Domingo, Agosto 14, 2022
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“Foi um ano de muitas adversidades, mas estamos felizes por reabrir e voltar a receber todas as famílias e amigos”

No Zoomarine a diversão e a educação ambiental andam de mãos dadas há 30 anos. O parque, que está a comemorar o seu 30º aniversário em 2021, reabriu no passado dia 19 de maio. Este ano, mantêm-se as restrições: uma lotação muito limitada, a recomendação de que os pagamentos no interior do parque sejam feitos com cartões contactless e as regras de check-in prévio obrigatório. Em entrevista ao TNews, Pedro Lavia, fundador do Zoomarine, conta como o parque viveu estes tempos de pandemia. O regresso aos números de 2019 só é esperado daqui a dois ou três anos, mas, à medida que a vacina é administrada e as medidas restritivas levantadas, será possível aumentar a capacidade que, neste momento, se encontra a um terço.

O Zoomarine está a celebrar este ano 30 anos. Como vão assinalar esta data?
Visitar o Zoomarine e receber tantas famílias e amigos diariamente já é uma verdadeira celebração diária para todos nós. Vivemos momento de pura felicidade quando percebemos que conseguimos fazer os nossos visitantes esquecer o dia-a-dia e viver esta experiência. Mas dada a situação de pandemia em que ainda nos encontramos, optámos por manter todas as regras impostas no ano passado, pelo que será um aniversário com celebrações muito limitadas do ponto de vista de eventos comemorativos. Por outro lado, quem nos visitar em 2021, terá a oportunidade de desfrutar do parque com um número de visitantes inferior àquilo a que o Zoomarine nos tem vindo a habituar, o que significa mais diversão e menos tempo de espera nas diversões. E se algumas coisas mudaram, outras hão-de se manter sempre, como é o caso da boa disposição e qualidade de atendimento que nos são tão caraterísticos, e claro, as memórias inesquecíveis que aqui se criam.


O que é que o fez apostar em Portugal há 30 anos?

Inicialmente, este projeto era para ter sido realizado no Rio de Janeiro, mas devido a complicações políticas, decidimos rumar à Europa. O primeiro sítio onde estivemos com golfinhos foi em Lisboa, no Jardim Zoológico, onde construímos o primeiro delfinário em Portugal e nos mantivemos durante dois anos. Mas como o meu sonho sempre foi realizar um projeto de parque direcionado à vida marinha, foi numa visita com a minha esposa ao Algarve que nasceu o nosso interesse pela região, depois de termos percebido que havia uma necessidade de encontrar alternativas ao sol e à praia. Ficámos realmente impressionados com a quantidade de hotéis e infraestruturas, as belas praias e claro, a gastronomia muito rica, o que nos fez crer que o futuro da Europa, em termos de proximidade, passava por aqui. Porque tal como Cancun, no México, representa uma potência para o turismo norte-americano, também o Algarve é um ponto de referência para o turismo da Europa, especialmente para os visitantes ingleses. A partir daí, procurámos um terreno, conseguimos este na zona central da região e demos início à construção deste parque que é hoje um verdadeiro marco turístico.


A conservação da natureza e do ambiente sempre foi uma questão na origem do Zoomarine ou veio a afirmar-se com o tempo?

A conservação das espécies e da natureza é algo que está na génese do Zoomarine. A famosa frase de Baba Diuom, engenheiro florestal senegalês, diz que “apenas protegemos o que amamos, apenas amaremos o que compreendemos, e apenas compreendemos o que nos é ensinado”, e isto resume muito bem a nossa missão de educar as pessoas, que é algo que tentamos fazer sempre com muita alegria e diversão. Exemplo claro da importância que atribuímos ao ensino e à informação da comunidade, é o Convénio de Colaboração com a Universidade do Algarve em 1990, ainda antes do parque ter aberto em 1991. Este é um protocolo que nos tem permitido uma troca de experiências e conhecimentos muito positiva, que se tem traduzido num grande número de colaboradores Zoomarine formados nesta instituição.

Pedro Lavia fundou o Zoomarine em 1991


O que é que faz do Zoomarine um projeto de sucesso e uma referência em Portugal?

O Zoomarine é um parque muito completo e com uma oferta integrada que agrada a qualquer idade, e por isso é que é um produto único em Portugal. Isto faz de nós uma referência não só a nível turístico como também a nível de estrutura enquanto parque, pois é inovador, progressista e moderno. Somos o único parque temático do país e acredito que o nosso êxito se deva ao facto de conseguirmos conciliar diversão com educação ambiental, sensibilizando os nossos visitantes para a conservação e proteção da vida dos oceanos, das suas espécies e dos seus habitats.



Quais foram os impacto da pandemia no Zoomarine? Como é que têm conseguido sobreviver neste período?

