Quarta-feira, Abril 15, 2026
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Conflito no Irão condiciona regresso de mais de mil viajantes portugueses, afirma APAVT

O conflito no Irão está a provocar constrangimentos no regresso de viajantes portugueses, podendo afetar mais de mil pessoas, segundo estimativas da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT). Já a Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV) aponta para um número mais reduzido, estimando cerca de 400 a 500 portugueses nas zonas afetadas. A informação foi avançada esta semana pela agência Lusa.

Em resposta à Lusa, o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, explicou que os números continuam a ser apurados, numa situação que classificou como dinâmica. Ainda assim, indicou que poderá haver “mais de mil pessoas com dificuldades em regressar, quer por estarem na zona do conflito, quer por terem itinerários de regresso que incluem espaço aéreo condicionado”.

Também citado pela Lusa, o presidente da ANAV, Miguel Quintas, referiu que, com base em contactos diários com clientes, a associação estima que existam “algumas centenas de pessoas nas zonas afetadas (entre 400 a 500 pessoas)”. Segundo o responsável, muitos destes portugueses não são clientes de agências de viagens, mas têm procurado apoio junto do setor para obter informações sobre reservas e voos.

Miguel Quintas acrescentou que o repatriamento dos viajantes deverá ocorrer assim que as condições de segurança o permitirem. “O repatriamento será realizado assim que os voos possam chegar e sair das zonas afetadas pela guerra, sempre dentro da máxima segurança”, afirmou, acrescentando que já há conhecimento de alguns voos esporádicos realizados a partir de Abu Dhabi e Dubai.

Do lado da APAVT, Pedro Costa Ferreira explicou que “as agências de viagens estão, naturalmente, a acompanhar todos os seus clientes, com o objetivo de controlarem as condições da estada, bem como de programarem os regressos, de acordo com o espaço aéreo aberto em cada momento”. O dirigente indicou ainda que a associação está em contacto com a Secretaria de Estado das Comunidades e integra um Gabinete de Crise na Confederação Europeia das Agências de Viagens.

O presidente da ANAV alertou também para possíveis impactos nos preços das viagens caso a instabilidade se prolongue. “Se a instabilidade se prolongar no tempo é muito provável que os preços aumentem para os destinos fora da zona de conflito”, referiu, apontando como fatores os desvios de rotas na aviação e a necessidade de novas contratações de alojamento no âmbito dos pacotes turísticos. Segundo Miguel Quintas, a procura por novos destinos, bem como os custos operacionais e de seguros, poderão também contribuir para a subida de preços.

Pedro Costa Ferreira admitiu igualmente pressão nos preços, “sobretudo por capacidade reduzida e necessidade de reacomodar passageiros em alternativas”, situação que tende “a traduzir-se em condições comerciais mais voláteis e, em alguns casos, aumento de preços nas opções remanescentes”.

O presidente da APAVT adiantou ainda que já existem cancelamentos de viagens. “Há partidas para os próximos dias que estão prejudicadas por falta de condições nos destinos e/ou por dificuldades de cumprir a viagem, pelo condicionamento atual do espaço aéreo”, afirmou.

Segundo Miguel Quintas, as agências têm registado “um aumento relevante de pedidos nas últimas 48 horas, sobretudo adiamentos e remarcações (mais do que cancelamentos efetivos)”. O responsável explicou que “a causa principal é a incerteza operacional”, com aeroportos e rotas condicionados, bem como alterações de percurso e risco de ligações perdidas.

De acordo com a ANAV, os destinos mais afetados são os localizados no chamado corredor de risco e os principais hubs da região, nomeadamente Dubai, Doha e Abu Dhabi, além de Telavive, Beirute e Riade, estes sobretudo através de escalas.

Miguel Quintas admite ainda um possível “efeito psicológico” na procura turística, sobretudo em pedidos relacionados com o Mediterrâneo Oriental, com alguns viajantes a procurarem alternativas mais a oeste.

Quanto às perspetivas para os próximos meses, Pedro Costa Ferreira afirmou que tudo dependerá da evolução do conflito e das restrições no espaço aéreo. Para já, o cenário é de “elevada incerteza e provável volatilidade nas próximas semanas, com impacto direto nas rotas que dependem do corredor do Médio Oriente”.

Já Miguel Quintas considera que, caso o conflito se prolongue, poderão surgir destinos de substituição. Entre as alternativas possíveis, o presidente da ANAV aponta voos de longa distância para destinos considerados “neutros em segurança”, como Caraíbas, Sudeste Asiático ou Oceano Índico, dirigidos sobretudo a clientes que procuram reduzir a exposição a corredores aéreos sensíveis.

Outra possibilidade passa pela substituição de destinos dentro da mesma região. “Quem ia para Golfo/Levante poderá optar por Turquia, Grécia e eventualmente Chipre e parte do Egito”, indicou, acrescentando que é menos provável uma substituição por destinos de “sol e praia seguro” mais próximos, como Espanha, Canárias, Portugal, Marrocos ou Tunísia.

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