O início de um novo ano representa, para muitos agentes de viagens, a oportunidade de reforçar estratégias, consolidar clientes e melhorar resultados. Mas, segundo vários profissionais citados pelo TravelPulse, há erros recorrentes que podem comprometer o desempenho das agências em 2026, desde a gestão da relação com o cliente até à definição de objetivos e à utilização da inteligência artificial.
Perder o ritmo após um ano positivo
Tyson Wharton, proprietário da Sioux Empire Travel, afirmou ao TravelPulse que um dos principais riscos para 2026 é a complacência após um ano de bons resultados. “Um dos maiores erros é tirar o pé do acelerador depois de um ano forte. O momentum perde‑se facilmente se assumirmos que o sucesso se mantém sozinho”, alertou.
Wharton defende que os agentes que continuarão a destacar‑se serão aqueles que mantêm presença constante junto dos clientes, investem em formação contínua e permanecem ativos nas redes sociais.
Falta de objetivos claros
Para Mark Hennigan, cofundador da Dreamers Travel, a ausência de um plano estruturado é outro erro comum. “Se não tiver um objetivo escrito, como sabe o caminho que está a seguir? Não se conduz de Nova Iorque a Seattle sem um mapa”, disse ao TravelPulse.
Além de definirem objetivos por escrito, os agentes beneficiam também da “implementação de sistemas que permitam trabalhar de forma mais inteligente, e não mais árdua”, como a automatização de e‑mails através de um CRM, sugere o especialista.
Criar uma campanha de marketing – que pode incluir estratégias para campanhas publicitárias, capitalizar fundos cooperativos ou aumentar a presença nas redes sociais com publicações diárias – irá esclarecer os consultores sobre onde e como estão a direcionar os seus negócios, acrescenta Hennigan.
Negligenciar clientes existentes
A retenção é apontada como prioridade por vários profissionais. Kim Cook, proprietária da Love to Travel, afirmou ao TravelPulse que muitos agentes continuam a concentrar‑se excessivamente na aquisição de novos clientes.
“Depois de 30 anos no setor, vejo o mesmo erro repetidamente: perseguir novos clientes enquanto os que já confiam em nós se afastam silenciosamente”, afirma.
Cook sublinha a importância de manter contacto regular entre viagens, através de newsletters, conteúdos relevantes e acompanhamento pós‑viagem, práticas que, segundo a especialista, reforçam a fidelização e geram recomendações.
Dificuldade em comunicar valor
Com o aumento do número de novos agentes no mercado, a diferenciação torna‑se essencial. “O que se torna cada vez mais importante é conseguir articular claramente o que o torna único. Descurar isso é receita para desaparecer no meio da multidão”, defende Anna Tretter, CEO da Tretter Travel.
Talitha Park, da Anew Travel, acrescenta que tentar ser “tudo para todos” é outro erro frequente, defendendo foco nos clientes que realmente se alinham com o posicionamento da agência.
Mark Hennigan reforça ainda a importância de qualificar clientes antes de enviar propostas e recomenda solicitar cópias de passaportes para evitar erros de nome em reservas aéreas.
Uso inadequado de IA
A adoção de ferramentas de inteligência artificial deve ser equilibrada, defende Anna Tretter. “Os consumidores estão cada vez mais desconfiados de conteúdos que soam a IA. A empatia e o conhecimento especializado continuam a ser a verdadeira vantagem competitiva.”
A CEO sugere que os agentes utilizem IA para tarefas administrativas, mas preservem a criatividade e o contacto humano.
Não cobrar (ou não explicar) taxas de serviço
A cobrança de taxas continua a dividir opiniões, mas muitos profissionais defendem que é essencial para a sustentabilidade do negócio. “O nosso tempo, expertise e relações têm valor”, afirmou Tretter ao TravelPulse.
Isabel Perez, consultora de viagens de luxo na Forest Travel, reforça a importância da transparência: “Se cobra taxas ou depósitos, é crucial definir expectativas desde o início. A transparência constrói confiança.”
Gerir mal discrepâncias de preços online
A comparação com preços encontrados na internet continua a ser um desafio. Isabel Perez recomenda solicitar capturas de ecrã para garantir que se comparam condições equivalentes – bagagem, reembolsos, classe de serviço – e alerta que muitos preços online omitem taxas ou provêm de sites pouco fiáveis.




