Sábado, Abril 20, 2024
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Com frotas reduzidas a metade pela pandemia, como irão recuperar as empresas de rent-a-car?

Os empresários de rent-a-car têm esperança que este ano se registe alguma recuperação da atividade turística internacional com o consequente aumento de turistas internacionais em Portugal, afirmou ao TNews Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor (ARAC).

No entanto, para que tal aconteça, é necessário que situação sanitária esteja controlada e que o nível de vacinação seja célere, “o que se está a verificar”, constata o responsável. Ao mesmo tempo, é preciso “que os controles de entradas de turistas sejam efetivos, de fácil acesso e baratos, nomeadamente no que respeita aos certificados de vacinação e/ou testes, de modo a mostrar uma boa imagem do nosso país”, defende.

Joaquim Robalo de Almeida, secretário-geral da ARAC

Tendo em conta que o turismo “foi decisivo” para o relançamento da economia em Portugal, dando também oportunidade a muitos outros setores que se desenvolveram devido ao advento da atividade turística, o setor de rent-a-car espera agora “uma proatividade do Governo na projeção internacional da imagem do nosso país como destino seguro que sempre foi e continuará a ser”. Nesse sentido, o secretário-geral da ARAC defende que “deve ser feita uma grande aposta na promoção, no regresso firme dos voos com turistas – os quais estão em todo o mundo ansiosos por voltar a viajar -, e nos contactos com os operadores turísticos – muito importantes para nos enviarem turistas”.

No setor de rent-a-car,a segmento de turismo que pesava cerca de 60% da atividade de rent-a-car em 2019

Rent-a-cars estão a operar com 50% da sua frota

Com vista a reduzir o impacto da quebra da procura registada desde março de 2020, Joaquim Robalo de Almeida explica que as empresas de rent-a-car reduziram as suas frotas em “cerca de 45% em 2020”, tendo, o setor em Portugal operado com uma frota que “nunca superou em nenhum dos meses de 2020, os 63.000 veículos ligeiros de passageiros e 8.000 ligeiros de mercadorias”.

O acentuado declínio da atividade económica e a diminuição maciça das viagens levou a uma diminuição da procura “sem precedentes” no setor de rent-a-car. Apesar de ter registado alguma recuperação no verão de 2020, em virtude de Portugal ter recebido algum turismo internacional, embora “em número muito reduzido”, sobretudo de França, Alemanha, Holanda e Espanha, “a verdade é que as quarentenas e restrições relacionadas com o mercado britânico amputaram a atividade de rent-a-car, e o turismo em geral, deste importantíssimo cliente durante quase todo o verão, sendo que após o verão o número de clientes do segmento turístico que já era muito baixo praticamente desapareceu, inclusivamente durante o período de natal e ano novo”, constata.

Em 2021, o cenário não melhorou. “Deparamo-nos com as terceira e quarta vagas de COVID com uma quebra abrupta da atividade, nomeadamente da componente turística que acarretou enormes prejuízos para as empresas, pois apesar de grande parte dos veículos que compõem as frotas da empresas de rent-a-car terem estado parados, estas continuaram a suportar custos elevados de funcionamento”.

O primeiro semestre de 2021 foi impactado por uma “procura ainda muito deprimida” em consequência do “ziguezague de aberturas, fechos, quarentenas no regresso dos turistas e um sem número de alterações que têm dificultado a vida das empresas, não se antevendo neste momento quais as quebras de faturação que estas irão registar”. Em suma, “no primeiro semestre as taxas de ocupação foram baixas apesar da forte redução de frota disponível para aluguer, a qual se cifrou em quase 50%”.

Falta de veículos faz disparar preços em alguns regiões

Atualmente e com vista a proceder à renovação das frotas, as empresas de rent-a-car têm vindo a deparar-se com a falta de veículos disponíveis para venda no mercado, devido “essencialmente à falta de semicondutores necessários nos veículos atuais”.

“No ano de 2020 as empresas de rent-a-car viram-se obrigadas a vender uma boa parte dos veículos que compõem as suas frotas, os quais constituem o principal meio de exploração das empresas nossas associadas e os seus ativos tangíveis,  para manterem as empresas vivas”, justifica o secretário-geral da ARAC.

“No ano de 2020 as empresas de rent-a-car viram-se obrigadas a vender uma boa parte dos veículos que compõem as suas frotas”

Até meados de abril existia “uma perspetiva pouco positiva e de incerteza sobre o verão, perspetiva essa que veio a mudar devido ao progresso do processo de vacinação nos vários países da Europa, o que faz antever alguma retoma do turismo, longe dos valores de 2019”.

A redução de frota disponível para aluguer, entretanto, associada à escassez de veículos novos para venda devido à escassez de semicondutores necessários à fabricação dos automóveis, conduziu à falta de viaturas de rent-a-car disponíveis para aluguer em algumas regiões do país, nomeadamente nos Açores e Madeira, “o que tem levado a um aumento de preços, ou seja, é a lei da oferta e da procura a funcionar”, constata. “Os clientes devem proceder à reserva de viaturas com a maior antecedência possível”, alerta.

Futuro do rent-a-car

No que respeita ao outro principal segmento de negócio das empresas representadas pela ARAC, ou seja, o aluguer a empresas, espera-se que, com o desconfinamento, “registe crescimento”.

“Os alugueres de curto e médio prazo verão certamente aumentar a sua procura à semelhança dos últimos anos”, afirma.

Joaquim Robalo de Almeida sublinha que estão igualmente a ser criados produtos de mobilidade “cada vez mais flexíveis para os clientes, os quais já estão a ser disponibilizados por empresas de aluguer de automóveis sem condutor, que se estão a transformar em consultores e fornecedores de mobilidade”, procurando oferecer “as soluções mais adequadas a uma clientela cada vez mais exigente, que aluga vários tipos de veículos em regime de curta, média, longa duração e de partilha como é o carsharing”.

Atualmente, particulares e empresas “procuram, cada vez mais eliminar todos os custos supérfluos”, o que, na opinião do responsável, “irá contribuir certamente para uma melhoria da sua gestão, umas vezes, por iniciativa dos gestores, outras vezes, por imposições legais, nomeadamente fiscais”.

Estamos convictos que, passada a fase difícil que atravessamos, o mundo e os vários setores da mobilidade retomarão a sua atividade

“O nosso objetivo é oferecer estes serviços em consonância com a transição digital e uma economia verde, tendo em atenção um turismo sustentável e uma mobilidade inteligente e amiga do ambiente. Estamos convictos que, passada a fase difícil que atravessamos, o mundo e os vários setores da mobilidade retomarão a sua atividade. À medida que a União Europeia volta a sua atenção para a recuperação, acreditamos que existem várias medidas que podemos tomar com vista a apoiar os objetivos da transição digital e da economia verde, onde devemos enquadrar a mobilidade sustentável”.

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