A Croácia, um dos destinos mais procurados do Mediterrâneo, pode estar a comprometer a sua imagem internacional devido ao aumento acentuado dos preços no setor do turismo. O alerta foi deixado por Iva Strauss, croata e especialista em aviação, numa publicação no LinkedIn que tem gerado forte debate.
Segundo Iva Strauss, os preços ligados ao turismo na Croácia subiram cerca de 50% desde 2022, com restaurantes e hotéis a registarem um crescimento de 9% face ao ano anterior. As regiões costeiras, mais procuradas pelos visitantes, são atualmente até 8% mais caras do que as zonas do interior.
“Quando os turistas deixam de vir e os moradores deixam de poder pagar para ficar, todos perdem”, escreveu a especialista, sublinhando que a beleza natural do país, por si só, não será suficiente para sustentar a procura. Para Strauss, o foco excessivo em lucros de curto prazo pode corroer a confiança dos viajantes, prejudicar a procura e minar a base da economia croata, fortemente dependente do turismo, considerado o “mais forte produto de exportação” do país.
A reflexão gerou centenas de reações e dezenas de comentários, muitos deles de profissionais do setor, turistas e residentes que partilham preocupações semelhantes. Entre os relatos destacam-se queixas sobre preços superiores aos de destinos concorrentes, a dificuldade crescente dos locais em aceder a serviços e alojamento, e comparações com outras geografias que já enfrentaram problemas de overtourism e especulação, como Espanha, Grécia e Itália.
Apesar das críticas, também houve quem defendesse que o mercado acabará por se autorregular, ajustando preços em função da procura. No entanto, a visão dominante entre os comentários é a de que a Croácia corre o risco de deixar de ser vista como um destino “bonito e acessível”, passando a ser percecionada como “caro e sobrevalorizado”.
A questão que se coloca é se este será apenas um fenómeno croata ou um sintoma de algo maior.
Na Grécia, em Espanha ou mesmo em Portugal, multiplicam-se os sinais de que a escalada dos preços, a massificação e a pressão sobre a habitação estão a transformar destinos turísticos em territórios cada vez menos acessíveis, tanto para visitantes como para residentes.
Em Portugal, por exemplo, discute-se hoje o impacto do turismo nas grandes cidades, com os residentes a sentirem os efeitos do aumento do custo de vida e os visitantes a queixarem-se de preços crescentes e experiências cada vez mais padronizadas. O mesmo se passa em Espanha, onde a gentrificação turística ameaça descaracterizar bairros inteiros, e na Grécia, onde a população local começa a ser afastada dos centros históricos e das ilhas mais procuradas.
A grande incógnita é saber até que ponto o mercado ajustará naturalmente, travando o aumento dos preços quando a procura começar a cair, ou se estaremos a assistir à formação de uma verdadeira bolha turística que poderá rebentar em vários destinos mediterrâneos.
A Croácia pode estar apenas a ser o primeiro sinal de um dilema maior: até onde é que destinos que dependem fortemente do turismo conseguem crescer sem pôr em causa a sua sustentabilidade: económica, social e cultural?



