Quarta-feira, Outubro 5, 2022
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Alterações climáticas estão a redefinir as tendências de viagens. O inverno pode tornar-se no novo verão?

Este verão, os principais destinos turísticos europeus superaram recordes de temperatura, em alguns casos por margens bastante significativas. Os especialistas climáticos preveem que muitos países populares entre os turistas vão atingir temperaturas cada vez mais elevadas todos os verões, o que poderá forçar-nos a redefinir as tendências de viagens. Poderá a mudança climática significar que o inverno se torne no novo verão ou irão os turistas começar a visitar novos destinos onde o clima é mais suportável? Esta questão é colocada pelo fornecedor de informações de viagem Mabrian, que recolheu a opinião de seis especialistas.

Dois gráficos do Mabrian mostram que os turistas que visitaram França, Espanha e Grécia este ano não ficaram satisfeitos com a meteorologia mais quente, em comparação com 2021, mas no Reino Unido os visitantes ficaram satisfeitos com a subida de temperatura.

“Se alguém acha que o tempo mais quente é uma boa notícia para destinos de praia tradicionais, então deve pensar novamente. Durante a onda de calor deste verão na Europa, assistimos a uma clara queda nos níveis de satisfação dos visitantes durante as semanas mais quentes. O tempo é um dos fatores contextuais mais importantes para a indústria do turismo. Centenas de destinos de férias no Mediterrâneo e Norte de África têm tradicionalmente baseado o seu desenvolvimento turístico nas condições meteorológicas favoráveis. Mas isto está a mudar, e mais rapidamente do que pensávamos, o que provavelmente irá mudar as tendências globais das viagens nos próximos anos, por isso é melhor analisarmos os efeitos das alterações climáticas nas expectativas e preferências dos viajantes”, afirmou Carlos Cendra, diretor de vendas e marketing do fornecedor de informações de viagem Mabrian.

Matthew Chapman, CTO do fornecedor de tecnologia de reservas de viagens Vibe comentou: “Os agentes de viagens online e outros pontos de venda digitais para viagens devem considerar a adição de um filtro que permita às pessoas pesquisar por temperaturas médias nas datas que estão a pensar viajar. Da mesma forma, hotéis, fornecedores de experiências, talvez até companhias aéreas e aeroportos deveriam todos começar a considerar a possibilidade de preencher o seu conteúdo com informações sobre ar condicionado, áreas sombreadas, etc. e tornar esse conteúdo pesquisável e filtrável no processo de reserva.”

“De uma perspetiva de gestão de receitas para os hoteleiros, esta é uma mudança potencialmente enorme, uma vez que os preços das viagens de lazer foram definidos pela mesma abordagem de estação alta de verão desde o início do turismo de massas nos anos sessenta. Será necessária mais investigação sobre o impacto das temperaturas na procura por parte dos consumidores. Qual é a temperatura ideal para a fixação de preços máximos? Será afetada pela volatilidade temporária das temperaturas? Tudo isto terá também obviamente impacto na forma como os hoteleiros abordam a construção e a abertura de novas propriedades”, defendeu Alex Barros, diretor de marketing e inovação da Beonprice, plataforma de gestão de receitas e rentabilidade total para o setor hoteleiro.

Fabián Gonzalez, co-fundador da Forward MAD, um evento turístico de luxo que terá lugar em Madrid de 5 a 7 de outubro, comentou: “Os hotéis e resorts de luxo, e as experiências de luxo em geral, estão melhor posicionados para se adaptarem aos desafios das alterações climáticas, uma vez que têm os recursos necessários para investir no que é necessário – edifícios com melhor controlo climático, transferes com ar condicionado, etc. – e têm clientes mais exigentes em termos de expectativas de sustentabilidade, que estão preparados para pagar por isso. Isto contrasta com os fornecedores de turismo de massas com margens baixas, onde tais custos seriam a diferença entre o lucro e o prejuízo. Além disso, vai haver uma mudança no sentido dos turistas distribuírem as suas férias ao longo de todo o ano, em vez de viajarem só no verão, o que poderá ser positivo para muitos hotéis de luxo boutique e de menor dimensão que têm apenas um número limitado de quartos – permitindo-lhes preenchê-los nos meses normalmente mais calmos. De qualquer modo, os viajantes com despesas normalmente mais elevadas são mais flexíveis em termos de datas de férias”.

“Hotéis e resorts em locais mais quentes terão de repensar as suas áreas de relaxamento ao ar livre, talvez pondo um fim às piscinas ‘externas’ ou, no mínimo, colocando algum tipo de cobertura por cima. Os campos de golfe, que são um atrativo popular para locais quentes, também serão impactados, de facto, bastante fortemente, uma vez que não se pode cobrir um campo de golfe por inteiro e será necessária mais rega numa altura em que a água se torna cada vez mais escassa. À noite, ou pelo menos de manhã cedo, os “tee-offs” serão mais procurados. A tecnologia será central em todas estas mudanças, quer seja através de aplicações que permitam aos hóspedes programar melhor aqueles preciosos momentos frescos, software de preços que maximize as receitas com base na temperatura, ou pulseiras eletrónicas que permitam aos hóspedes o acesso a certos locais em certos momentos, com base na procura. Basicamente, os hotéis já podem começar a otimizar as receitas para as atividades com base na hora do dia, onde a procura irá aumentar e melhorar a gestão de receitas das tarifas”, mencionou Bruno Martins, diretor sénior de produto do fornecedor global de tecnologia hoteleira Shiji Group.

Janis Dzenis, diretora de relações públicas do site de comparação de preços de voos WayAway é da opinião que: “Para muitos viajantes americanos que vão para a Europa, o verão ainda tem tudo a ver com a região mediterrânica e isso pode demorar muito tempo a mudar, por muito quente que o clima esteja. No entanto, a curto prazo, esta subida de temperatura em todo o mundo está a conduzir a uma maior consciência ecológica entre os viajantes. No futuro, vão querer saber o que é que os destinos e os hotéis estão a fazer para combater as alterações climáticas e aqueles que não tiverem uma resposta convincente vão gradualmente tornar-se irrelevantes.”

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