Elevador da Glória: Turismo fala em “alerta” e pede respostas rápidas

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O acidente no Elevador da Glória, ocorrido a 3 de setembro e que causou 16 mortos e 23 feridos, levantou também questões sobre a perceção de segurança de Lisboa como destino turístico. Contactadas pelo TNews, a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), a Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal (ADHP) e a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) partilham posições sobre o impacto reputacional, a necessidade de reforço da segurança e a importância de uma comunicação transparente.

A vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira, considera que o impacto imediato “é sobretudo emocional e reputacional”. Para a dirigente, a prioridade neste momento “é a segurança, de residentes e de turistas”, defendendo que “os resultados da investigação sejam tornados públicos o mais cedo possível, sem comprometer, antes assegurando, o rigor e transparência na comunicação”.

Cristina Siza Vieira alerta para “legítimas questões sobre a segurança dos transportes históricos de Lisboa” e sublinha que só uma comunicação clara das entidades públicas poderá mitigar os danos para a imagem da cidade. Para garantir a confiança, aponta medidas técnicas concretas: “inspeções independentes e profundas a todos os transportes históricos, acompanhadas de uma revisão dos protocolos de manutenção”.

“Lisboa continuará a ser um destino de excelência, mas este acidente deve ser encarado como um alerta. (…) É preciso não nos encostarmos à sombra da bananeira, e pensar que esse é um campeonato ganho”, AHP

Quanto ao futuro do destino, a AHP deixa um aviso: “Lisboa continuará a ser um destino de excelência, mas este acidente deve ser encarado como um alerta. Sendo a cidade portuguesa que mais turistas recebe, e onde é já notória a pressão sobre alguns serviços e estruturas e até atendendo às alterações climáticas (basta pensar nas vagas de calor e chuvas intensas que se têm repetido), importa reforçar padrões de segurança e manutenção, e promover uma gestão mais equilibrada dos fluxos turísticos e de visitação aos nossos ícones turísticos”. No entender da AHP, “é essencial pensar e desenhar em soluções criativas, inovadoras e sustentáveis” para não viver “à sombra da bananeira e pensar que esse é um campeonato ganho”. “É sempre fundamental continuar a afirmar e consolidar a imagem de Lisboa como uma cidade autêntica, segura e preparada para o futuro. Afinando e ajustando estratégias e discurso”, remata.

Fernando Garrido, presidente da ADHP, conta que têm chegado à associação manifestações de apoio de associações internacionais, o que permite concluir que “este acidente está a ser percecionado como uma tragédia isolada, sem impacto na imagem de Lisboa enquanto destino turístico seguro”. Ainda assim, admite que “perante um acontecimento desta gravidade, existe sempre um risco de impacto negativo na perceção dos turistas”, mas reforça a confiança de que “Lisboa continua a ser vista como a cidade segura que é”.

Para Fernando Garrido, “a resposta célere e transparente das autoridades e da comunidade será fundamental para manter a confiança dos turistas”, sublinhando que “a segurança, o bem-estar e a hospitalidade que caracterizam Lisboa continuam a ser valores inabaláveis para todos os lisboetas”.

Sobre as preocupações imediatas, o presidente da ADHP afirma que “a maior preocupação é com as vítimas e as famílias enlutadas” e que é prioritário “garantir todo o apoio possível a quem foi direta ou indiretamente afetado por esta tragédia”. Defende ainda que “todos os esclarecimentos sobre o acidente sejam prestados com rigor, celeridade e responsabilidade, não só para garantir transparência, mas também para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer”.

“esta tragédia deve reforçar o nosso compromisso coletivo com um turismo responsável, sustentado e centrado nas pessoas”, ADHP

Quanto às medidas de segurança, Garrido entende que é “fundamental aguardar pelo relatório técnico sobre as causas do acidente” e afirma confiar que “as autoridades locais e nacionais saberão as melhores medidas a tomar com base nesse relatório”.

