Sábado, Novembro 26, 2022
Sábado, Novembro 26, 2022

SIGA-NOS:

Câmara de Lisboa deve “fazer um trabalho de descentralização” para combater o excesso de turismo na capital

Francisco Moser esteve presente na conferência da Universidade Europeia “New Tourism – Challenges and Opportunities”, no passado dia 17 de outubro. Durante o painel “As tendências do turismo e o papel dos novos intervenientes do setor”, o Head of Hospitality da Norfin falou sobre as novas tendências do turismo, destacando o crescimento do trabalho remoto e da tecnologia, que vieram alterar o design dos hotéis. Francisco Moser também abordou a questão do excesso de turismo em Lisboa, defendendo que “ainda existe espaço em Lisboa para atividade turística e investimento no turismo”, mas que a Câmara Municipal de Lisboa deve “fazer um trabalho de descentralização do próprio turismo”.

“Eu sou hoteleiro há 35 anos (…) mas recentemente abracei um novo desafio profissional um bocadinho fora do arquétipo da hotelaria tradicional e fui trabalhar para uma empresa de ‘real state’, que faz ‘development’ e gestão de portfólios de ‘real state’, e que às tantas percebeu que o turismo era uma evolução natural dos investimentos em ‘real state’, em imobiliário puro”, contou Francisco Moser, defendendo que há cada vez mais proximidade entre o imobiliário e a hotelaria. “Hoje em dia nascem condomínios que têm um ‘kids club’, que têm um spa e espaços para as pessoas fazerem yoga, ou exploração de restauração”, exemplificou, “ou os ‘service apartments’, apartamentos que têm serviço hoteleiro”.

Quando questionado se existe excesso de turismo na capital, Francisco Moser relembrou que o turismo e a hotelaria são a base fundamental da economia do país. “Durante muito tempo, o investimento em hotelaria em Portugal foi muito lento, devido à falta de apoios e devido fundamentalmente à falta de empresários no setor, e havia muitas oportunidades de desenvolvimento mas não havia ainda uma dinâmica de investimento grande”. O Head of Hospitality do grupo Norfim explicou que “com a entrada de algum capital estrangeiro em que vieram grandes grupos internacionais, grandes cadeias, os empresários portugueses também começaram a perceber que havia oportunidades significativas de desenvolvimento”.

Conferência da Universidade Europeia “New Tourism – Challenges and Opportunities”, durante o painel “As tendências do turismo e o papel dos novos intervenientes do setor”, que contou com a presença de Elmar Derkitsch, do Lisbon Marriot Hotel; Gonçalo Castel-Branco, mentor do projeto The Presidential; e Francisco Moser, Head of Hospitality da Norfin.

Antigamente, Lisboa era uma cidade “moribunda, perigosa, e em que nada funcionava, o retalho não funcionava, os prédios estavam a cair de podres e havia meia dúzia de bancos (…). Hoje em dia, temos uma cidade pujante, vibrante, que tem uma dinâmica impressionante”.

“Ainda existe espaço em Lisboa para atividade turística e investimento no turismo”

Francisco Moser concorda em parte que existe excesso de turismo em Lisboa, mas relembra que no passado Lisboa era uma cidade “moribunda, perigosa, e em que nada funcionava, o retalho não funcionava, os prédios estavam a cair de podres e havia meia dúzia de bancos”. Hoje em dia, observamos uma cidade “pujante, vibrante, que tem uma dinâmica impressionante”, defendeu, relembrando que existem consequências derivadas do aumento de turismo em Lisboa, entre elas o afastamento dos habitantes da cidade para a periferia, o que, segundo Francisco Moser, “acarreta alguns desafios acrescidos”, sugerindo que a Câmara Municipal de Lisboa deve “fazer um trabalho de descentralização do próprio turismo”. No entanto, acredita que “ainda existe espaço em Lisboa para atividade turística e investimento no turismo”, sublinhando que a cidade necessidade “de qualidade, não queremos quantidade.”

“Ainda existe espaço em Lisboa para atividade turística e investimento no turismo.”

O mercado americano é o terceiro mercado em Portugal, o que demonstra, segundo Moser, “de que está a entrar no país um tipo de cliente muito mais qualificado e é isto que nós estamos a fazer, estamos a melhorar a nossa oferta turística, estamos a criar mais centralidades turísticas, porque não é só o Algarve, o Porto e Lisboa, hoje em dia existe muito turismo no interior”, argumentou, destacando que existe, atualmente, uma tendência para as pessoas procurarem destinos que ainda não estão maduros em termos de turismo. “O aumento do trabalho remoto é uma oportunidade para investir em produtos disruptivos e em soluções inovadoras para o turismo”.

“Estamos a melhorar a nossa oferta turística, estamos a criar mais centralidades turísticas, porque não é só o Algarve, o Porto e Lisboa, hoje em dia existe muito turismo no interior”

Tendências no turismo: Aumento do trabalho remoto e da tecnologia

Além do crescimento do trabalho remoto e dos nómadas digitais, a tecnologia é outra das tendências destacadas pelo Head of Hospitality, que deu o exemplo dos Smart Rooms que já são uma característica de muitos hotéis. “O design dos hotéis tem de se adaptar a esta nova realidade”, defendeu, sublinhando que “hoje em dia já entramos em hotéis e não têm receção, nem rececionista, porque o cliente já fez o check-in online e recebeu a chave do quarto no telemóvel e portante o hotel não precisa de um interlocutor para fazer tarefas administrativas”.

“O aumento do trabalho remoto é uma oportunidade para investir em produtos disruptivos e em soluções inovadoras para o turismo”.

Estas novas tendências estão a alterar o design dos hotéis, “o lobby é transformado num F&B outlet, numa zona em que a pessoa pode comer e beber, sem ser uma sala de estar que não tem rentabilidade nenhuma, e isto é uma mudança radical, cada vez mais na hotelaria temos de pensar nos metros quadrados como sendo fontes de rendimento”. “Nós começamos a olhar para a hotelaria do futuro com um potencial grande de novos produtos, novos tipos de hotéis em que existe espaço para ser diferenciador“, concluiu.

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui

-PUB-spot_img