A Blastness, empresa tecnológica especializada em distribuição hoteleira e recentemente distinguida nos HotelTechAwards 2026 como o “melhor sistema de reservas hoteleiras do mundo”, quer replicar em Portugal o modelo implementado em Itália, onde as reservas diretas dos seus clientes já igualaram o volume da Booking.com.
A ambição foi revelada por Carla Costa, diretora da Blastness Iberia, numa entrevista ao TNews a propósito do evento de formação que a empresa organiza esta quinta-feira, dia 21, no Lumen Hotel, em Lisboa.
“Queremos replicar aqui o que fizemos em Itália, onde as reservas diretas dos nossos clientes já igualaram o volume da Booking.com”, afirma Carla Costa.
O evento, dirigido a hoteleiros portugueses, irá centrar-se nos desafios da distribuição online, da visibilidade nos motores de pesquisa e metasearch e na utilização de dados e inteligência artificial para reforçar o canal direto. “É uma oportunidade fantástica para os hoteleiros portugueses, porque perceber como aproveitar estrategicamente a visibilidade nos resultados de pesquisa e nos metasearch, onde os hóspedes pesquisam, comparam e reservam, é absolutamente essencial”, refere a responsável.
Segundo Carla Costa, o encontro vai abordar temas como a maximização da visibilidade nos metasearch, a forma de competir com as OTAs e a utilização de tecnologia para decisões de distribuição mais inteligentes.
“Mais do que tudo, quero que seja um dia prático. Insights reais, ferramentas reais, conversas reais. Queremos criar um ambiente próximo, com conversas abertas entre colegas do setor sobre os temas que fazem parte do nosso dia a dia”, acrescenta.
Recentemente distinguida nos HotelTechAwards 2026 como o “melhor sistema de reservas hoteleiras do mundo”, a Blastness considera que este reconhecimento representa “muito mais do que um prémio”. “É um reflexo direto da confiança que os nossos clientes depositam em nós diariamente”, afirma.
A empresa entrou em Portugal no ano passado e posiciona-se atualmente no mercado ibérico “como uma empresa em fase de crescimento”, com operação sediada em Lisboa, que funciona como hub regional.
“A nossa entrada em Portugal aconteceu o ano passado, impulsionada pelo forte crescimento do setor hoteleiro português”, explica Carla Costa, acrescentando que a empresa chegou ao mercado nacional com “uma proposta diferenciadora”.
A empresa pretende crescer em número de clientes, reforçar a equipa local e contribuir para “a digitalização e competitividade do setor hoteleiro português, em linha com os objetivos do Portugal 2030”.
Segundo Carla Costa, a proposta da Blastness diferencia-se por combinar tecnologia integrada com acompanhamento estratégico. “Não somos apenas um fornecedor de tecnologia, somos um parceiro estratégico dos hotéis. Isso reflete-se no nosso modelo de negócio, que inclui soluções de parceria personalizadas onde investimos no crescimento digital dos nossos clientes, com retorno claro do investimento”, sublinha.
A responsável destaca que uma das principais mais-valias da empresa está na integração de ferramentas como CRS, RMS, marketing digital e inteligência artificial num único ecossistema tecnológico. Entre as soluções apontadas como mais inovadoras está o CRM/CRO da empresa, que utiliza inteligência artificial para responder automaticamente a pedidos de reserva em tempo real.
“Com os prompts certos, a IA responde de forma autónoma a pedidos de reserva, em tempo real, sem intervenção humana. Cria um mini-website apelativo para o hóspede. Para um hoteleiro, isto é transformador. É como ter um assistente disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, capaz de qualificar e converter pedidos de reserva com um nível de precisão e personalização que antes exigia uma equipa dedicada”, explica.
No entanto, na opinião de Carla Costa, o que diferencia a tecnologia e a abordagem da Blastness face a outras soluções de distribuição “é a camada estratégica por cima da tecnologia. Não entregamos uma plataforma e deixamos os hotéis a descobrir como usá-la. Trabalhamos ao lado deles, analisamos a sua performance, definimos objetivos de crescimento em conjunto. Esse modelo de parceria é algo que não vi muitos concorrentes oferecer da mesma forma”.
“Não somos apenas um fornecedor de tecnologia, somos um parceiro estratégico dos hotéis. Isso reflete-se no nosso modelo de negócio, que inclui soluções de parceria personalizadas onde investimos no crescimento digital dos nossos clientes, com retorno claro do investimento”
Dependência das OTAs continua a ser o principal desafio
Para Carla Costa, a dependência das OTAs continua a ser “sem dúvida” o maior desafio dos hotéis independentes no online. “Tendo passado anos do outro lado da mesa, sei bem o poder que essas plataformas têm e o quão difícil é competir com elas”, admite.
Segundo a responsável, muitos hotéis “não têm os recursos internos nem a tecnologia certa para construir um canal direto forte” e acabam por pagar “comissões que corroem as margens, ano após ano”.
Ainda assim, garante que o cenário está a mudar. “Os hotéis que investem nas ferramentas certas e na estratégia certa já estão a ver as suas reservas diretas crescer de forma significativa. Não é fácil, mas é possível”, afirma.
A responsável considera que reforçar o canal direto exige uma combinação de estratégia comercial, equipas alinhadas e investimento tecnológico. “Não há fórmula mágica, mas há um caminho claro. Esse caminho começa muito antes da tecnologia, começa na estratégia comercial e de distribuição de cada hotel. Cada propriedade é diferente. Tem um mix de canais próprio, um perfil de cliente específico, e a estratégia tem de refletir isso”, aponta.
