A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) alerta para a grave situação que os hotéis nacionais estão a atravessar perante a evolução da situação pandémica e antevê com pessimismo os próximos tempos, na ausência de apoios específicos às empresas por parte do Governo.
Raul Martins, presidente da AHP, comenta “depois de um verão que deu sinais de retoma e dos hotéis se prepararem para o arranque, este volte-face na pandemia e as medidas restritivas anunciadas, confusas, erráticas e de última hora, significaram um terrível abanão nas nossas empresas.”
O presidente da AHP salienta ainda que “muitos hotéis que tinham aberto para o verão e que ainda tiveram um mês de outubro razoável, quando comparado com 2020, note-se, fizeram o esforço de preparar a operação para o Natal e Passagem de Ano, entraram em despesas importantes e reativaram canais de venda e distribuição. O que se seguiu é o que sabemos: se alguns hotéis nalgumas regiões ainda conseguiram resultados positivos, o grosso da nossa hotelaria está completamente descapitalizada, com uma tesouraria esgotada e sem possibilidades de sobreviver aos tempos que se adivinham.”
Com esta previsão, Raul Martins defende que o primeiro trimestre de 2022 vai ser muito pior do que a comunidade hoteleira tinha previsto.
“Infelizmente os apoios públicos são imprescindíveis para ultrapassarmos as consequências económicas da 5ª vaga e prepararmos a retoma futura”, lamenta o dirigente da AHP.
“Depois dos anúncios feitos e do Banco de Fomento fazer publicidade à linha de apoio ao turismo de 150 milhões de euros, por via da qual se pretende apoiar a retoma sustentável do Turismo, nomeadamente através do reforço de fundo de maneio das empresas viáveis e da dinamização dos investimentos relevantes para o setor, nada aconteceu”, acrescenta.
A linha de apoio ao turismo, de 150 milhões, tinha sido prometida para novembro de 2021, mas de acordo com a AHP ainda não está disponível.
Raul Martins remata: “Da nossa parte, tudo estamos a fazer para sobreviver a esta tempestade. A incerteza é grande e os momentos que atravessamos exigem disponibilidade e concretização dos apoios públicos o quanto antes. Só assim estaremos de pé para a retoma, que esperamos e desejamos possa acontecer no 2º semestre de 2022.”






