A Amazing Evolution fechou 2025 com 33 projetos em operação e 17 em desenvolvimento. Para este ano, a empresa planeia elevar o portfólio para 40 unidades e tem cinco aberturas previstas, com destaque para um projeto em Braga com a assinatura de uma marca de luxo do InterContinental Hotels Group (IHG), revelou Pedro Roquette, strategy & new business manager, em entrevista ao TNews.
A Amazing Evolution prepara um conjunto de cinco aberturas este ano, distribuídas por várias regiões do país. Entre os projetos previstos está um novo hotel em Braga com chancela internacional. “Ainda não podemos divulgar a marca em si, mas é um hotel do grupo InterContinental e vai ser uma marca no segmento de luxo”, adianta Pedro Roquette. “A data de abertura ainda não está 100% alinhada, mas será mais ou menos na altura do verão ou pós-verão”.
Entre as marcas de luxo do grupo IHG estão a InterContinental Hotels & Resorts, Kimpton, Six Senses, Regent e Vignette Collection.
O projeto terá cerca de “60 chaves” e assinala o regresso da empresa a parcerias com marcas internacionais. Pedro Roquette recorda que “no passado já tivemos vários projetos com marcas internacionais”, nomeadamente os dois primeiros projetos da empresa, o Conrad Algarve e o Hilton Vilamoura, mas sublinha que esta nova unidade será “outra vez a primeira com marca internacional” no atual portfólio.
As aberturas previstas refletem também a diversidade de escalas dos hotéis sob gestão da empresa. “Todos estes projetos variam muito em termos de chaves”, refere o responsável, apontando exemplos que vão “desde dez chaves, como a Herdade dos Moreiros, no Alentejo”, até unidades de maior dimensão como o Nomad Bay Algarve, que contará com 69 apartamentos.
No Alentejo está ainda previsto um segundo projeto de menor dimensão: o Hotel Aivado, em Évora, com 17 quartos. Já nos Açores, a empresa planeia inaugurar o The Book Hotel, com 15 quartos, na ilha do Faial.
O pipeline surge num contexto em que a Amazing Evolution tem vindo a registar um aumento de oportunidades no mercado. Pedro Roquette afirma que os primeiros meses do ano têm sido “muito interessantes”, com “várias leads de projetos a aparecer”, destacando que, ao contrário de 2025 — quando surgiram sobretudo projetos de menor escala — agora têm surgido “projetos de maior dimensão para nossa surpresa”.
Entre essas oportunidades estão dois projetos já em fase avançada de negociação. Segundo o responsável, a empresa encontra-se “a finalizar o contrato de gestão” de duas unidades de grande dimensão que “já estão abertas no mercado há alguns anos, mas que vão mudar de entidade gestora”, sendo que uma delas poderá representar a estreia da Amazing Evolution no Porto.
Neste contexto, a Amazing Evolution antecipa um novo salto no número de unidades sob gestão. Como resume Pedro Roquette, “2026 vai ser um ano de grande crescimento, passando de 33 projetos [em operação] para 40 até ao final do ano”.
Braga: “Ainda não podemos divulgar a marca em si, mas é um hotel do grupo InterContinental no segmento de luxo. A data de abertura ainda não está 100% alinhada, mas vai ser mais ou menos na altura do verão ou pós-verão”
2025 marcado por crescimento do portfólio e reforço no Norte
“2025 foi um ano em que o nosso portfólio cresceu bastante”, afirma Pedro Roquette, sublinhando que a empresa terminou o ano “com 33 projetos em operação e 17 em desenvolvimento”.
Ao longo do ano, a empresa registou “cerca de quatro aberturas”, entre as quais destaca a reabertura da Casa da Calçada. O responsável salienta que se trata de “um hotel icónico de Amarante”, que esteve encerrado durante dois anos para obras e regressou agora ao mercado, estando integrado na rede Relais & Châteaux.
