“Ir além dos centros turísticos habituais proporciona novas experiências para os viajantes, ao mesmo tempo que direciona o investimento para fornecedores menos visitados, mais enraizados localmente e, muitas vezes, mais autênticos no melhor sentido”
Por Ana Rooney, vice-presidente de Design de Tours & Operações na Collette
À medida que o segmento de viagens de grupo continua a expandir-se, os operadores turísticos têm uma oportunidade única — e uma responsabilidade — de reduzir o excesso de turismo, expandir os benefícios económicos para comunidades menos visitadas e criar itinerários que gerem um impacto positivo duradouro.
Uma das escolhas de design mais práticas é também uma das mais poderosas: promover estadias em cidades secundárias. Ir além dos centros turísticos habituais proporciona novas experiências para os viajantes, ao mesmo tempo que direciona o investimento para fornecedores menos visitados, mais enraizados localmente e, muitas vezes, mais autênticos no melhor sentido.
Para muitos operadores, o maior desafio de sustentabilidade é o excesso de turismo e o seu impacto nas comunidades locais e na satisfação dos visitantes. Aqui, as empresas de viagens de grupo — em parceria com líderes locais e entidades regionais de turismo — podem ajudar a estabelecer um novo padrão a ser seguido. Os sinais do mercado são claros: os viajantes, especialmente da geração X em diante, priorizam cada vez mais o bem-estar (no sentido mais amplo), a autenticidade (na sua essência original) e viagens que realmente alteram perspetivas e mudam vidas.
Essa mudança exige disciplina operacional. Escolher os parceiros certos requer coragem, e fazê-lo bem requer humildade — especialmente à medida que a empresa cresce e envia mais viajantes para os mesmos destinos. A seleção e aquisição de fornecedores não pode ser uma lista de verificação única; precisa de ser um processo contínuo de aprendizagem que equilibre as realidades do negócio com os resultados para a comunidade.
Então, como é que o retribuir se pode manifestar de forma mensurável, repetível e alinhada com o funcionamento real das viagens de grupo? Algumas das formas possíveis incluem:
- Elevar os padrões de formação de guias locais para que a narração de histórias inclua contexto e impacto comunitário — não apenas factos históricos.
- Construir cadeias de serviços que criem sinergias locais autossustentáveis (alojamento, alimentação, guias, transporte), garantindo que os benefícios permanecem na região.
- Utilizar decisões de aquisição para impulsionar a adoção de práticas sustentáveis em comunidades e empresas — premiando parceiros que investem em operações responsáveis.
Este trabalho é exigente, mas também muito gratificante. Quando a sustentabilidade é incorporada no processo de design, motiva as equipas, desafia pressupostos antigos e abre caminho para um modelo de negócio mais resiliente.
Iniciámos esta jornada e estamos constantemente a aprender o que funciona e o que não funciona. Ao identificar o que não resulta, surgem insights valiosos sobre o tipo de novos negócios necessários no setor das viagens. Estas lições destacam não só áreas de melhoria, mas também onde se pode causar impacto significativo ao definir e desenvolver soluções. Esta jornada não é um projeto com fim definido; representa, antes, um ciclo contínuo de aprendizagem e adaptação. O trabalho de criar ofertas de viagem sustentáveis é uma oportunidade contínua — que evolui à medida que a indústria, as comunidades e as expectativas dos viajantes mudam ao longo do tempo.
Construir uma Equipa Alinhada com a Missão
A base de uma estratégia de viagens sustentáveis bem-sucedida reside em reunir uma equipa cujos membros estejam profundamente comprometidos com a missão e os valores da organização. Quando todos se alinham com estes princípios orientadores, torna-se possível conceber e executar iniciativas com impactos positivos duradouros. Este alinhamento não é apenas desejável — é essencial para o sucesso da estratégia.
Desafios e Requisitos para o Sucesso
Ao contrário do turismo de massas, que geralmente privilegia a escala e a eficiência, o trabalho de viagens de grupo sustentáveis é inerentemente mais exigente. Requer envolvimento pessoal, consciência acrescida e compromisso com a qualidade em cada ponto de contacto. O sucesso depende de uma abordagem equilibrada que combine análise baseada em dados e inteligência emocional para responder às necessidades e expectativas em evolução. Tudo começa, no entanto, por conceitos básicos: promover o compromisso com o objetivo, a clareza de funções e a adoção de processos. Sem foco contínuo nestes conceitos-chave, os desafios de criar algo mais difícil e novo serão suplantados pela pressão de metas de receita e eficiência operacional.
Foco na Experiência Integral do Cliente
Oferecer uma experiência de cliente excecional é central nesta abordagem. Aqui, “cliente” é entendido no seu sentido mais amplo, abrangendo não só os viajantes, mas também fornecedores e colaboradores da empresa. Esta perspetiva holística garante que todos os participantes no ecossistema de viagens beneficiam de um design cuidadoso, serviço atento e de um sentido de propósito partilhado.
O futuro das viagens de grupo pertence a empresas que encaram a sustentabilidade como uma estratégia: melhores parceiros, melhores itinerários, destinos mais fortes — e uma razão melhor para crescer.
Por Ana Rooney
É líder sénior no setor do turismo global, com mais de 20 anos de experiência. Atualmente vice-presidente de Design de Tours & Operações na Collette, destaca-se pela criação de equipas de alto desempenho e pelo foco na experiência do cliente e no desenvolvimento de liderança. Ao longo da sua carreira, ocupou cargos de liderança em organizações como a Grand Circle Corporation e o Grupo Pestana Pousadas, promovendo a excelência operacional e o desenvolvimento de talento intercultural. A sua abordagem baseia-se na capacitação das equipas, na colaboração e numa liderança orientada por valores, conciliando propósito e resultados.
* “Entre Linhas” é uma rubrica de opinião do TNews em parceria com o Nova SBE Westmont Institute of Hospitality & Tourism, que reúne diferentes perspetivas sobre hospitalidade, experiência do cliente e temas que marcam o presente e o futuro das organizações.


