Sábado, Fevereiro 14, 2026
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Boost 2026: “O fator humano será, e já é, o mais disruptivo e transformador nas experiências”

Roberto Antunes, diretor executivo do NEST – Centro de Inovação de Turismo, destacou o atual momento de crescimento do turismo, acompanhado pela emergência de tecnologias disruptivas que estão a moldar o futuro do setor, sem deixar de sublinhar que “nem tudo é sobre o digital e uma boa parte é sobre pessoas”, durante a sessão de abertura do Boost 2026, que decorre esta sexta-feira, no Pavilhão de Portugal, em Lisboa, sob o tema “Seizing the Future”.

Naquele que considerou um local “tão simbólico para os portugueses”, Roberto Antunes sublinhou que “nada melhor do que falar sobre o futuro do turismo no Pavilhão de Portugal”, assinalando o percurso do evento desde a primeira edição, em 2023, em Matosinhos, passando pelo Porto e Estoril, até chegar agora a Lisboa. Segundo o responsável, o tema desta edição visa “aprofundar o que é esse futuro, entendê-lo, conhecê-lo e, na medida em que o conhecemos, perceber o que são esses caminhos”.

O diretor executivo enquadrou o momento atual do turismo como uma fase de consolidação após a pandemia, lembrando que “quando trabalhamos o valor em turismo, nós crescemos”. De acordo com Roberto Antunes, 2025 marcou “um ano de superação”, com a “curva de crescimento projetada para este momento já atingida a nível mundial, inclusivamente em Portugal”.

Para 2026, as perspetivas apontam para cerca de “50 mil milhões de receita e um crescimento próximo de 6%”, reforçando a ideia de que “o turismo tem provado que é um motor para a economia e para a sociedade”.

Esse crescimento, frisou, tem sido sustentado numa estratégia focada na qualidade e na experiência. “Tem sido uma estratégia de valor, em trabalharmos a qualidade da oferta do serviço, em trabalharmos uma experiência cada vez mais imersiva e que faça jus aos ativos, às pessoas, às paisagens”, afirmou, acrescentando que a coesão territorial e a satisfação dos residentes são fatores “fundamentais” para a consolidação do setor em 2026 e nos anos seguintes.

Reconhecendo o contexto de incerteza global, Roberto Antunes alertou para desafios como a mobilidade, a inflação e a escassez de talento, admitindo que “há muita coisa que não conseguimos atuar diretamente”. Ainda assim, defendeu que o setor deve concentrar-se no essencial: “vamos focar-nos naquilo que é importante, que é o futuro”, construído com base na sustentabilidade, na melhoria das condições de vida e na valorização da cultura e dos saberes locais.

A tecnologia, em particular a inteligência artificial (IA), foi outro dos temas centrais da intervenção. Para o responsável do NEST, “a utilização da IA generativa está aqui e temos de saber utilizá-la a nosso favor”, apontando o adjuncting como a próxima grande transformação, que considera ser “muito transformadora para os processos e para os serviços do turismo com enormes vantagens”. Nesse contexto, explicou como agentes sintéticos poderão, num futuro próximo, gerir viagens completas de forma automatizada, desde o planeamento à reserva.

Para ilustrar esse impacto, Roberto Antunes apresentou um cenário concreto de utilização de agentes sintéticos, explicando que será possível “trabalhar com o meu agente, dar conta de tudo aquilo que pretendo e do budget que tenho para a minha viagem”. A partir dessa informação, o agente digital poderá aceder aos meios de pagamento do utilizador e “entrar em conexão com a agência de viagens”, articulando-se automaticamente com outros agentes dos hotéis, das experiências e da mobilidade. O resultado será que, “sem nenhuma intervenção humana”, o viajante terá “no espaço de poucos minutos toda uma solução preparada e otimizada com a possibilidade de fazer imediatamente a aquisição e a reserva”.

Segundo o responsável, esta lógica estende-se desde as viagens e hotelaria à restauração, uma vez que os sistemas poderão analisar “os nossos espaços de reserva nos restaurantes e os horários onde existe disponibilidade”, evitando que pessoas percam tempo em tarefas de verificação manual. “Isto vai trazer, de facto, uma grande transformação na operação”, afirmou, sublinhando os ganhos de eficiência e de otimização dos recursos.

Ainda assim, Roberto Antunes fez questão de sublinhar que nem tudo se resume à tecnologia. “Nem tudo é sobre os dados, nem tudo é sobre o digital, e uma boa parte é sobre pessoas”, afirmou. “O fator humano será de facto, e já é, o mais disruptivo e transformador nas experiências”, defendendo que o crescimento em valor do turismo deve passar por tornar cada visita ao país “inesquecível” através do contacto humano.

A 4.ª edição do Boost, promovida pelo NEST – Centro de Inovação de Turismo, decorre esta sexta-feira, 16 de janeiro, no Pavilhão de Portugal, em Lisboa. O evento reúne profissionais nacionais e internacionais do setor para debater o futuro do turismo sob o tema “Seizing the Future”, com foco em tecnologia, sustentabilidade, cultura e talento.

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