O Grupo NOV Turismo, que opera atualmente cinco unidades da cadeia Hotéis Eurosol em Portugal, faz um balanço positivo dos primeiros seis meses de 2026, registando uma evolução favorável face ao período homólogo do ano passado. Em entrevista ao TNews, Márcia Viegas, diretora de Marketing, Qualidade, Ambiente e HACCP do Grupo NOV Turismo, afirma que os resultados estão em linha com as expectativas definidas para este ano.
“O primeiro semestre de 2026 refletiu uma evolução positiva face ao período homólogo de 2025, em linha com os objetivos que definimos para este ano. Apesar de continuarmos a acompanhar com prudência a evolução do mercado, os indicadores obtidos até ao momento permitem-nos encarar o restante ano com confiança”, refere.
Embora considere ainda prematuro fazer um balanço definitivo da época de verão, a responsável adianta que os dados referentes ao mês de junho e às reservas em carteira apontam para uma estabilização da procura.
“Em termos de ADR e RevPAR, prevemos um ligeiro crescimento, acompanhando a evolução da inflação e refletindo o esforço contínuo de valorização da nossa oferta”, acrescenta.
No que diz respeito aos mercados emissores, Espanha continua a assumir um papel central na operação do grupo, que detém a cadeia Hotéis Eurosol.
“O mercado espanhol continua a destacar-se de forma muito significativa, mantendo-se como o principal mercado emissor para as nossas unidades”, explica Márcia Viegas, sublinhando que não foram identificadas alterações relevantes na distribuição dos mercados face aos anos anteriores.
Para os próximos meses, o Grupo NOV Turismo pretende reforçar a sua presença nos mercados espanhol e francês, considerados estratégicos devido à proximidade geográfica, facilidade de acessibilidade e potencial de crescimento.
“O mercado espanhol continua a destacar-se de forma muito significativa, mantendo-se como o principal mercado emissor para as nossas unidades”
Recursos humanos continuam a ser o principal desafio
À semelhança do que acontece em grande parte da hotelaria nacional, o recrutamento e a retenção de talento continuam a ser a principal preocupação do grupo.
“O maior desafio continua a ser o recrutamento e a retenção de recursos humanos, quer de profissionais qualificados, quer de colaboradores sem experiência, cuja formação passa a ser assegurada internamente”, afirma.
A responsável destaca ainda o aumento dos custos de contexto e um enquadramento legislativo “cada vez mais exigente”, fatores que obrigam a uma gestão particularmente rigorosa.
Para responder a este desafio, o Grupo NOV Turismo tem vindo a melhorar progressivamente as condições salariais, reforçando simultaneamente o reconhecimento do mérito dos colaboradores e as oportunidades de desenvolvimento profissional.
Sustentabilidade, digitalização e inteligência artificial no centro da estratégia
Nos últimos anos, o grupo privilegiou o investimento em infraestruturas técnicas e na melhoria da eficiência energética das unidades hoteleiras. Segundo Márcia Viegas, inicia-se agora uma nova etapa. “Entrámos agora numa nova fase, centrada na modernização gradual dos hotéis e na melhoria do conforto proporcionado aos nossos clientes.”
A sustentabilidade continua a assumir-se como uma prioridade estratégica. Desde 2023, os Hotéis Eurosol participam na plataforma FOREST, desenvolvida no âmbito do programa Empresas Turismo 360º, do Turismo de Portugal, através da qual monitorizam e reportam os seus indicadores de sustentabilidade.
Ao nível da digitalização, o grupo iniciou um processo de transformação dos procedimentos internos, começando pela digitalização da correspondência e dos documentos contabilísticos. O próximo passo passará pela digitalização dos processos de reserva.
Já no domínio da inteligência artificial, Márcia Viegas refere que o grupo acompanha atentamente a evolução destas soluções e participa em programas que promovem a ligação entre empresas do turismo e startups inovadoras.
“Esta abordagem permite-nos experimentar novas tecnologias de forma gradual e com risco reduzido, contribuindo simultaneamente para a inovação e para a validação das soluções desenvolvidas.”
“Entrámos agora numa nova fase, centrada na modernização gradual dos hotéis e na melhoria do conforto proporcionado aos nossos clientes.”
Impacto da conjuntura internacional continua a ser acompanhado
Questionada sobre a influência da instabilidade económica e geopolítica no negócio, Márcia Viegas refere que, até ao momento, o impacto tem sido reduzido.
“Até ao momento, a instabilidade internacional não teve um impacto significativo na nossa atividade.”
Ainda assim, recorda os efeitos da tempestade Kristin, que afetou algumas unidades do grupo em Leiria no início do ano, e admite que os conflitos no Médio Oriente poderão vir a refletir-se nos custos das viagens e das matérias-primas.
“Mantemos uma perspetiva moderadamente otimista para o segundo semestre. Contudo, a evolução do contexto internacional, nomeadamente os conflitos no Médio Oriente e o eventual impacto nos custos dos combustíveis, poderá condicionar as margens do setor e o poder de compra das famílias.”
Apesar das incertezas, a expectativa é encerrar o ano com resultados positivos e em linha com os objetivos definidos.
Hotelaria mais sustentável, tecnológica e consolidada
Para Márcia Viegas, os próximos anos serão marcados pela influência crescente do contexto geopolítico internacional, das alterações climáticas e da inovação tecnológica. “A sustentabilidade, a digitalização e a inovação tecnológica terão um peso cada vez maior na competitividade das empresas.”
A responsável antecipa também um abrandamento do ritmo de crescimento da oferta hoteleira em Portugal, sobretudo nos principais centros urbanos, cenário que poderá contribuir para uma maior consolidação e valorização das unidades existentes.
Atualmente, a E.H. Hotéis e Turismo, do Grupo NOV Turismo, opera cinco unidades da cadeia Hotéis Eurosol em Portugal: Eurosol Leiria & Jardim, Eurosol Residence, Eurosol Alcanena, Eurosol Seia Camelo e Eurosol Gouveia.




