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Aeroporto: “Total desnorte do Governo”, partidos políticos exigem explicações

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Esta quinta-feira, dia 30 de junho, decorreu uma reunião do Conselho de Ministros, na Assembleia da República. Os partidos políticos com assento parlamentos reagiram à revogação do despacho, publicado na quarta-feira, sobre a solução aeroportuária para a região de Lisboa e exigem explicações do Governo.

O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, afirmou que “a condução e orientação do Governo é exclusiva do primeiro-ministro”. “O grupo parlamentar do PS não sabia, mas não tinha de saber, a orientação e a condução do Governo é uma responsabilidade exclusiva do primeiro-ministro, esse não é um assunto que diga respeito ao grupo parlamentar”, afirmou.

O PCP considerou que a decisão do primeiro-ministro de determinar ao Ministério das Infraestruturas a revogação do despacho que propunha a solução Montijo/Alcochete para o novo aeroporto de Lisboa demonstra “uma grande descoordenação” no Governo. “Há uma grande descoordenação e há um aspeto ainda maior do que este. [A decisão do primeiro-ministro] revela a fragilização do Governo relativamente às posições que tem assumido sobre a construção do novo aeroporto”, respondeu a líder parlamentar comunista, Paula Santos.

O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, exigiu que o primeiro-ministro fale ao país sobre a situação do aeroporto, considerando que há “um desgoverno do governo” de António Costa. “Há um desgoverno do governo neste momento em Portugal sobre matérias estratégicas e sobre as quais já estavam há anos em discussão no seio do governo. E sobre isto, o primeiro-ministro deve explicações ao país”, vincou.

O PEV também criticou o “total desnorte do Governo” em todo o processo do novo aeroporto, lamentando que a revogação do primeiro-ministro não seja para garantir estudos e avaliações, mas para tomar decisões negociadas com o PSD. “O PEV lamenta o anúncio feito pelo Governo relativamente à decisão anunciada para um novo aeroporto, assim como a intenção de António Costa de revogar essa decisão, não para garantir os estudos e a avaliação devidos, mas sim para tomar decisões com base em negociações com o PSD”, refere o partido ecologista, que perdeu a representação parlamentar nas últimas eleições legislativas.

Contrariamente, Inês Sousa Real, porta-voz do PAN, considerou que o recuo é “uma decisão sensata” e que cabe ao primeiro-ministro esclarecer se mantém a confiança no ministro das Infraestruturas. “A decisão de travar este despacho é uma decisão sensata, ajuizada. Devemos aguardar pela avaliação ambiental estratégica para precisamente percebermos qual a melhor solução para o país”, sustentou.

O deputado único do Livre, Rui Tavares, também saudou a decisão de António Costa, falando numa “oposição interna encabeçada pelo próprio primeiro-ministro”. “A decisão de ontem não fazia nenhum sentido e ainda bem que a oposição interna no governo, pelos vistos encabeçada pelo próprio primeiro-ministro, se encarregou de a desfazer”, afirmou.

No caso da Iniciativa Liberal, o presidente, João Cotrim Figueiredo, considerou que “há zero condições” para Pedro Nuno Santos continuar como ministro depois da desautorização do primeiro-ministro, apontando sinais de desagregação e confusão no Governo. “Nós nunca fomos de pedir cabeças de pessoas porque o que interessa são as políticas que elas executam. Agora aqui já não é uma questão política, é uma questão quase de dignidade pessoal. Perante esta desautorização, eu nos sapatos do ministro Pedro Nuno Santos escrevia a carta demissão nos 30 segundos seguintes”, disse João Cotrim Figueiredo à agência Lusa.

O presidente do Chega pediu a demissão do ministro, considerando que Pedro Nuno Santos não tem condições para continuar no Governo depois de ter sido “desautorizado politica e expressamente” pelo primeiro-ministro. Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, em Lisboa, André Ventura defendeu a “impossibilidade da continuação de Pedro Nuno Santos como ministro deste Governo”.

O CDS-PP também pediu a demissão de Pedro Nuno Santos. Numa nota enviada aos jornalistas e publicada na sua página da rede social Facebook, Nuno Melo considerou que “um ministro que deixou de o ser, mesmo que decida ficar, tem de se demitir”.

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