O turismo continuará a trabalhar para reforçar o seu contributo para a economia portuguesa, apesar de o peso do setor no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ter vindo a diminuir, garantiu esta quarta-feira o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Hélder Martins.
A afirmação surge na sequência da divulgação dos resultados da Conta Satélite do Turismo pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta segunda-feira. Segundo os dados, o turismo contribuiu com 36,2 mil milhões de euros para a economia portuguesa em 2025, correspondendo a 11,8% do PIB, e gerou 30,4 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB), representando 11,4% do total nacional.
Em termos nominais, o PIB do turismo aumentou 5,3% e o VAB cresceu 5,5% face a 2024. Ainda assim, o INE assinala que, embora o contributo do turismo para o crescimento real do PIB continue a ser positivo, “tem vindo a diminuir”.
Questionado sobre os dados do INE, o presidente da AHETA, Hélder Martins, disse à agência Lusa que o turismo “nos últimos anos tem estado a crescer, teve em 2025 o melhor ano de sempre”, e o setor turístico do Algarve continua a trabalhar para melhorar as receitas e superar esses registos.
“Nós temos tido, nos últimos anos, uma prestação acima de tudo o resto, e, portanto, se em algum período não conseguimos atingir essa superação, nós somos apenas uma atividade dentro de todas aquelas que compõem o PIB”, afirmou.
O responsável reconheceu que já houve “anos com maior crescimento”, com o peso do turismo a atingir 15 ou 16% do PIB, mas garantiu que o setor está “a trabalhar nesse sentido” para poder contribuir cada vez mais para o crescimento da economia.
Para Hélder Martins, a prioridade passa por aumentar o valor gerado pela atividade e não necessariamente o número de visitantes. “O nosso objetivo hoje não é simplesmente ter mais turistas, é ter melhores turistas, porque mais turistas com preços mais baixos, não é isso propriamente que é o ideal”, considerou.
O presidente da AHETA referiu ainda que o setor continua condicionado por fatores externos, apontando os conflitos na Ucrânia e no Irão como responsáveis por “um aumento brutal do preço dos produtos petrolíferos”, situação que originou “um conjunto de fatores que não são propriamente os mais positivos para o desenvolvimento da atividade”.
Apesar desse contexto, mostrou-se confiante na evolução da atividade turística. “Mas 2025 foi o melhor ano turístico de sempre e este ano não andamos muito longe de 2025, estamos com números muito próximos, portanto, temos de continuar a trabalhar, a melhorar e a tentar faturar mais”, concluiu.
De acordo com os dados do INE, depois de o setor ter contribuído com 3,6 pontos percentuais para o crescimento em volume do PIB em 2022 e com 1,2 pontos percentuais em 2023, esse contributo baixou para 0,4 pontos percentuais em 2024 e para 0,3 pontos percentuais em 2025.
Em 2025, o VAB direto gerado pelo Turismo (VABGT) registou uma variação nominal igual à do VAB nacional (5,6%), enquanto o Consumo do Turismo no Território Económico (CTTE) aumentou 4,9%, abaixo da variação nominal do PIB nacional (5,9%), referiu ainda o Instituto.




