O TNews estreou uma nova rubrica intitulada “A Favor ou Contra”, com o objetivo de recolher opiniões de profissionais do setor sobre questões relevantes para a indústria do turismo. Na sua primeira edição, questionamos os hoteleiros de Lisboa sobre a sua posição em relação ao aumento da taxa turística da cidade para 4 euros por noite. Destaca-se que a maioria dos intervenientes expressou uma posição contrária a essa medida. Entre os participantes, destacam-se Nuno Ferrari, Diretor de Marketing e Vendas do grupo Olissippo Hotels; Alexandre Marto Pereira, CEO da United Hotels of Portugal; Alfredo Tavares, Diretor-Geral do grupo The Beautique Hotels; Paulo Ferreira, Diretor-Geral do The Leaf Boutique Hotel; e Cristina Cavaco, Diretora-Geral do Mama Shelter Lisboa.
Nuno Ferrari, Diretor de Marketing e Vendas do grupo Olissippo Hotels:
“Não estou de acordo com o aumento da taxa turística. O investimento das receitas com esta taxa, não tem sido feita de uma forma clara. Não é pela hotelaria e turismo na cidade de Lisboa estarem em alta que se deve continuar a taxar tudo e mais alguma coisa. Já se pagam demasiados impostos em Portugal”.
Alexandre Marto Pereira, CEO da United Hotels of Portugal:
“Sou contra. Não faz sentido cobrar duplamente ao turista: ele já paga IVA quando pernoita ou utiliza qualquer outro serviço em Portugal. Eventualmente parte desse IVA pode ser entregue pelo Tesouro às câmaras municipais se estas se sentem diretamente afetadas pelo sobrepeso dos turistas… De resto, as unidades hoteleiras e os restantes operadores em turismo já pagam outros impostos, como o IRC, que são naturalmente proporcionais à dimensão da atividade turística. O próprio investimento em imobiliário afeto ao turismo é castigado pelas taxas de IMI, que de forma justa estão acima das taxas à habitação. A cobrança de taxas turísticas é particularmente injusta se a receita é aplicada em despesa corrente, porque se transforma num saque a quem nos visita”.
Alfredo Tavares, Diretor-Geral do grupo The Beautique Hotels:
“Sou contra um aumento de 100% sem que haja um plano de melhoramentos relacionados com o turismo e que não só beneficie turistas, mas também residentes. Que a população em geral possa escrutinar o que se cobra, (quem cobra e quanto cobra nos hotéis e alojamento local) e o que se gasta/investe (quem gasta/investe e em quê, por exemplo existir um site de acesso público”.
Miguel Cymbron, diretor de Vendas & Marketing da VIP Hotels:
“Não concordamos com o aumento da taxa turística, muito menos para o dobro. A taxa turística foi implementada em janeiro de 2016, há menos de 10 anos, com o valor de 1€. Posteriormente, em janeiro de 2019, duplicou para 2€ e, para 2025 (menos de 10 anos), já é pretendida uma nova duplicação para 4€/ hóspede / noite.
Isto quer dizer que um quarto duplo passará a pagar 8€ / noite. Se o mesmo for vendido a 100€, haverá um acréscimo de 8% para o hóspede.
Na verdade, os hoteleiros de Lisboa não têm visto os benefícios da implementação da taxa turística, uma vez que não há reporting sobre a utilização dos 170 milhões já arrecadados. Recentemente, o presidente a AHP relembrou que havia o compromisso para a construção de um centro de congressos (que não se verificou), incluído no “investimento em infraestruturas turístico/culturais e, ainda, programas de dinamização da procura, onde se incluem o apoio a congressos e eventos culturais, e o financiamento da higiene e limpeza urbana da cidade de Lisboa”.
Pelo contrário, continuam a pagar os mesmos impostos, recentemente foram confrontados com a possibilidade de terem de passar a pagar a recolha de lixos e os verdadeiros desafios do turismo de Lisboa, como a questão do aeroporto, mantêm-se sem resolução.
Tememos que todo este acréscimo de custos, comece a pôr em perigo a competitividade da cidade de Lisboa, como destino turístico, sendo que quando a procura baixar os hoteleiros irão ajustar os preços do alojamento, mas a taxa permanecerá inalterada”.
Paulo Ferreira, Diretor-Geral do The Leaf Boutique Hotel:
“Concordo em aumento, mas para 3 euros e não com um aumento de 100%, o que coloca Lisboa com uma das taxas mais elevadas na Europa. Considero pertinente reformular a proposta com as seguintes alterações: O máximo cinco noites e isentos de pagamento clientes nacionais (continente e ilhas). mantendo-se a isenção já considerada em ofertas por entidades responsáveis e questões de saúde”.
“Quando foi introduzida a taxa turística em Lisboa, em 2016, tinha vários propósitos: O financiamento de projetos de preservação do património cultural, melhorias na infraestrutura turística, promoção do turismo sustentável e mitigação dos impactos negativos do turismo na cidade. Ao longo deste tempo, não possuímos informação com rigor de como os valores recebidos foram aplicados. Considero ser pertinente uma comunicação anual e oficial por parte da CML, dos proveitos e aplicação das verbas supervisionada posteriormente pelo tribunal de contas.”
Cristina Cavaco, Diretora-Geral do Mama Shelter Lisboa:
“Sou a favor, mas…. a minha opinião sobre o aumento da taxa turística em Lisboa depende de vários fatores, incluindo como as receitas serão utilizadas. Se o aumento for bem justificado, com planos concretos para melhorar a infraestrutura turística, a sustentabilidade e a qualidade de vida dos residentes, poderia ser visto como positivo. No entanto, é importante considerar também o impacto no custo para os turistas e na competitividade turística de Lisboa em comparação com outros destinos. A comunicação clara dos benefícios dessa taxa aos turistas e aos residentes é crucial para ganhar suporte público.”



