Sábado, Junho 15, 2024
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Entrevista: “Em 2023, poderá ser inevitável a subida de preços dos serviços de rent-a-car”, alerta ARAC

Apesar da escassez de viaturas destinadas às empresas de rent-car, que tiveram uma frota de “pico” de cerca de 93.000 viaturas face às 125.000 registadas em 2019, houve uma “grande procura” durante o verão, afirmou Joaquim Robalo de Almeida em entrevista ao TNews, salientando que houve perídos em que a procura superou a oferta. O secretário geral da Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor (ARAC) alertou que, em 2023, a subida de preços será “inevitável” devido à inflação, à dificuldade de aquisição de veículos e ao aumento dos vários custos de exploração por parte das empresas de rent-a-car.

Qual o balanço que se pode fazer da operação de rent-a-car até setembro de 2022?

Os meses de junho a setembro foram meses de grande procura por parte dos clientes de rent-a-car, com períodos em que a procura superou largamente a oferta, o que provocou um aumento dos preços, situação característica de qualquer sistema económico.

A escassez foi originada pela falta de semicondutores necessários á produção de automóveis, situação que foi decisiva para a falta de viaturas novas para venda em todo o mundo, circunstância essa que, segundo a opinião de vários experts, só estará resolvida no final de 2023, ou mesmo 2024.

“Os meses de junho a setembro foram meses de grande procura, com períodos em que a procura superou largamente a oferta, o que provocou um aumento dos preços”

A carência de viaturas para aquisição pelas empresas de rent-a-car originada pelas quebras de produção nas cadeias de produção e montagem de automóveis devido, como é sabido, à falta de componentes hoje essenciais para a produção de veículos – os semicondutores -, vulgarmente designados por “chips”, associada à venda de viaturas operada por estas empresas em 2020 e 2021 para fazer face à crise pandémica contribuíram de forma decisiva para a forte diminuição do número de viaturas disponíveis para aluguer, tendo a atividade de rent-a-car operado este ano com uma frota de “pico” de cerca de 93.000 viaturas face ás 125.000 registadas em 2019.

Apesar da frota para aluguer ter sido mais reduzida, tendo em atenção a subida de preços operada pela forte procura, é expectável que seja atingida uma faturação idêntica à de 2019, que certamente gerará uma melhor rentabilidade mas que terá de ter em atenção um enorme aumento de custos gerado pela crescente inflação, nomeadamente dos preços dos veículos, dos recursos humanos, dos combustíveis, da manutenção e consumíveis dos veículos como por exemplo pneus e outros consumíveis, custos estes que atingiram valores nunca antes vistos.

2022 será certamente um bom ano para a atividade de rent-a-car (tendo em conta os elementos disponíveis até hoje), mas não esqueçamos que faltam mais de dois meses para o fim do ano, o que perante o quadro internacional de incerteza, de crescente inflação e de uma recessão a pairar no horizonte é ainda cedo para tirar conclusões finais sobre o desempenho do rent-a-car no corrente ano.

Os mercados que registaram uma maior procuram foram claramente o britânico, que registou uma grande recuperação face a 2021 (ano em que devido á proibição e levantamentos de proibições de viajar fizeram cair o número de turistas em Portugal), o francês, o alemão, holandês, países nórdicos e destaque também para uma clara subida do mercado americano.

A promoção feita pelas entidades de promoção turística deu frutos, realçando aqui todo o trabalho feito pelo Turismo de Portugal, Agências de Promoção Turística, Entidades Regionais de Turismo e empresários.

“Os mercados que registaram uma maior procuram foram o britânico, que registou uma grande recuperação face a 2021, o francês, o alemão, holandês, países nórdicos e destaque também para uma clara subida do mercado americano”.

Como perspetivam a atividade até ao final de 2022? E para 2023?

Como atrás referido, a performance das empresas de rent-a-car em 2022 tem sido excelente, sendo que o seu desempenho tem sido dos melhores de sempre, aliás à semelhança de outros setores do turismo como sejam a aviação, a hotelaria, a restauração, a animação turística onde incluímos os congressos e grandes espetáculos, assumindo-se assim o turismo mais uma vez como o grande motor da economia nacional, merecendo neste aspeto destaque a afirmação do Senhor Ministro da Economia e do Mar ao afirmar que o modelo de organização do turismo deve ser replicado noutros setores de atividade para criar “diferentes motores de desenvolvimento” em Portugal.

Os restantes meses de 2022 serão certamente em linha com o registo dos anteriores (mas não esqueçamos que faltam mais de dois meses para o fim do ano), devendo, no entanto ter em atenção de que são meses de época baixa e por isso com taxas de ocupação menores e valores de aluguer mais baixos.

