Segunda-feira, Março 9, 2026
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BTL: 37 anos a projetar Portugal no mundo e a consolidar o futuro do turismo

“A próxima edição insere-se num quadro de consolidação do turismo como setor-chave da economia nacional, exigindo inovação contínua, sustentabilidade e reforço da competitividade externa”

Iniciada em 1989, a Bolsa de Turismo de Lisboa conta já com 37 anos de existência, afirmando-se como um dos mais relevantes instrumentos de promoção, articulação institucional e projeção internacional do turismo português. A sua criação representou um momento estruturante na organização estratégica do setor, num período em que Portugal consolidava a sua integração europeia e procurava afirmar-se como destino competitivo no espaço internacional.

A génese da BTL resultou de uma visão partilhada entre entidades públicas e privadas que compreenderam a necessidade de criar uma plataforma agregadora, representativa e institucionalmente robusta. O Instituto de Promoção Turística desempenhou um papel central na articulação da feira com a estratégia externa de promoção do destino Portugal, conferindo-lhe desde o início uma vocação internacional. A Direção-Geral de Turismo assegurou o enquadramento institucional e a coerência com as políticas públicas do setor. As então Regiões de Turismo, antecessoras das atuais Entidades Regionais de Turismo e Agências de Promoção Turística, garantiram a representação territorial, permitindo que a diversidade geográfica, cultural e económica do país estivesse devidamente refletida.

A participação das principais associações empresariais conferiu representatividade e massa crítica ao projeto. A APAVT mobilizou as agências de viagens e operadores turísticos; a AHP assegurou a presença estruturada da hotelaria; a AHRESP representou a restauração e atividades complementares; e a ARAC – Associação Nacional dos Locadores de Veículos – afirmou institucionalmente a importância estratégica da mobilidade no contexto da experiência turística.

A intervenção da ARAC reveste particular significado. Ao representar o setor do aluguer de veículos, a associação contribuiu para afirmar o rent-a-car como elemento estruturante da cadeia de valor do turismo. A mobilidade não constitui um serviço acessório, mas antes um fator determinante na autonomia do visitante, na dispersão territorial da procura e na valorização de destinos de menor densidade. Ao longo das décadas, a ARAC tem assumido funções de interlocução institucional, defesa dos interesses do setor e promoção de boas práticas, designadamente em matérias de enquadramento regulatório, fiscalidade automóvel, sustentabilidade ambiental e transição energética das frotas.

A evolução da BTL ao longo destes 37 anos acompanha a própria transformação do turismo português. De uma feira predominantemente nacional, passou a afirmar-se como referência no contexto ibérico, com forte presença internacional, programas estruturados de compradores, agendas B2B organizadas e espaços dedicados à inovação, tecnologia, sustentabilidade e mobilidade. Sob a designação BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market, consolidou-se como plataforma estratégica de negócio, reflexão e diplomacia económica.

A feira não é apenas um espaço de exposição; é um fórum de debate sobre os grandes desafios do setor. Temas como digitalização, inteligência artificial aplicada ao turismo, qualificação de recursos humanos, transição energética e competitividade internacional dos destinos integram hoje a sua agenda central. Esta dimensão estratégica reforça o seu papel enquanto instrumento de alinhamento entre políticas públicas e dinâmica empresarial.

Paralelamente, a BTL mantém uma dimensão aberta ao público que assume relevância crescente. A proximidade entre empresas, destinos e consumidores promove transparência, informação qualificada e literacia turística. O visitante pode comparar ofertas, dialogar diretamente com operadores, esclarecer dúvidas e planear viagens de forma fundamentada. Frequentemente, são disponibilizadas condições promocionais específicas, reforçando o dinamismo do mercado interno. A feira transforma-se, assim, num espaço de descoberta, inspiração e participação ativa do consumidor na construção da sua experiência turística.

Para o setor da mobilidade, esta interação é particularmente relevante. O contacto direto com o público permite explicar o papel do aluguer de veículos na experiência de viagem, apresentar soluções tecnológicas inovadoras, demonstrar a evolução das frotas — incluindo a crescente eletrificação — e reforçar a imagem de responsabilidade ambiental e profissionalismo do setor. A integração da mobilidade nas estratégias de promoção turística revela-se essencial num contexto em que a sustentabilidade e a eficiência energética assumem centralidade.

Olhando para 2026, a BTL prepara-se para reforçar ainda mais a sua dimensão internacional e estratégica. A próxima edição insere-se num quadro de consolidação do turismo como setor-chave da economia nacional, exigindo inovação contínua, sustentabilidade e reforço da competitividade externa. Prevê-se o aprofundamento dos programas de compradores internacionais, a ampliação de áreas temáticas ligadas à tecnologia e à transição energética, bem como o fortalecimento da presença institucional de entidades públicas e associações empresariais.

Num contexto internacional marcado por maior exigência regulatória, metas ambientais mais ambiciosas e crescente digitalização dos processos de promoção e comercialização turística, a BTL tenderá a assumir uma função ainda mais estratégica como espaço de coordenação institucional e alinhamento setorial. A feira consolidar-se-á como plataforma privilegiada para a apresentação de políticas públicas, estratégias regionais e compromissos empresariais em matéria de sustentabilidade, inovação e qualificação, reforçando simultaneamente a articulação entre promoção externa, investimento e mobilidade turística.

Assim, a trajetória iniciada em 1989 projeta-se de forma consistente para 2026 e para o futuro. A BTL permanece como ativo estratégico da política turística nacional, instrumento de cooperação público-privada e símbolo da maturidade institucional do setor. A sua longevidade — já com 37 anos de história — não representa apenas continuidade temporal, mas sim solidez, capacidade de adaptação e compromisso permanente com a afirmação de Portugal no panorama turístico internacional.

Por Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da ARAC

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