A Hyatt Hotels Corporation quer reforçar de forma significativa a sua presença em Portugal, com planos para triplicar o número de quartos no país até 2027. “Portugal é um foco muito estratégico em termos de crescimento da Hyatt”, afirmou Nuno Galvão Pinto, Regional Vice President Development Southern Europe, em entrevista ao TNews, sublinhando a ambição de alargar a presença para além dos principais centros urbanos e destinos turísticos já consolidados.
Este reforço surge após um crescimento rápido da operação no país ao longo dos últimos meses. Atualmente, a Hyatt conta com cinco unidades em operação em Portugal, distribuídas por Lisboa, Algarve e Madeira – o Hyatt Regency Lisbon, o Dreams Madeira Resort Spa & Marina e os recentemente inaugurados Hyatt Regency Vilamoura, Masana Algarve Resort by Hyatt e Andaz Lisbon – número que contrasta com apenas duas unidades até 2025. Ainda este ano está prevista a abertura do The Standard Lisbon.
Relativamente às novas unidades em Portugal, o responsável mostra-se confiante quanto ao seu desempenho. “Estamos muito positivos e a preparar os hotéis com antecedência para entrarem no mercado da melhor forma”, afirma, antecipando que venham a posicionar-se de forma competitiva nos respetivos segmentos.
Expansão para além das grandes cidades
A estratégia do grupo hoteleiro passa por diversificar geografias e conceitos, adaptando cada projeto ao destino. Nuno Galvão Pinto explica que o grupo pretende crescer tanto em destinos urbanos como de lazer, incluindo regiões emergentes. “Queremos crescer no Algarve, mas também entrar no Douro, no Alentejo, na Comporta e até em localizações do interior como a Serra da Estrela, com produtos mais pequenos e boutique”, afirma, sublinhando a intenção de explorar diferentes segmentos de procura.
“Queremos crescer no Algarve, mas também entrar no Douro, no Alentejo, na Comporta e até em localizações do interior como a Serra da Estrela, com produtos mais pequenos e boutique”
Lisboa mantém-se, no entanto, como um eixo central da estratégia. Segundo o responsável, a capital portuguesa tem vindo a afirmar-se no segmento upscale. “Lisboa está a posicionar-se cada vez mais a um nível alto, de luxo”, refere, acrescentando que o grupo procura também oportunidades para introduzir marcas de topo, como Park Hyatt, no mercado nacional.
Em paralelo, a Hyatt pretende reforçar a presença em segmentos de gama média, com marcas como Hyatt Place, Hyatt Centric ou Hyatt House, não só em Lisboa e Porto, mas também em cidades secundárias como Coimbra ou Évora. “Temos uma estratégia bem definida para o país, com produtos adaptados a cada localização”, sublinha.
Procura cresce e torna-se mais diversificada
O desempenho do grupo no sul da Europa tem acompanhado esta dinâmica de crescimento. Embora sem avançar dados concretos, o responsável indica que “estamos a ver a continuação dessa vaga positiva que tivemos em 2025”, com forte procura nos segmentos de luxo e lazer, mas também em viagens de negócios e MICE.
Ao nível da procura, os mercados externos mantêm-se diversificados, com destaque para Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França e Espanha.
Portugal acompanha esta evolução. “Hoje é um destino muito mais maduro e conhecido a nível mundial”, referiu o responsável, apontando fatores como clima, cultura, segurança e diversidade da oferta como determinantes para a atratividade do país.
“Temos uma estratégia bem definida para o país, com produtos adaptados a cada localização”
Ao mesmo tempo, o comportamento dos viajantes está a mudar. A procura por “experiências autênticas”, ligadas à gastronomia e à cultura local, tem vindo a ganhar peso face à componente exclusivamente hoteleira.
Entre as principais tendências identificadas está também a alteração nos padrões de reserva. O segmento individual (transient) apresenta janelas de reserva cada vez mais curtas, enquanto o segmento MICE mantém um planeamento mais antecipado. Destaca-se ainda o crescimento do chamado “bleisure”, que combina viagens de negócios com estadias de lazer, prolongando a permanência dos clientes nos destinos.
O grupo não identifica, para já, sinais relevantes de pressão sobre preços no segmento em que opera. “Não estamos a ver uma pressão nos preços médios em Portugal”, afirma, sublinhando também o crescimento da procura fora da época alta, impulsionado pela diversificação da oferta turística.
Ainda assim, persistem desafios operacionais. Nuno Galvão Pinto admite que “existem dificuldades com custos operacionais, energia e também em encontrar pessoas”, sobretudo em localizações fora dos grandes centros urbanos, como no Alentejo, embora mantenha uma perspetiva otimista para o médio e longo prazo.
Crescimento seletivo e foco em parcerias
A nível regional, o sul da Europa continua a concentrar oportunidades de investimento. “Portugal, Espanha, Itália e Grécia são mercados com grande interesse em termos de desenvolvimento hoteleiro”, refere, acrescentando que o grupo pretende crescer de forma seletiva, privilegiando boas localizações e parcerias de longo prazo.
No campo da inovação, a Hyatt tem vindo a integrar soluções de inteligência artificial para melhorar a experiência do cliente e apoiar a operação. Entre as aplicações destacam-se ferramentas que permitem pesquisar estadias com base no tipo de experiência pretendida, bem como a integração com plataformas como o ChatGPT, facilitando a interação direta entre clientes e a marca. Ao nível operacional, o grupo está também a testar soluções que permitem analisar dados em tempo real para apoiar a gestão hoteleira.
“Portugal, Espanha, Itália e Grécia são mercados com grande interesse em termos de desenvolvimento hoteleiro”
Apesar da aposta tecnológica, o grupo sublinha que o fator humano continua a ser central na experiência de hospitalidade. “O mais importante continua a ser o aspeto humano”, sublinha.
A nível da região EAME, onde Portugal se insere, a Hyatt conta atualmente com um pipeline de cerca de 70 hotéis e mais de 15 mil quartos.



