Sábado, Novembro 26, 2022
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Agentes de viagens têm oportunidade única para se tornarem ‘super-heróis’ estratégicos

Os agentes de viagens têm uma oportunidade única para se tornarem heróis empresariais, mas só irão melhorar o seu papel através de uma melhor autopromoção e da construção de relações interdepartamentais. Esta é a conclusão de workshops realizados recentemente por duas associações europeias: o Institute of Travel Management no Reino Unido (ITM) e a Association of Swiss Travel Management, avança o Business Travel News Europe.

“À medida que reconstruímos o setor depois da pandemia, agora é o momento certo para tirar partido do impulso de 2019 que abriu portas e impulsionou ligações e alargou redes”, afirma o relatório “Future Role of the Travel Manager”, publicado por uma taskforce criada pelo ITM.

Os agentes de viagens que mantiveram os seus empregos durante a pandemia, viram o seu trabalho assumir um maior significado estratégico, bem como operacional. “Abriu uma oportunidade para os agentes de viagens se envolverem com diferentes departamentos dentro da sua organização”, refere o relatório do ITM.

Lotten Fowler, diretora-geral da Associação Sueca de Viagens de Negócios, e que acompanha de perto este tópico, concorda. “A visibilidade dos agentes de viagens aumentou drasticamente, o que ofereceu uma oportunidade para aqueles que a aproveitaram”, afirmou. “A importância da gestão de viagens tornou-se mais óbvia para as empresas. Segurança: precisamos de falar com o agente de viagens. Sustentabilidade: precisamos de falar com o agente de viagens. Equilíbrio trabalho/vida: precisamos de falar novamente com o agente de viagens”, sublinhou.

Fowler defende que a pandemia e as mudanças culturais que a acompanharam, tais como o trabalho remoto, apenas serviram para acelerar uma mudança de foco do agente de viagens para os recursos humanos que já tinha começado antes da pandemia. As questões relevantes de RH não relacionadas à covid-19 citadas no relatório do ITM incluem o Brexit, a Diretiva de Trabalhadores Destacados da União Europeia, a diversidade e o bem-estar dos funcionários.

Existem também responsabilidades além dos Recursos Humanos. O presidente da ASTM, Dominic Short, aponta para “um ênfase ainda maior na sustentabilidade”, graças aos requisitos, que são cada vez mais obrigatórios, de entrega de relatórios de emissões e planos de ação de acompanhamento para reduzir a produção de carbono.

Dominic Short e Lotten Fowler acreditam que os agentes de viagens também terão de ganhar mais controlo sobre a tecnologia, especialmente sobre a gestão de dados e a integração de sistemas internos, à medida que as agências continuam a avançar para processos de administração digital. “Muitas empresas estão numa manta de retalhos de sistemas”, diz Short. “É preciso ser capaz de se mover rapidamente quando alguém do departamento de IT, normalmente sem aviso, diz: ‘No dia 21 deste mês, às 14h15, vamos deixar de utilizar a tecnologia que usamos atualmente'”.

O relatório do ITM, vê as oportunidades alargarem-se para os agentes de viagens ao longo de dois eixos. O primeiro é uma abordagem mais estratégica das viagens. “Muitos programas de viagens centram-se predominantemente no custo, sem qualquer apoio interno mais amplo ou conversa sobre o valor de uma viagem, o retorno do investimento [ou] como a viagem se alinha com a agenda estratégica da organização”, refere o relatório.

O segundo eixo é uma utilização mais ampla dos talentos dos agentes de viagens. “O agente de viagens possui um conjunto diversificado e multifacetado de competências não só relacionadas com o facto de ser o especialista em viagens, mas também alguém que pode agir a título consultivo em benefício das divisões internas, uma vez que compreende o novo significado das viagens dentro do seu departamento”.

Como exemplo, diz a chefe do programa ITM Kerry Douglas, “se outro departamento tiver sessões de formação para novas equipas em torno de questões como gestão de conflitos ou envolvimento de partes interessadas, essa formação poderia envolver o agente de viagens”.

O ITM salienta que os agentes de viagens “devem assumir o comando e não ficar à espera de serem convidados” para melhorar as suas funções. No que diz respeito à atuação mais estratégica, por exemplo, “muitas empresas podem acreditar que a equipa de viagens está ali para resolver o ‘como’ e não o ‘porquê’ e é aqui que a importância de articular valor, perícia e competência é fundamental”, sublinha o relatório.

Do mesmo modo, a principal conclusão do workshop da ASTM foi que os agentes de viagens devem melhorar a sua comunicação com as partes internas interessadas. “Fazer auto-marketing dentro da sua empresa nos dias que correm é muito importante”, refere Short. “Fale sobre o valor que está a trazer para a agência e certifique-se de que continua a repeti-lo aos principais interessados”.

De acordo com o ITM, muitas empresas estão a formar forças de trabalho interdisciplinares para lidar com estas grandes questões, e os agentes de viagens não podem correr o risco de serem esquecidos. Por conseguinte, de acordo com Douglas, “os compradores precisam de pressionar para fazer parte desses grupos de trabalho”.

Ironicamente, esta oportunidade de mudar para um papel consultivo está a ser impedida pelo atual surto de desafios logísticos do dia-a-dia causado por cancelamentos de voos, falta de staff na indústria e outras perturbações. “Os agentes de viagens estão a ser mais puxados para o lado operacional”, refere Douglas. “O desafio é tentar criar o espaço para ser mais estratégico”.

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