Quanto a 2023, e tendo em atenção as afirmações do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), o setor de viagens e turismo vai impulsionar a recuperação económica em Portugal, ultrapassando os níveis pré-pandémicos em 2023.

Segundo aquela entidade, a indústria deverá criar 3.200 empregos adicionais, para atingir mais de um milhão de postos de trabalho até ao final de 2023.

No que ao rent-a-car diz respeito, perspetiva-se igualmente a continuação da retoma pós-pandemia, estando esta, no entanto, dependente da recuperação do setor automóvel, nomeadamente da produção de novos veículos.

“O setor de viagens e turismo vai impulsionar a recuperação económica em Portugal, ultrapassando os níveis pré-pandémicos em 2023”.

Que fatores impactaram a atividade este ano?

Os fatores que mais afetaram o aluguer de veículos sem condutor no ano em curso foram seguramente a falta de veículos destinados às empresas de rent-a-car, situação que provocou nalguns períodos uma escassez de viaturas para fazer face á procura que cresceu este ano. Também a falta de profissionais para o setor foi outra contingência com a qual as empresas de rent-a-car tiveram de conviver.

Para fazer face à falta de recursos humanos, a ARAC irá em parceria com o Turismo de Portugal realizar ações de formação profissional para os trabalhadores já existentes, encontrando-se, no entanto, estas ações abertas a outras pessoas, nomeadamente jovens que pretendam adquirir formação profissional para ingressar nesta atividade apaixonante que é o rent-a-car.

Também e nunca é demais repeti-lo que urge repensar e rever o sistema fiscal incidente nas empresas de rent-a-car, nomeadamente o ISV – Imposto sobre Veículos, o IUC – Imposto Único de Circulação e o IVA – Imposto sobre o Valor Acrescentado.

“Os fatores que mais afetaram o aluguer de veículos no ano em curso foram seguramente a falta de veículos destinados às empresas de rent-a-car (…) e a falta de profissionais para o setor”

Tendo Portugal uma fiscalidade automóvel das mais elevadas da europa, a redução dos impostos aplicáveis ao automóvel (principal ativo das rent-a- car’s utilizados na exploração), nomeadamente o ISV – Imposto sobre Veículos e o IUC – Imposto Único de Circulação, contribuiriam de forma decisiva para que os preços praticados não registassem aumentos tão significativos, tornando o nosso país competitivo com os demais países europeus, nomeadamente com Espanha (concorrente mais direto de Portugal) onde a carga fiscal incidente sobre o automóvel é claramente inferior à portuguesa e onde a atividade de rent-a-car possui isenções não existentes no nosso país.

Também a aplicação da taxa intermédia de IVA, a qual é de 13% à prestação de serviços de rent-a-car, à semelhança do que se passa com a maioria dos demais serviços turísticos, seria de vital importância para a
competitividade da atividade de rent-a-car e do turismo em geral, pois não devemos esquecer que o rent-a-car é o primeiro e o último serviço utilizado pelos turistas que nos visitam e forte angariador de turistas para visita ás várias regiões do país, nomeadamente do interior, o qual só é acessível de automóvel.

Para uma maior competitividade no rent-a-car urge, pois, fazer uma revisão do quadro da fiscalidade automóvel aplicada a esta atividade tão importante para o turismo e para a economia nacional.

Por fim, e no que diz respeito à descarbonização da frota, importa realçar que ao longo das mais de quatro décadas de existência, a ARAC tem contribuído de forma fundamental para a dinamização e a modernização do setor de atividade que representa, contribuindo assim para o progresso económico das empresas suas associadas.

As atividades representadas pela ARAC (rent-a-car, rent-a-cargo, carsharing e ALD) há muito que se envolveram na missão de tornar o planeta mais limpo e atrativo para as atuais e futuras gerações, sendo um setor moderno em matéria de soluções técnicas para a descarbonização, nunca sendo demais referir que a nível mundial o rent-a-car sempre foi o porta-estandarte da mostra ao publico das mais recentes novidades em matéria automóvel e de mobilidade.

“Para uma maior competitividade no rent-a-car urge, pois, fazer uma revisão do quadro da fiscalidade automóvel aplicada a esta atividade tão importante para o turismo e para a economia nacional”.

