AHP: Reservas para o último trimestre abaixo de 2025, mas hotéis antecipam preços mais elevados

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As reservas hoteleiras para o último trimestre de 2026 estão abaixo dos níveis registados no período homólogo de 2025, mas as perspetivas para os preços médios continuam maioritariamente positivas. Esta é uma das principais conclusões do inquérito “Balanço Verão & Perspetivas Outono 2026”, apresentado esta segunda-feira, 19 de outubro, pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), que prevê um crescimento de 5% dos proveitos totais do alojamento turístico no conjunto do ano.

Segundo os resultados apresentados, 45% dos hoteleiros indicaram que as reservas para outubro estavam piores ou muito piores do que em 2025, enquanto 60% apontaram para preços médios melhores ou muito melhores. Em novembro, a percentagem de respostas negativas sobre as reservas sobe para 61%, embora 54% antecipem preços superiores. Para dezembro, 53% dos inquiridos reportaram reservas abaixo do ano anterior, enquanto 48% esperavam preços mais elevados.

Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHP, sublinhou que “este ciclo do last minute veio para ficar”, ressalvando que os resultados refletem as reservas existentes à data do inquérito, encerrado a 11 de outubro, e que poderão ainda sofrer alterações.

A Madeira e o Algarve destacam-se pelas expectativas positivas relativamente aos preços. Em novembro, 93% dos inquiridos na Madeira e 79% no Algarve antecipavam preços superiores aos de 2025. Para dezembro, as percentagens fixavam-se em 50% e 70%, respetivamente. Em contrapartida, a Grande Lisboa voltou a apresentar sinais de preocupação, com Cristina Siza Vieira a apontar para uma “certa perda de balanço” da região, que a associação já vinha a sinalizar.

Reino Unido perde relevância entre os mercados emissores

Portugal mantém-se entre os três principais mercados emissores para 77% dos hoteleiros inquiridos, ligeiramente abaixo dos 79% registados em 2025. O Reino Unido continua a destacar-se, mas perdeu importância relativa, passando de 56% para 48% dos inquiridos.

Cristina Siza Vieira manifestou preocupação com esta evolução, admitindo que a associação ainda não consegue determinar se resulta de uma alteração na perceção dos empresários ou de um efetivo abrandamento da procura britânica, já identificado durante o verão.

Em sentido contrário, a Alemanha reforçou a sua expressão, passando de 33% para 39%, tal como o Brasil, que subiu de 10% para 14%. Os Estados Unidos mantiveram-se nos 42%, enquanto o Canadá recuou de 7% para 3%. A responsável destacou que, “em contraciclo, o mercado alemão cresce de uma maneira bastante interessante”, associando também a evolução brasileira ao reforço das ligações aéreas.

Regionalmente, os Estados Unidos destacam-se na Grande Lisboa, onde são identificados por 77% dos inquiridos, enquanto o Reino Unido mantém uma posição dominante no Algarve (97%). Na Madeira, os principais mercados são a Alemanha (95%) e o Reino Unido (93%).

A Booking continua a ser o principal canal de distribuição da hotelaria, sendo identificada entre os três canais mais utilizados por 98% dos inquiridos, acima dos 96% registados em 2025. Cristina Siza Vieira reconheceu que a plataforma mantém “a fatia de leão” na distribuição, mas destacou o crescimento dos websites próprios, cuja importância relativa passou de 78% para 84%.

As agências de viagens também reforçaram a sua posição, de 35% para 39%, assim como a Expedia, de 40% para 43%. Em contrapartida, o contacto direto por email perdeu relevância.

A responsável explicou que os websites próprios assumem maior importância nos grupos hoteleiros, devido à sua capacidade de investimento em centrais de reservas, enquanto os hotéis independentes continuam a depender mais do contacto direto por email. Nos hotéis de cinco estrelas, os websites próprios são identificados como um dos principais canais por mais de 90% dos inquiridos.

A nível regional, as agências de viagens mantêm uma expressão significativa nos Açores e no Algarve, enquanto a Expedia se destaca na Grande Lisboa, onde é referida por 79% dos participantes, refletindo a importância do mercado norte-americano.

Custos operacionais e excesso de oferta entre as principais preocupações

A instabilidade económica e geopolítica continua a ser o principal risco identificado pelos hoteleiros, sendo referida por 61% dos inquiridos, abaixo dos 71% registados nas perspetivas para o verão. “Eu acho que é o novo normal, vivermos em instabilidade”, afirmou Cristina Siza Vieira.

Em contrapartida, aumentaram as preocupações com os custos da energia e dos combustíveis, apontados por 58% dos participantes, e com os custos operacionais, cuja expressão passou de 38% para 52%.

A perceção de excesso de oferta de alojamento turístico também cresceu significativamente, de 7% para 23%. Cristina Siza Vieira considera que esta evolução resulta sobretudo de uma “questão de perceção”, associada à divulgação de dados sobre os novos projetos hoteleiros previstos para Portugal.

Segundo os números da Lodging Econometrics citados pela responsável, Portugal tinha, no final do segundo trimestre de 2026, 115 projetos hoteleiros em desenvolvimento, correspondentes a mais de 14 mil quartos, o quinto maior pipeline da Europa. Lisboa concentra uma parte significativa destes investimentos.

A contenção do consumo turístico nos principais mercados emissores foi identificada como um risco por 22% dos participantes, acima dos anteriores 18%.

Apesar deste contexto, o índice médio de confiança dos hoteleiros no turismo nacional subiu de 6,9 pontos, em maio, para 7,1 pontos em outubro, numa escala de um a dez.

Para o conjunto de 2026, a AHP prevê que os proveitos totais do alojamento turístico atinjam 7,4 mil milhões de euros, um crescimento de 5% face ao ano anterior. As estimativas apontam ainda para receitas turísticas de 30 mil milhões de euros (+3%), 32,9 milhões de hóspedes (+1,5%) e 83,1 milhões de dormidas (+1,4%).

Cristina Siza Vieira ressalvou, contudo, que o crescimento das receitas deverá ser analisado tendo em conta o impacto da inflação, que absorverá uma parte significativa da evolução nominal dos resultados.

O inquérito da AHP decorreu entre 28 de setembro e 11 de outubro de 2026 e contou com respostas de 403 empreendimentos turísticos associados, num universo de 980 associados.

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