A Comissão Europeia reviu em alta as previsões para a economia portuguesa este ano e manteve a projeção para o próximo, prevendo um crescimento de 1,9% em 2025 e 2,2% em 2026, numa avaliação que destaca o “ritmo acelerado” do turismo doméstico num contexto de abrandamento da procura externa.
Nas previsões económicas de outono, divulgadas esta segunda-feira, 17 de novembro, a Comissão Europeia indica que “a procura interna deverá continuar a impulsionar o crescimento económico em Portugal, apesar da incerteza no comércio global”.
Bruxelas continua, no entanto, mais prudente do que o Governo português, que inscreveu no Orçamento do Estado para 2026 um crescimento de 2% este ano e de 2,3% no próximo.
A revisão em alta segue-se aos dados preliminares do terceiro trimestre de 2025, período em que a economia avançou 0,8%, influenciada pelo bónus das pensões e pelo ajuste das tabelas de retenção de IRS pago em agosto e setembro — medidas que “estimularam a procura do consumidor”.
“O consumo privado também beneficiou de um aumento constante no emprego e nos salários, juntamente com taxas de juros mais baixas em empréstimos para famílias”, indica o organismo europeu, acrescentando que o investimento “apresentou um forte crescimento, refletindo uma recuperação acentuada no setor da construção civil no segundo trimestre de 2025”.
Por outro lado, as exportações perderam força substancialmente devido às tensões e incertezas do comércio global e “o turismo estrangeiro desacelerou após vários anos de forte desempenho”. No entanto, destaca Bruxelas, “o turismo doméstico continuou a crescer num ritmo acelerado”.
Para os próximos anos, a Comissão Europeia espera que o consumo privado continue a crescer a um ritmo constante, apoiado no aumento do rendimento das famílias e na diminuição gradual da taxa de poupança.
“Espera-se que o investimento cresça ainda mais rápido do que o consumo privado em 2025 e 2026, quando o uso de fundos do Plano de Recuperação e Resiliência atingir o seu pico”, lê-se nas previsões divulgadas esta segunda-feira.
Já as importações deverão continuar a registar um crescimento superior ao das exportações, embora “a diferença de crescimento deva diminuir a partir de 2026”, conclui Bruxelas.






