Segunda-feira, Março 9, 2026
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Casas de banho abertas nos hotéis dão origem à plataforma Bringbackdoors: “As pessoas querem privacidade”

A crescente aposta em casas de banho abertas nos quartos de hotel está a gerar contestação entre viajantes e a relançar o debate sobre os limites do design hoteleiro, sobretudo em unidades urbanas e de lifestyle. A insatisfação deu origem à plataforma Bringbackdoors.com, que cataloga hotéis consoante o nível de privacidade das casas de banho, refletindo uma tendência que começa a ganhar visibilidade internacional.

Lançado no final de 2025 por Sadie Lowell, profissional de marketing norte-americana a residir na Europa, o site reúne hotéis que garantem casas de banho totalmente fechadas, bem como unidades onde o espaço sanitário se encontra parcialmente ou totalmente integrado no quarto. Segundo a fundadora, a iniciativa surgiu após uma experiência pessoal num hotel em Londres: “Reservámos um quarto com duas camas individuais e, quando entrámos, não havia porta na casa de banho, nem sequer algo semelhante a uma porta”, conta ao CNN Travel.

Lowell questiona a coerência entre o conceito do quarto e o nível de privacidade oferecido. “Ter duas camas individuais significa que quer absolutamente privacidade na casa de banho”, afirma, sublinhando um desalinhamento entre decisões de design e as expectativas dos hóspedes.

Desde o lançamento, a plataforma já recebeu cerca de 800 submissões de hotéis em vários países e tem sido divulgada em diferentes meios de comunicação internacionais. “Havia uma parte de mim que se perguntava se as pessoas iam realmente importar-se com isto”, admite Lowell. “A resposta está a mostrar que sim, que muitas pessoas se importam”.

A Bringbackdoors.com classifica os hotéis por níveis de privacidade, identificando desde os chamados “piores infratores”, onde o uso da casa de banho exige “sair para o lobby”, até soluções intermédias, como portas de vidro fosco, que oferecem privacidade visual limitada, mas não resolvem questões acústicas ou de ventilação.

A polémica surge num contexto em que, nas últimas décadas, várias marcas hoteleiras adotaram conceitos de casa de banho aberta, integrando banheiras ou duches no espaço do quarto. Para a designer Paula O’Callaghan, parceira da HBA (Hirsch Bedner Associates), esta tendência ganhou força há cerca de 30 anos. “Lembro-me de ver pela primeira vez painéis de vidro fosco num hotel há quase três décadas, e na altura foi visto como algo muito avant-garde”, explica à CNN Travel.

A designer considera, no entanto, que o problema está nas interpretações excessivas desse conceito. “Talvez sejam as iterações que correram mal”, afirma, acrescentando que, em espaços reduzidos, este tipo de solução “pode não ser apropriado”. Ainda assim, estabelece limites claros: “Nunca vidro transparente e nunca uma situação em que alguém possa ver diretamente da área do quarto” e reforça: “Continuamos a defender um cubículo fechado, mesmo em marcas de lifestyle”.

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