O presidente da ADHP acredita ainda que “esta tragédia deve reforçar o nosso compromisso coletivo com um turismo responsável, sustentado e centrado nas pessoas”, recordando que “Lisboa é um destino de excelência reconhecido internacionalmente” e que o turismo da região “tem demonstrado uma resiliência notável ao longo da sua história”.

A AHRESP destaca que “Lisboa é hoje um destino global e badalado, e o facto de estarem envolvidas pessoas de várias nacionalidades fez com que a notícia tivesse ainda mais destaque em todo o mundo”. Na opinião da associação, o impacto imediato poderá ser “sobretudo reputacional, na medida em que é possível que afete a confiança na utilização dos equipamentos históricos da cidade, que são também parte do seu encanto”. No entanto, acrescenta: “Acreditamos que este episódio não terá um efeito duradouro na visitação de Lisboa, mas exige respostas rápidas e claras”.

A prioridade, afirma a associação, é clara: “Devolver confiança a residentes e turistas. Não podemos aceitar que a perceção passe a ser a de que Lisboa é um destino inseguro. Para isso, há que investir seriamente na manutenção e monotorização dos equipamentos mais utilizados”.

Sobre as medidas essenciais, a AHRESP defende: “É imperativo apurar com rigor as causas do acidente. Só conhecendo exatamente o que falhou será possível implementar as correções necessárias e evitar que situações semelhantes se repitam”. Considera ainda fundamental “reforçar planos de prevenção, manutenção e fiscalização regular dos equipamentos históricos, que são símbolos de Lisboa”.

“Não podemos aceitar que a perceção passe a ser a de que Lisboa é um destino inseguro. Para isso, há que investir seriamente na manutenção e monotorização dos equipamentos mais utilizados”, AHRESP

Mas a associação deixa também um alerta sobre comunicação: “Tão importante quanto agir é comunicar bem essas medidas: a confiança dos residentes e turistas constrói-se com transparência e garantias visíveis de segurança”.

Quanto ao futuro, a AHRESP sublinha que “o turismo tem trazido enormes vantagens para a cidade — emprego, investimento, regeneração urbana e dinamização cultural — e assim continuará”. E conclui: “Não é o turismo que está em causa, mas sim a gestão das infraestruturas que o suportam. Precisamos agora de intensificar a manutenção e fiscalização, garantindo que os seus ícones históricos funcionam em plena segurança. Por outro lado, consideramos relevante reforçar ainda mais a promoção externa para continuar a afirmar Lisboa como uma cidade extraordinária, hospitaleira e segura”.

Câmara de Lisboa aprova apoios e portal da transparência

Esta segunda-feira, 8 de setembro, a Câmara de Lisboa aprovou propostas da liderança PSD/CDS-PP, do PS e do PCP relativas a medidas em resposta ao acidente, incluindo apoio às vítimas e a criação de um portal da transparência. As propostas foram aprovadas de forma quase unânime, com destaque para a aprovação da proposta do PCP que prevê avaliar a passagem da manutenção para os técnicos da Carris.

O vice-presidente da autarquia, Filipe Anacoreta Correia, destacou a intenção de disponibilizar toda a informação de forma pública através do portal da transparência, afirmando que “ninguém está a lidar com isto à defesa ou com preocupação de ser posto em causa. Nós queremos que toda a informação seja do conhecimento público, independentemente das consequências”. Anacoreta Correia sublinhou ainda que “a segurança foi sempre absolutamente decisiva e no futuro será seguramente também a segurança que se imporá a qualquer outro tipo de critérios, portanto não haverá qualquer tipo de limites nem ideológicos nem financeiros para que seja de novo reposta a confiança no transporte coletivo de passageiros da Carris na cidade de Lisboa”.

A proposta do PS inclui a criação de um memorial na Calçada da Glória, de um Gabinete Municipal de Apoio às Vítimas, de um Fundo Municipal de Apoio às Vítimas, assim como um painel público de acompanhamento no portal da Câmara e uma comissão externa de auditoria, incluindo obrigatoriamente universidades. O vereador do PCP, João Ferreira, salientou a importância de que “as coisas não podem ficar no papel como tantas vezes acontece”.

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