Cloud Dancer: o que significa a cor do ano 2026 da Pantone para o design hoteleiro?

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O branco Cloud Dancer foi eleito pela Pantone como a cor do ano de 2026, mas a escolha está longe de entusiasmar os designers de hotéis. Embora o anúncio anual da Pantone continue a gerar impacto no setor do design, a reação no universo da hotelaria tem sido marcada pela prudência – e, em muitos casos, pela oposição.

O site noticioso norte-americano CoStar falou com designers de interiores ligados à hotelaria para perceber de que forma a escolha do branco Cloud Dancer (Pantone 11-4201) como cor do ano 2026 da Pantone poderá – ou não – influenciar os projetos hoteleiros.

Todos os anos, a Pantone revela a sua cor do ano, uma escolha que procura refletir tendências culturais, sociais e de consumo à escala global e que costuma influenciar áreas como o design, a moda e a arquitetura de interiores. 

A empresa tem optado, nos últimos anos, por cores como um castanho neutro, um pêssego suave ou um magenta. Para 2026, a aposta recaiu sobre um tom de branco descrito como “calmante”, uma decisão que levanta desafios práticos num setor onde a durabilidade e a manutenção são cruciais.

“As cores claras e brancas nos hotéis são muito, muito difíceis”, disse ao CoStar Molly Forman, designer de interiores da boutique de design //3877, com sede em Washington, D.C. “Estamos a projetar para a durabilidade. Precisamos de longevidade”.

Apesar disso, o branco não está totalmente fora do radar. Laura McKoy, diretora criativa da Omni Hotels & Resorts, explicou que a cor pode funcionar em contextos muito específicos, como em resorts onde o objetivo é não competir visualmente com a paisagem envolvente.

Em projetos como o Omni Scottsdale Resort & Spa em Montelucia, o Omni La Costa Resort & Spa e o futuro Omni Pontoque Resort em Punta de Mita, com abertura prevista para 2027, a escolha do branco teve uma lógica clara. Nestes espaços, “o paisagismo é tão deslumbrante que queríamos que o quarto fosse uma espécie de refúgio”, disse McKoy, “e que, ao olhar pela janela, se vissem todas as cores do paisagismo sem que as paredes competissem com elas”.

O branco foi também utilizado na recente renovação do histórico Omni Parker House, em Boston. Com quartos de dimensão mais reduzida, o hotel optou por paredes brancas para criar uma maior sensação de amplitude.

Ainda assim, McKoy confessa que a escolha da Pantone lhe pareceu mais um elemento de fundo do que propriamente uma cor. Segundo a responsável, os designers estão constantemente à procura do tom de branco ideal, equilibrado e sem subtons dominantes. “Todos nós procuramos aquele branco perfeito. Será que o Cloud Dancer é o branco perfeito para este ano?”, questionou.

Instagram @pantone

Tanto McKoy como Forman concordam que as cores do ano da Pantone devem ser encaradas com cautela no design hoteleiro. Os hotéis, defendem, precisam de evitar tendências passageiras e apostar numa estética intemporal. Ainda assim, Forman reconhece valor na leitura psicológica associada a estas escolhas.

“A importância para nós, sobretudo nos hotéis, está, curiosamente, mais no aspeto psicológico”, disse. “Conta-nos um pouco mais sobre como as pessoas se estão a sentir ou a pensar”.

Na explicação da Pantone, o Cloud Dancer “serve como um símbolo de influência calmante numa sociedade frenética que redescobre o valor da ponderação e da reflexão tranquila”. Uma mensagem que, segundo Forman, está alinhada com o que tem observado no segundo semestre do ano: uma procura crescente por calma, serenidade e conforto visual nos espaços hoteleiros.

“Todos desejam esta sensação de relaxamento e conforto visual algures no ambiente. E, por isso, psicologicamente, faz muito sentido”, afirmou.

No entanto, esse efeito pode ser alcançado através de outras soluções mais práticas, como o uso de cores neutras combinadas com tecidos de múltiplas texturas, sem recorrer a superfícies totalmente brancas. “Penso que veremos espaços com um pouco menos de contraste. Ou uma abordagem monocromática, com uma única cor, ou um único tom para o uso da cor”, concluiu.

Esta abordagem insere-se numa tendência mais ampla de quiet luxury, que começou na moda e tem vindo a ganhar expressão no design de interiores. Para o próximo ano, Forman antecipa a introdução de mais “elementos lúdicos integrados”, sem comprometer a funcionalidade.

Ainda assim, os hóspedes não deverão ver uma invasão do branco – seja Cloud Dancer ou outro – nos hotéis num futuro próximo. “É importante do ponto de vista do contraste”, disse Forman. “Mas acho que, sobretudo no setor hoteleiro – embora adoremos as nossas camas brancas –, a facilidade de limpeza continua a ser fundamental, e algo totalmente branco é muito difícil de vender nos hotéis”.

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