Conscientes da necessidade do cumprimento das metas estabelecidas pela Comissão Europeia e pelo Estado Português com vista à redução das emissões de gases com efeitos de estufa nos próximos anos, com o objetivo de atingir a neutralidade carbónica em 2050, entendemos que a implementação da mobilidade elétrica, com recurso a veículos automóveis elétricos e veículos híbridos plug-in, é imprescindível para a aposta no novo paradigma na mobilidade sustentável, através da substituição progressiva de veículos de combustão interna por veículos elétricos e híbridos plug-in, pelo que entendemos justificar-se a atribuição de incentivos financeiros destinados à aquisição, pelas empresas de rent-a-car, rent-a-cargo e carsharing, de veículos elétricos e híbridos plug-in, com o objetivo de concretizar no nosso país, de forma célere, os objetivos do combate às alterações climáticas, na vertente da mitigação, e do desenvolvimento sustentável.

É expectável uma subida de preços no próximo ano no setor da rent-a-car?

Se continuar a verificar-se a dificuldade de aquisição de veículos e o aumento dos vários custos de exploração por parte das empresas de rent-a-car e tendo em atenção a inflação que atinge toda a economia poderá ser inevitável a subida de preços dos serviços de aluguer de veículos sem condutor.

O aumento de preços abrange todo o tipo de contratos de aluguer, mas com especial incidência nos contratos celebrados por períodos mais curtos, os quais implicam maiores custos (preparação e higienização das viaturas, maior número de trabalhadores para preparação e entrega de viaturas, maior consumo de combustíveis e custos de transporte para deslocação de viaturas entre estações de aluguer, etc.).

“Poderá ser inevitável a subida de preços dos serviços de aluguer de veículos sem condutor”

Como é que estão as rent-a-car’s a responder ou a encontrar alternativas para a falta de viaturas?

Para responder à falta de fornecimento de viaturas, nas quantidades necessárias para operar a renovação e reposição de veículos veículos que as empresas foram obrigadas a alienar para fazer face às dificuldades económicas geradas pela pandemia, as empresas procuram manter em frota veículos por períodos maiores, embora como é sabido o prazo máximo de veículos afetos à atividade é de cinco anos, importação de outros países e obviamente compra ou celebração de contratos de locação financeira com operadores nacionais de comércio automóvel.

Em suma é uma situação difícil, esperando, no entanto, que a regularização da distribuição automóvel seja normalizada o mais rapidamente possível.

Que desafios se colocam à atividade neste cenário económico e social incerto?

Em paralelo com os danos causados pela SARS-COV 2 e a invasão russa da Ucrânia, de acordo com as previsões do banco mundial, assistimos atualmente a um desaceleramento da economia mundial, que tudo indica está a entrar num período eventualmente longo de fraco crescimento económico e de inflações elevadas na generalidade dos países. O risco de estagflação é elevado com consequências que se preveem danosas para as economias mais débeis.

2023 será, pois, um ano de grandes incertezas na maioria das economias. Portugal poderá, no entanto, ter novamente no turismo o seu motor económico que poderá levar, segundo dados da WTTC, em 2023 a ultrapassar os valores registados em 2019 (até hoje considerado o melhor ano turístico de sempre) e deste modo liderar a recuperação da economia a nível nacional, a qual deverá crescer 4,8%, representando o turismo 39,5 mil milhões de euros e 17,4% da riqueza gerada pelo país.

No que respeita ao emprego, as previsões apontam para um crescimento dos postos de trabalho gerados pelo turismo, o qual poderá em 2023 representar mais de 1 milhão de pessoas empregadas neste importante setor da economia.

Deste modo e tendo em atenção a generalidade das previsões económicas poderemos (caso não existem fatores imponderáveis) estar perante um bom ano turístico, apesar da crise económica atrás referida.

Quando é que a ARAC irá realizar a sua próxima convenção?

A IV Convenção Nacional da ARAC encontra-se prevista para fevereiro do próximo ano em local ainda a definir, mas que desta vez será fora de Lisboa, cujo tema se centrará nos NOVOS DESAFIOS DA MOBILIDADE contando com oradores de excelência e importantes e atuais painéis, como por exemplo: A Mobilidade Sustentável – Os novos veículos e a importância das empresas de aluguer na modernização do parque automóvel; O futuro do low-cost; Papel do rent-a-car no ecossistema da mobilidade e os novos modelos de Mobilidade Urbana; Que Turismo Precisa Portugal?; Os clientes mudaram? / Os Millenials e os nativos digitais; Papel do rent-a-car no ecossistema da mobilidade e os novos modelos de Mobilidade Urbana; Regulação / Quadro legal / Desafios da regulação num setor em evolução.

Estes serão alguns dos temas a abordar neste importante evento do Turismo e da Mobilidade em Portugal, nunca sendo de mais referir de que sem mobilidade não existe turismo.

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