Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, afirmou que, provavelmente, o sucesso do setor do turismo na nova estratégia “será medido pela dimensão do impacto positivo que causou nas comunidades” e não pelo número de dormidas ou turistas.
Carlos Abade falava na primeira sessão pública do processo de construção da Estratégia Turismo 2035, que se realizou esta quinta-feira, dia 3, em Lisboa.
No seu discurso, o presidente do Turismo de Portugal revelou seis tendências que podem influenciar a nova estratégia. A primeira é a questão da tecnologia e no impacto que a mesma pode ter na personalização de uma viagem. “A dimensão da tecnologia não é nova, mas está cada vez mais presente nas nossas conversas”, começou por dizer Carlos Abade, referindo que a segunda tendência presente na nova estratégia é a globalização: “Neste ponto, encontro a questão dos conflitos, da incerteza económica, das migrações e das desigualdades”.
O terceiro ponto é o futuro do trabalho e a possibilidade de um trabalho mais flexível. “De seguida, aponto a dimensão da sustentabilidade, algo que cada vez mais é decisivo na escolha dos destinos por parte dos turistas, e, ainda, a questão demográfica, que levanta oportunidades relativamente àquilo que é o nosso posicionamento no mercado internacional”.
Finalmente, a questão do consumidor e a necessidade de tentar atrair novos mercados com um elevado poder de compra, um desafio que o responsável diz que o setor tem vindo a trabalhar.
Carlos Abade identifica desafios para a nova estratégia
O primeiro desafio é o impacto positivo que o turismo tem nas comunidades: “Este tema só faz sentido porque o turismo é uma ferramenta que melhora a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas. Preocupa-nos tentar perceber como é que podemos impactar positivamente a vida das pessoas. Provavelmente, o sucesso do setor do turismo não será medido pelo número de dormidas ou pelo número de turistas, será medido pela dimensão do impacto positivo que o setor causou nas comunidades”.
Além da qualificação dos recursos humanos, Carlos Abade também aponta para uma melhoria das competências de gestão e de liderança de uma empresa, com o objetivo que as mesmas possam crescer em valor.
“Existe ainda a questão da mobilidade. Como é que promovemos uma mobilidade que seja sustentável? Este é um desafio que exige a concertação de um conjunto parceiros”, frisa.
Atrair e fidelizar talento para o reforço da atratividade do setor é também uma “dimensão crítica”. Para o presidente do Turismo de Portugal, quem constrói valor dentro das empresas são as pessoas. Aqui também entra o tema da diversificação das fontes de financiamento das empresas, sobretudo para criar condições para que as mesmas acedam a fontes diversas que alarguem aquilo que é a base de investidores.
Este debate simbolizou a primeira de sete conferências organizadas pelo Turismo de Portugal com o objetivo de desenhar a Estratégia Turismo 2035, que irá suceder à Estratégia Turismo 2027. A próxima realizar-se-á no Porto e Norte a 7 de outubro. Passará também pelo Alentejo (14 de outubro), Açores (21), Madeira (28), região Centro (11 de novembro) e, por fim, Algarve (25).


