A classificação do Douro como Património Mundial da UNESCO, atribuída em dezembro de 2001, contribuiu para reforçar a notoriedade internacional do destino, atrair investimento e aumentar a procura turística, disse Luís Pedro Martins, presidente da Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), num ano em que a região assinala 25 anos da distinção.
“A classificação claro que trouxe mais turistas para o território, muito mais investimento, mas também trouxe, a todos nós, muito mais responsabilidade”, afirmou à agência Lusa Luís Pedro Martins, classificando o reconhecimento da UNESCO como uma “marca excecional”.
Além de ser a região vinícola mais antiga e regulamentada do mundo, criada em 1756, o Douro viu crescer, nas últimas décadas, produtos turísticos que complementam a atividade vitivinícola. O enoturismo, a gastronomia e o termalismo ganharam expressão, acompanhando a diversificação da oferta e a adaptação a diferentes perfis de visitantes.
Atualmente, a região oferece experiências que vão desde a tradicional pisa da uva nos lagares de granito e as vindimas a piqueniques, caminhadas nas vinhas e spas vínicos. Os visitantes podem ainda participar em atividades ligadas ao quotidiano rural, como amassar pão, varejar oliveiras ou tosquiar ovelhas.
Para Luís Pedro Martins, “surgiram muitas outras oportunidades agarradas a esta grande âncora que foi o reconhecimento pela UNESCO”.
A classificação assenta também numa paisagem moldada ao longo de séculos pela atividade humana, marcada pelas vinhas em socalcos e pelos muros de xisto. O presidente da TPNP sublinhou, por isso, a importância dos viticultores para a preservação do território.
“Nós não teríamos este sucesso sem as vinhas do Douro, que não existirão sem os viticultores (…) Se algum elo falhar nesta corrente falhámos todos”, referiu, alertando para as dificuldades que o setor enfrenta devido às quebras no escoamento da produção e à redução dos rendimentos.
Luís Pedro Martins sublinha que o “enoturismo tem provado ser um bom aliado” para os produtores de vinho. Segundo explicou, “as vendas decorrentes do enoturismo, nas empresas que têm enoturismo, produção de vinho e distribuição, já representam cerca de 30% das vendas totais e, em alguns casos, já atingiram os 50%”, considerando que estes valores “ainda podem crescer”.
O presidente da TPNP apontou ainda algumas limitações ao desenvolvimento da região, nomeadamente a falta de infraestruturas para captar turismo de negócios, como congressos e conferências, e a escassez de mão-de-obra na hotelaria, restauração e viticultura.
Questionado pela Lusa sobre a criação de uma taxa de solidariedade para o Douro, disse concordar com a medida para apoiar os “que constroem este destino”, defendendo, contudo, que as receitas geradas pelos turistas devem ser repartidas entre a sustentabilidade da agricultura e a promoção internacional do destino.
A promoção externa do Porto e Norte, desenvolvida pela Agência Regional de Promoção Turística e pela TPNP, tem vindo a reforçar-se nos mercados de longa distância desde 2019. Como resultado, o mercado norte-americano é atualmente o principal emissor para o Douro e o segundo mais importante para a região Porto e Norte, onde o mercado espanhol continua a liderar.
Nos primeiros sete meses do ano, o número de turistas norte-americanos cresceu 9,3% na região Norte. Entre os principais mercados emissores destacam-se ainda o Brasil e o Canadá, enquanto a Coreia do Sul continua a registar crescimento.
“E isto permite-nos dizer que combatemos mais facilmente a sazonalidade, que aumentamos a estada média e conseguimos uma melhor distribuição de turistas”, afirmou Luís Pedro Martins.
Entre janeiro e julho, o Porto e Norte registou um crescimento de 4,5% no número de hóspedes, 5,5% nas dormidas e 6% nas receitas.
“Faltam aqui números que o Instituto Nacional de Estatística continua a não apresentar: as dormidas em equipamentos hoteleiros com menos de 10 camas e dormidas em barcos hotéis”, criticou, realçando que, no Douro, as dormidas a bordo têm um importante significado, mas não estão a ser contabilizadas.
Segundo Luís Pedro Martins, a inclusão destes dados poderia permitir “acrescentar 30% em cima” dos números atualmente divulgados.




