O Turismo de Cascais apresentou esta quinta-feira, 29 de maio, a plataforma Cascais for Tomorrow, uma nova ferramenta digital que permite aos visitantes do concelho calcularem a sua pegada de carbono e compensá-la através do investimento direto em projetos de sustentabilidade locais.
A apresentação decorreu no Lake House do Onyria Quinta da Marinha Hotel e contou com a presença do presidente do Turismo de Cascais, Bernardo Corrêa de Barros, do vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, dos fundadores da empresa britânica Breeze, responsável pelo desenvolvimento da plataforma, e de João Melo, da Cascais Ambiente.
Durante o lançamento, Bernardo Corrêa de Barros sublinhou o carácter inovador da iniciativa e o seu impacto no panorama do turismo sustentável. “Em Cascais temos várias inovações mundiais e no turismo, eu posso-me orgulhar, temos imensas inovações mundiais. Nestes últimos quatro anos, esta é a terceira inovação a nível mundial que lançamos e que pomos à disposição de todos. Não queremos ser proprietários da tecnologia. Não queremos guardar a tecnologia para nós, mas que seja partilhada pelo mundo, para que seja utilizada por todos e esse é o nosso grande objetivo”, afirmou o responsável.

A plataforma surge na sequência de outras soluções tecnológicas lançadas por Cascais, como o passaporte de golfe digital e o Cascais Awesome, para a indústria de eventos. Mas desta vez, o foco é ambiental. “Vai ser algo inovador a nível mundial”, afirmou, explicando que a ferramenta responde à crescente procura por destinos conscientes: “Sentimos que 60% dos turistas que viajam ao dia de hoje já analisam boas práticas de sustentabilidade nos territórios para onde se deslocam.”
A ideia nasceu dentro da equipa do Turismo de Cascais, quando se identificou a ausência de uma solução que permitisse aos turistas compensarem diretamente o impacto ambiental das suas viagens. A partir daí, iniciou-se uma pesquisa por parceiros com soluções alinhadas, o que levou à colaboração com a Breeze, empresa britânica especializada em sustentabilidade no setor do turismo.
Com mais de uma década de experiência no setor do turismo e dos eventos, os fundadores da Breeze explicaram a origem do projeto e os princípios que o sustentam: simplicidade, credibilidade científica e impacto local. “Queríamos uma solução que não fosse apenas simbólica, mas que deixasse um legado positivo no território. Por isso criámos uma metodologia própria e decidimos aplicá-la diretamente em Cascais”, explicou Gemma Watson.
O funcionamento do Cascais for Tomorrow é simples: com recurso a um QR Code disponível em hotéis ou eventos, o utilizador preenche um breve formulário com informação básica como origem, destino, número de pessoas, alimentação e meio de transporte. A partir daí, é calculada a pegada de carbono. “Calcula-me quantas toneladas de carbono é que eu produzi”, explicou Corrêa de Barros. O passo seguinte é a compensação financeira, e aqui reside uma das grandes inovações da plataforma: “O que não existe é uma calculadora que transforme essa pegada de carbono em valor. E esse valor poder ser investido – e a palavra não foi mal utilizada – ser investido em projetos locais.”
O valor doado pelos visitantes será canalizado integralmente para projetos da Cascais Ambiente, com limites orçamentais e temporais definidos. Estes projetos incluem ações como a reflorestação do Parque Natural Sintra-Cascais. A ligação emocional com o visitante é outro elemento central: “Quando o projeto estiver concluído, vamos comunicar com o nosso cliente, para que volte e venha conhecer o estado do seu investimento em Cascais.”

O impacto esperado não é apenas ambiental, mas também estratégico para o turismo local. A plataforma recolhe dados que permitirão conhecer melhor os perfis dos visitantes, ajudando os hotéis e organizadores a adaptarem serviços e a integrarem esses dados nos seus relatórios de sustentabilidade. “Hoje temos toda a informação. A digitalização dá-nos esta informação. A análise dessa informação e a compilação dessa informação dá-nos ferramentas incríveis para trabalharmos os nossos clientes.”
Já operacional, a plataforma funciona tanto para turistas individuais como para eventos, e está pronta a ser usada em hotéis, sites e eventos. “Já experimentámos, já pagámos, já postámos nas redes sociais. Tudo funciona, está perfeito”, garantiu o presidente.
O investimento foi reduzido, mas o impacto previsto é elevado: “O investimento não chegou a 5 mil euros”, revelou, explicando que o custo foi partilhado com a Breeze. “Como eu costumo dizer, de Cascais para o mundo. Se calhar Portugal não chega, a ferramenta é tão entusiasmante, é tão verdadeira, tão funcional, tão autêntica, o investimento é 100% canalizado, nós não ficamos com percentagem nenhuma para os projetos selecionados.”
Quanto a metas, o objetivo está bem definido. “Se eu tiver um euro por cada turista que dorme em Cascais, eu tenho 2 milhões e 100 mil euros. Se eu tiver 10 euros, tenho 22 milhões. Se eu tiver um euro daqui a um ano por cada turista, eu não estou feliz, eu estou radiante.”
Na cerimónia, também o vice-presidente da Câmara, Nuno Piteira Lopes, destacou o papel da sustentabilidade na visão estratégica de Cascais: “Aqueles que por vezes visitam Cascais vão também passar a fazer parte desta grande comunidade. Vão passar também a ser uns agentes ativos naquilo que é a nossa comunidade. E vão fazê-lo da melhor forma, que é precisamente através do Pilar da Sustentabilidade.”