“É fundamental garantir as melhores condições no website. Melhor preço, benefícios exclusivos e flexibilidade, para que o hóspede tenha uma razão clara para reservar diretamente. Isto não pode ficar só na tecnologia. As equipas que têm contacto com o cliente têm de estar completamente alinhadas e comprometidas com este objetivo. Desde a receção às reservas, todos têm de trabalhar no mesmo sentido”, refere.
Carla Costa sublinha também a importância das campanhas de publicidade online e metasearch, geridas com apoio de inteligência artificial.
“Através de estratégias orientadas por dados e sistemas de bidding automatizado baseados em inteligência artificial, a Blastness consegue otimizar orçamentos, keywords e investimentos em tempo real, maximizando o retorno e reduzindo a dependência das OTAs”, afirma.
Segundo a responsável, já houve hotéis clientes da empresa onde “as reservas diretas cresceram mais de 100% em poucos anos”.
Inteligência artificial “já faz parte do ADN” da empresa
A inteligência artificial é outro dos temas centrais da estratégia da Blastness. Carla Costa afirma que a IA “não é uma tendência que estamos a seguir — já faz parte do nosso ADN há vários anos”.
Um dos exemplos apresentados é o AIBE (Artificial Intelligence Booking Engine), desenvolvido para aumentar as reservas diretas e melhorar a conversão online. “O AIBE utiliza inteligência artificial para analisar, em tempo real, o comportamento e as pesquisas dos utilizadores, propondo as soluções mais relevantes e personalizadas com base na probabilidade de escolha”, explica.
O objetivo, acrescenta, passa por criar “tornar todo o processo de reserva mais fluido, intuitivo e eficaz, através de uma experiência mobile-first inspirada nos melhores e-commerce. Graças a funcionalidades avançadas, conteúdos personalizados e um percurso de compra otimizado, o AIBE ajuda os hotéis a reduzir o abandono e a reforçar o canal direto”.
A empresa desenvolveu igualmente um AI Chatbot que acompanha o hóspede ao longo da jornada digital, responde a dúvidas e ajuda os hotéis a captar oportunidades de reserva. “É uma ferramenta que trabalha 24 horas por dia e que melhora continuamente com base nas interações”, refere.
A inteligência artificial está também presente na gestão de campanhas SEM e Metasearch. “É uma área onde a IA faz uma diferença enorme e que muitas vezes é subestimada”, defende. “O nosso sistema gere automaticamente as campanhas com base em dados em tempo real, ajustando lances, orçamentos e segmentação para maximizar o retorno. Isto significa que os hotéis estão sempre a competir de forma inteligente, sem desperdiçar investimento”, exemplifica.
Por fim, a IA é igualmente fundamental na otimização de receitas. “O nosso RMS e as soluções de market intelligence ajudam os hotéis a interpretar melhor os padrões de procura e as tendências de mercado, permitindo decisões de pricing e distribuição mais inteligentes”, conclui..
Portugal “num momento muito interessante”
Sobre a evolução do mercado, Carla Costa considera que a distribuição hoteleira está a mudar rapidamente em Portugal e na Europa.
“A crescente importância do canal direto” e o impacto da inteligência artificial são, na sua opinião, duas das principais tendências atuais.
“A jornada do hóspede é cada vez mais complexa. As pessoas pesquisam em múltiplas plataformas antes de reservar, e os hotéis precisam de estar presentes e competitivos em cada ponto de contacto”, afirma.
Em Portugal especificamente, “estamos num momento muito interessante”. A diretora da Blastness Iberia conisidera que o “mercado amadureceu muito, os hoteleiros são mais sofisticados, e há uma vontade real de adotar tecnologia que entrega resultados. Este é um dos motivos que nos fez vir para Portugal”.
“Os viajantes de hoje também procuram autenticidade. Querem sentir que estão a reservar algo único, algo que corresponde a quem são. É por isso que a personalização é tão poderosa. Não é um extra, é o que converte quem navega em quem reserva”
Quanto ao consumidor, a responsável diz que os viajantes procuram hoje “rapidez, simplicidade e relevância”.
“Se o website demora a carregar, saem. Se o processo de reserva é complicado, vão para a Booking.com. Se o conteúdo parece genérico, não se sentem inspirados a reservar diretamente”, alerta. Além do lado funcional, os viajantes de hoje também procuram “autenticidade”. “Querem sentir que estão a reservar algo único, algo que corresponde a quem são. É por isso que a personalização é tão poderosa. Não é um extra, é o que converte quem navega em quem reserva”, complementa.
Carla Costa acredita ainda que a personalização se tornou essencial para aumentar conversões e fidelização.
“A personalização deixou de ser um diferencial, é uma expectativa”, afirma, acrescentando que “os hóspedes de hoje estão habituados a experiências digitais altamente personalizadas noutros setores. Quando chegam ao website de um hotel e encontram algo genérico, sentem-no imediatamente”. “O que vejo na prática é que quando um hotel consegue personalizar a comunicação, as ofertas e a jornada de reserva de acordo com o perfil e o comportamento do hóspede, as taxas de conversão melhoram de forma significativa. E não estou a falar só de conversão imediata, estou a falar de fidelização a longo prazo. Um hóspede que sente que o hotel o conhece e lhe fala diretamente tem muito mais probabilidade de voltar a reservar pelo canal direto”.
Questionada sobre as expectativas que tem para o mercado português nos próximos anos, Carla Costa revela-se “bastante otimista”, uma vez que “Portugal consolidou-se como um dos destinos turísticos mais atrativos da Europa e isso não vai mudar”. Por essa razão, a responsável espera “ver um crescimento contínuo mas também uma sofisticação crescente na forma como os hotéis gerem esse crescimento” e considera que “os dias de simplesmente encher quartos estão a acabar. O foco agora é encher os quartos certos, ao preço certo, pelos canais certos”.




