outra ocorrência pontual que altera essa realidade. Apesar do reforço das forças e serviços de segurança através do programa ‘Verão Seguro’, a região enfrenta um défice contínuo de meios e efetivos.

Por isso, defendemos que o reforço das forças policiais e de proteção civil não deve ser apenas uma resposta à época alta do turismo ou a eventuais incidentes, mas sim uma medida permanente para suprir as carências estruturais existentes no Algarve e assegurar a segurança e a qualidade dos nossos serviços turísticos durante todo o ano.”

António Trindade, CEO da PortoBay Hotels & Resorts

“A segurança integra atualmente o número reduzido de exigências que um Turista, diria um Cidadão, considera imprescindível para a escolha de um destino, seja ele urbano ou de resort.

Acontece que o aumento da criminalidade é algo que não escolhe exclusivamente o período alto das estações turísticas e por isso tem de ser abordado numa perspetiva mais abrangente, exigindo um tratamento, tão profundo quanto possível, em áreas como as componentes educativa, social e terapêutica dos delinquentes, assim como a regulamentação municipal de espaços, períodos e horários das atividades de lazer, sobretudo o noturno. 

É evidente que o reforço dos meios policiais e de proteção civil, constitui um meio dissuasor muito importante às práticas potenciadoras de insegurança nas zonas turísticas, mas não é o suficiente. Ele deve integrar um pacote que credibilize as ações policiais, fazendo passar aos prevaricadores um sentimento de respeito e de ponderação, algo que não acontece quando se apercebem da quase total inimputabilidade dos seus atos.”

Rodrigo Pinto de Barros, presidente da APHORT

“Somos a favor do reforço dos meios que permitam garantir um maior sentimento de segurança. Em parte, devido à grande mediatização de alguns casos, a associação de algumas das nossas cidades a um aumento significativo da criminalidade – seja ele real ou percebido – tem gerado uma sensação de insegurança que afeta não só a experiência dos turistas, como também, e, acima de tudo, a qualidade de vida dos portugueses.

A segurança sempre foi uma das grandes bandeiras da nossa promoção turística e é fundamental que consigamos preservar este atributo diferenciador. É urgente haver uma estratégia concertada entre as várias forças, políticas e de segurança, para definir um plano de ação eficaz que permita resolver esta situação.”

*O TNews estreou uma nova rubrica intitulada “A Favor ou Contra”, com o objetivo de recolher opiniões de profissionais do setor sobre questões relevantes para a indústria do turismo.

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