Quarta-feira, Março 11, 2026
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Aeroporto e apoios para o turismo? Rui Rio responde (mas pouco) às questões da CTP

A dois dias das eleições legislativas, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, levantou várias questões a Rui Rio, nomeadamente o que tenciona fazer caso não tenha maioria absoluta e qual o modelo económico que o PSD preconiza.

“Estamos há 20 anos em estagnação, temos vindo a ser ultrapassados por todos os países da Europa. Será que é desta que vamos ter um modelo que crie riqueza antes de a distribuir”, questionou Francisco Calheiros, num almoço-debate com o presidente do PSD, que se realizou esta sexta-feira, dia 28 de janeiro, em Lisboa, e que juntou vários empresários do setor do turismo.

Entre as várias questões levantadas pelo presidente da CTP, estiveram os apoios ao setor turístico, com Francisco Calheiros a reforçar, mais uma vez, que o setor do turismo foi dos mais afetados pela pandemia. “O setor do turismo deve ter sido o setor mais afetado pela pandemia. Estamos a falar de uma quebra de 62% no ano de 2020, uma quebra de 47% no ano de 2021 e as nossas perspetivas apontam para que durante o ano de 2022 ainda haja uma quebra de 22%”, referiu o responsável. “Neste momento, a situação financeira das empresas de turismo é muito difícil. Não tenho duvidas que o turismo vai voltar a ser o motor da economia, mas é fundamental mantermos a oferta, sem esta oferta instalada não há turistas que venham cá”, acrescentou.

Depois de falar da reforma do Estado, dos custos de contexto e da necessidade de reforçar a promoção do país, Francisco Calheiros colocou a questão do aeroporto de Lisboa em cima da mesa.

“Em 2019 o nosso aeroporto [de Lisboa] tinha atingido a capacidade máxima. Com a pandemia, esse problema não se levantou. Tivemos o ano de 2021 para aprovar o caderno de encargos. Vamos admitir que tudo corre bem, que o estudo é feito em 18 meses, a opção é a mais rápida, o Montijo, e a sua construção demora três anos e meio, temos um aeroporto daqui a cinco anos. Senhor presidente [do PSD] não seria altura de alterar uma lei que prevê que uma mera freguesia possa vetar uma infraestrutura de âmbito nacional? Acho que é chegada essa altura”.

Foi preciso aguardar 40 minutos para ouvir de Rui Rio a resposta quanto ao aeroporto. No seu discurso, Rio preferiu fazer uma espécie de comício eleitoral, antes de passar às questões concretas do setor turístico.

“Contrastar com aquilo que tem sido a governação do Partido Socialista” foi uma das expressões que Rio usou várias vezes ao longo do discurso. Primeiro, para ilustrar a forma como faz política: “Temos que ter mais rigor e menos facilitismo. Isto vale para tudo. Sempre que tivermos algo para decidir, temos que ter presente que aquilo que comanda o desenvolvimento de uma sociedade é o rigor e não o facilitismo”. Depois, para falar do modelo económico e como tenciona melhorar salários.

“Por regra, o que deve ser o motor do crescimento económico é a produção. Têm de ser as exportações e o investimento a comandar o crescimento económico. (…) Temos de fazer exatamente o contrário daquilo que tem sido feito, ou seja, se nós queremos ter melhores empregos para as pessoas e melhores salários temos de começar por começar a dirigir os apoios de uma forma equilibrada e lícita (…) às unidades produtivas, para quem cria esses empregos que nós queremos melhorar, que são as empresas”, declarou.

“Como é que eu não posso ser aliado das empresas quando o que eu quero é que as empresas cheguem ao meu objetivo, que é ter melhores empregos e uma sociedade a viver melhor?”, questionou.

Quando finalmente falou do aeroporto, Rio disse estar disposto a alterar a lei que dá poder aos municípios para se oporem à construção de uma infraestrutura de interesse nacional. “É um exagero, como é lógico, não faz sentido. Faz sentido mudar. Aquilo que nós não aceitámos na altura, é que o PS fez a lei e, quando ia aplicar a lei, não lhe dava jeito para uma situação em concreto, o aeroporto do Montijo, e diz que vamos alterar a lei por causa disto. Isso não. Sempre disse que, quando o PS quiser, votamos favoravelmente essa alteração. Mas não mudámos a lei para aplicação de uma situação em concreto, mudamos a lei para uma lei aberta e abstrata.”

Questionado no final da intervenção pelo presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Raul Martins, se estaria disponível para alterar o regime de lucros retidos e reinvestidos que atualmente é de 25% do IRC e apoiar as empresas hoteleiras para obter moratórias junto da banca, Rio respondeu com um “seguramente” à primeira questão: “Incentivar a questão dos lucros retidos seguramente. É um dos elementos básicos da capitalização”. Quanto à questão das moratórias afirmou que “se a pandemia terminar, tudo se torna mais fácil, porque há um horizonte mais concreto”. “Tivemos todos influenciados pela incerteza, mas se a pandemia terminar já podemos jogar com o tempo e perceber o que é possível”.

Quanto à questão da governabilidade, Rui Rio repetiu o que tem dito ao longo da campanha: “A probabilidade de haver uma maioria absoluta é baixíssima. Aqueles que não ganharem, têm de contribuir para a governabilidade, se não, daqui por seis meses, está o país outra vez à beira de eleições, e não saímos disto. Devemos fazer um esforço em torno daquilo que nos pode unir e haver bom senso de parte a parte”.

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