A greve de controladores de tráfego aéreo em França provocou esta quinta-feira, 3 de julho, atrasos e cancelamentos em vários aeroportos do país. A situação deverá agravar-se na sexta-feira, com impacto previsto no tráfego aéreo em toda a Europa.
Às 08:00 em Lisboa (09:00 locais), os voos ainda em operação enfrentavam atrasos significativos, segundo a Autoridade Francesa de Aviação Civil (DGAC), citada pela agência France-Presse (AFP): as partidas e chegadas no aeroporto de Nice registavam um atraso médio de 45 minutos, enquanto em Paris-Orly as partidas acumulavam atrasos de cerca de 36 minutos.
Os aeroportos mais afetados localizam-se maioritariamente na metade sul do país. Em Bastia e Calvi (Córsega), metade dos voos foi cancelada, enquanto em Lyon, Marselha, Montpellier, Ajaccio e Figari os cancelamentos rondavam os 30%. Na região de Paris, cerca de 25% das ligações com origem ou destino em Charles-de-Gaulle e Orly foram também anuladas. Em Beauvais, aeroporto utilizado sobretudo por companhias low-cost, os cancelamentos atingiram igualmente 25%.
Segundo a Eurocontrol, estavam previstos cerca de 25.800 voos comerciais esta quinta-feira no continente. Às 08h55, o atraso médio por voo ultrapassava os 18 minutos, sendo que 83% desses atrasos foram atribuídos à paralisação em França.
Para sexta-feira, a DGAC ordenou uma redução de 40% no número de voos nos aeroportos de Paris e Beauvais, prevendo-se uma intensificação dos constrangimentos.
A associação Airlines for Europe, que representa companhias como Air France-KLM, Lufthansa, British Airways, easyJet e Ryanair, classificou a greve como “intolerável”, alertando para o impacto negativo que terá “nos planos de férias de milhares de pessoas”.
A paralisação foi convocada pelo segundo e terceiro maiores sindicatos do setor, Unsa-Icna e Usac-CGT. Entre os motivos apontados pelo Unsa-Icna estão a “falta de pessoal, que se mantém e é responsável pelos atrasos durante uma boa parte do verão”, o recurso a “ferramentas obsoletas” e uma “gestão tóxica, incompatível com os imperativos de serenidade e segurança exigidos”. O principal sindicato da classe, o SNCTA, optou por não aderir à greve.
Na quarta-feira, o ministro dos Transportes francês, Philippe Tabarot, recusou ceder: “As reivindicações feitas pelos sindicatos minoritários são inaceitáveis, assim como a decisão de realizar esta greve no momento das principais saídas de férias”, disse, acrescentando que estava “determinado a manter-se firme face a este movimento”.