Entre os momentos mais relevantes do ano esteve ainda a inauguração do escritório no Porto. “A Amazing Evolution tem uma grande presença no Sul de Portugal — Alentejo e Algarve — e na zona de Lisboa, mas faltava crescer no Norte”, refere.
Para Pedro Roquette, a decisão revelou-se acertada, uma vez que desde a abertura do novo escritório a empresa começou a receber “mais leads no Porto”, algo que “não acontecia no passado”. Atualmente, a sede mantém-se em Lisboa, mas a empresa conta já com “mais de dez pessoas” na equipa do escritório do Porto.
“2026 vai ser um ano de grande crescimento, passando de 33 projetos [em operação] para 40 até ao final do ano”
Porto e Madeira no radar da estratégia de expansão
A diversidade de projetos continua a ser uma das características da estratégia da empresa. Como explica Pedro Roquette, os projetos geridos pela Amazing Evolution “não seguem standards claros”, uma vez que a empresa não se limita a um único tipo de produto. “Não fazemos só resorts e não fazemos só hotéis urbanos; fazemos um mix”, afirma.
No processo de seleção de novas unidades, a Amazing Evolution adota uma abordagem flexível. Pedro Roquette sublinha que a empresa “não está a apostar num segmento em específico” e trabalha com “projetos muito diferenciados”.
No entanto, existe uma preferência crescente por unidades de maior dimensão. Segundo o responsável, o objetivo passa por “ter projetos de maior dimensão, superiores a 30 chaves”. Essa estratégia está também ligada à falta de mão-de-obra no setor. Nos projetos mais pequenos, explica, é necessário encontrar equipas “mais multidisciplinares, algo que é difícil com a escassez de pessoas para trabalhar na hotelaria neste momento”.
Outro fator “fundamental” na escolha dos projetos é a relação com os proprietários. Segundo Pedro Roquette, são “parcerias de longo prazo”, com contratos normalmente de cinco anos que acabam muitas vezes por se prolongar por mais cinco, havendo projetos que a empresa acompanha “há mais de dez anos”.
“Duas zonas que estão no nosso radar são o Porto e a Madeira”
Também a localização não é um fator determinante. O portfólio inclui unidades de diferentes dimensões e regiões, “desde dez quartos a projetos de 300 quartos”, distribuídos por zonas como Alentejo, Algarve, Lisboa ou Braga, bem como “a Ilha Graciosa, que é bastante remota”.
Ainda assim, há duas regiões que “estão no radar” da Amazing Evolution: Porto e Madeira. No caso da Madeira, o interesse está ligado ao desempenho do destino, que foi “a zona com mais ocupação em Portugal” no último ano. A empresa já opera na região o Zino’s Palace, uma unidade de pequena dimensão que, segundo o responsável, “tem muito sucesso”.
Já no Porto, a empresa poderá estar próxima de concretizar o primeiro projeto. De acordo com Pedro Roquette, existe atualmente “uma lead que estamos prestes a fechar”, o que poderá representar a entrada da empresa no mercado da cidade, reforçando a presença no Norte, onde já existem projetos em Braga e desenvolvimentos previstos para o Douro, Aveiro e zonas próximas da Serra da Estrela.
Quanto à internacionalização, o tema continua em análise, mas não é uma prioridade imediata. Pedro Roquette admite que poderá acontecer “talvez a médio e longo prazo”, embora a curto prazo a empresa esteja focada em consolidar o crescimento em Portugal. “Para nós é um passo que ainda não é óbvio. Já foi discutido internamente e dar esse passo seria primeiro talvez para a Espanha ou para países de língua portuguesa”, acrescenta.
Além disto, o modelo de negócio da empresa vai manter-se centrado exclusivamente na gestão hoteleira. “A única forma de sermos independentes é fazermos apenas gestão. Se começarmos a fazer arrendamentos ou se começarmos a adquirir projetos no mercado, vamos, de certa maneira, priorizar esses projetos face aos projetos de gestão e isso é algo que não queremos que aconteça”, justifica.



