A easyJet rejeitou uma terceira proposta de aquisição apresentada pela gestora norte-americana Castlelake, que avaliava a companhia aérea britânica em cerca de 4,7 mil milhões de libras (mais de 5,4 mil milhões de euros). O conselho de administração da transportadora considera que a oferta não reflete o valor nem as perspetivas de crescimento da empresa.
A proposta mais recente ascendia a 625 pence por ação (cerca de 7,24 euros), acima das anteriores ofertas de 560 e 600 pence por ação, igualmente recusadas pela companhia. Apesar disso, a easyJet entende que a avaliação apresentada continua a ser insuficiente.
Segundo a Castlelake, a proposta representa uma valorização significativa face à cotação da easyJet antes de se tornar público o interesse do fundo na transportadora. A easyJet, por sua vez, considera a oferta “oportunista”, defendendo que o atual valor de mercado da companhia está a ser condicionado por fatores conjunturais, como a instabilidade geopolítica no Médio Oriente, o aumento dos custos do combustível e alguma pressão sobre a procura.
A companhia argumenta que aceitar uma venda neste contexto significaria alienar o negócio com uma avaliação penalizada por fatores temporários, sublinhando que mantém uma posição financeira sólida e objetivos de rentabilidade para os próximos anos.
A potencial operação levanta também questões relacionadas com a estrutura proposta pela Castlelake para cumprir as regras europeias de propriedade e controlo das companhias aéreas. O fundo norte-americano garante ter desenvolvido um modelo compatível com a legislação comunitária, que exige controlo maioritariamente europeu, mas a easyJet considera que subsistem dúvidas relativamente à transparência da estrutura apresentada, bem como aos riscos regulatórios, financeiros e de execução da operação.
A Castlelake terá agora de decidir até 26 de junho se avança com uma oferta formal vinculativa.
A eventual aquisição está a ser acompanhada com atenção pelo setor da aviação e do turismo, dado o peso da easyJet no mercado europeu de transporte aéreo de baixo custo. A companhia é um dos principais operadores em vários mercados turísticos e desempenha um papel relevante na conectividade entre destinos de lazer e os principais mercados emissores europeus.
Embora não tenham sido anunciadas alterações operacionais, uma eventual mudança de controlo poderá ter implicações futuras ao nível da estratégia da companhia, incluindo decisões relacionadas com rotas, capacidade, investimento e desenvolvimento da rede.
Caso a Castlelake avance com uma proposta formal, o processo deverá passar a depender da posição dos acionistas, das condições de financiamento e da avaliação das autoridades reguladoras. Se o fundo optar por não prosseguir, a easyJet reforçará a sua estratégia independente, embora o episódio evidencie o interesse crescente do capital financeiro por companhias aéreas europeias num contexto marcado pela volatilidade dos custos operacionais, da geopolítica e da procura turística.