A pandemia tem sido um período de grandes desafios para nós. Mas, felizmente, não houve nenhum caso de covid no meio de mais de 150 colaboradores. Acreditamos que a ausência de casos de deva aos cuidados que adotámos, nomeadamente, o rigoroso plano de contingência sanitária que implementámos, com reforço das equipas de limpeza e de desinfeção de todas as áreas. Aplicámos ainda o teletrabalho, e noutros casos o trabalho em espelho para evitar o cruzamento de pessoas, sabendo o risco que seria descurar o Bem-estar diário dos nossos animais. Apenas foram reduzidas as equipas relacionadas com o serviço aos clientes uma vez que encerrámos durante 7 meses. Para essas situações recorremos aos vários apoios disponibilizados pelo Governo. Embora este tenha sido um ano de muitas adversidades, estamos felizes por reabrir e voltar a poder receber todas as famílias e amigos e famílias que nos queiram visitar, sempre em segurança. Todos juntos vamos recuperar, lentamente, o caminho de sucesso que tão bem carateriza o Turismo do Algarve e o Zoomarine.

Quando acreditam que podem retomar à normalidade?

À semelhança do ano passado, estamos focados no bem-estar dos nossos visitantes e colaboradores, voltando a implementar todas as medidas preventivas que garantam uma visita segura. Alguns exemplos são a observação do distanciamento social em todos os espaços, a redução da máxima lotação para 30% garantida através de check-in prévio e o reforço dos procedimentos de higiene e desinfeção de superfícies, equipamentos e espaços públicos. Quanto à recuperação, esperamos que esteja para breve, tendo a perfeita noção de que ainda temos 2 ou 3 anos pela frente até regressarmos a um volume de negócios semelhante ao que existia antes da pandemia. Acreditamos que, à medida que a situação vá melhorando, nomeadamente através da administração da vacina, talvez possamos começar a levantar as medidas restritivas e aumentar a nossa capacidade que neste momento se encontra a 1/3.

As questões ambientais e de preservação e conservação da natureza estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia, qual deve ser o posicionamento, a função e a responsabilidade de um parque temático?

Embora as questões que refere estejam agora mais em voga, para nós, enquanto Zoomarine, já são preocupações muito fortes que temos desde sempre e fazem parte do nosso ADN. O Zoomarine foi desde o seu início idealizado como uma oportunidade de sensibilizar e promover uma consciência ambiental nas pessoas de forma descontraída e divertida, ao mesmo tempo que assistem às apresentações ao vivo do Zoomarine. Um claro exemplo do trabalho que temos desenvolvido na área ambiental e de proteção da vida nos oceanos é o Porto d’Abrigo do Zoomarine, um centro de reabilitação, onde recebemos as mais variadas espécies marinhas, desde focas a tartarugas ou golfinhos, as recuperamos e depois devolvemos ao oceano. A juntarem-se a esta iniciativa, estão também a Campanha Praia Limpa, onde juntamos vários voluntários e realizamos limpezas de praia em várias zonas do Algarve, e a Operação Montanha Verde, através da qual plantamos consideráveis quantidades de árvores, contando já com mais de 79.000 árvores plantadas. A combinação de todos estes elementos mais as visitas realizadas no âmbito do projeto EDUcar – o programa itinerante de Educação Ambiental do Zoomarine no Algarve e Alentejo – ajudam, sem dúvida, a passar a mensagem de que todos podemos contribuir para a proteção de espécies e ecossistemas que nos rodeiam, fazendo daquele que é o nosso único mundo um sítio melhor.

Além das várias iniciativas de sensibilização promovidas pelo Zoomarine, também  temos estado a dar o nosso contributo ao passar a nossa frota para carros elétricos, removendo assim, pouco a pouco, quaisquer veículos movidos a combustão. Neste momento os veículos que circulam no interior do parque, assim como o EDUcar e as viaturas de promoção do Zoomarine já são 100% elétricos.


Sendo um visionário, como é que imagina o Zoomarine no futuro?

Imagino um Zoomarine certamente maior e com novas atrações. Enquanto membros da IAAPA – Associação Internacional de Parques e Atrações de Diversões, a procura pela inovação e melhoria dos nossos equipamentos é constante, por isso é que vamos visitando outros parques e vamos apresentando novidades em termos de entretenimento e diversão aos nossos visitantes, surpreendendo sempre quem nos volta a visitar ou visita pela primeira vez. O mesmo se aplica às apresentações ao vivo, onde o nosso objetivo passa por ir agregando novas espécies de modo a que consigamos enriquecer a nossa coleção zoológica e, consequentemente, o conhecimento do público ao proporcionarmos a oportunidade de verem os animais e saberem mais sobre eles e, de uma forma mesmo que indireta ou inconsciente, serem tocadas pela nossa mensagem. Ambicionamos, portanto, ser maiores e ainda melhores naquilo que aqui fazemos, mantendo sempre os nossos valores e nunca esquecendo a nossa missão de educar, divertir, preservar, conhecer e desenvolver o planeta em que vivemos.

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