A PortoBay Hotels & Resorts prepara um novo ciclo de investimento em 2026, com destaque para o arranque da construção de um boutique hotel de cinco estrelas no Funchal, num projeto que deverá “rondar os cerca de 20 milhões de euros”, e para a “requalificação muito profunda” do PortoBay Falésia, no Algarve, que implicará um investimento de “mais de duas dezenas de milhões”, adiantou ao TNews Cláudio Santos, CEO do grupo, à margem do primeiro dia da BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market.
Novo cinco estrelas na Zona Velha do Funchal arranca no final do ano
Sem inaugurações previstas, 2026 será “um bocadinho atípico”, uma vez que o grupo tem procurado, nos últimos anos, estar “relativamente próximo de uma nova abertura”. Em termos de novos projetos hoteleiros, o foco estará no arranque da construção de uma unidade na Madeira.
“Este ano, temos um projeto novo para começar a construir no Funchal mais para o final do ano; infelizmente não dá para começar mais cedo. Esse projeto é novo e é diferente, de um nível bastante elevado”, disse Cláudio Santos ao TNews.
O futuro PortoBay Old Town, a nascer na Zona Velha do Funchal, será um boutique hotel de cinco estrelas, com “pouco mais de 50 quartos”. A expectativa, disse, é que a unidade “abra portas para a passagem de ano de 2028-2029”.
“Ainda estamos em fase de orçamentação, mas este é um projeto que vai rondar os cerca de 20 milhões de euros”, adiantou o CEO. “Tivemos a sorte de conseguir comprar um terreno, relativamente o último terreno disponível que havia”.
Localizado numa das zonas históricas mais emblemáticas da cidade, o hotel será desenhado para respeitar a envolvente urbana. “Preferimos fazer quartos muito maiores e ter uma carga de pessoas muito mais pequena numa zona histórica e de ruas estreitas, para tentar compatibilizar o que é o projeto com a natureza daquela zona. Portanto, é um projeto especial nesse sentido”, acrescentou.
Num comunicado divulgado à imprensa durante a BTL, o grupo PortoBay adiantou ainda que, “no futuro, contamos dar continuidade à nossa presença no Algarve com uma nova unidade de cinco estrelas em Lagos”.
Requalificação integral de mais de duas dezenas de milhões no Algarve
Em 2026, a PortoBay Hotels & Resorts vai realizar “grandes investimentos em renovações”, com foco na modernização do portfólio, afirmou Cláudio Santos ao TNews. “Este ano é um bom momento para fazermos investimentos mais fortes”.
O grupo vai avançar com a renovação integral do PortoBay Falésia, unidade de 310 quartos. “É um projeto onde prevemos arrancar as obras já antes do fim do ano e prevemos um investimento muito substancial. Ainda estamos a negociar o valor do orçamento com as construtoras, mas é um projeto para mais de duas dezenas de milhões de euros. É uma requalificação muito profunda a todos os níveis”, avançou o responsável.
Para concretizar as obras, a unidade vai encerrar temporariamente. “O hotel vai ser fechado; é uma obra que não dá para fazer com o hotel aberto. Diria que o melhor cenário é que durem nove meses”, referiu, acrescentando que a intenção é realizar a intervenção fora dos meses de verão.
“No final de 2027, no pior cenário, os dois hotéis do Algarve ficariam completamente renovados”, dando vida ao conceito do futuro Vila PortoBay Algarve, que conjugará o Falésia com o vizinho PortoBay Blue Ocean.
Também em Lisboa será dada continuidade à requalificação do PortoBay Liberdade, com ampliação das áreas de bem-estar e renovação de quartos, enquanto no Brasil avançará o projeto de ampliação do L’Hotel PortoBay São Paulo, onde estão previstas 30 novas suites.
O grupo referiu ainda, em comunicado, que está a “preparar novas iniciativas no domínio da sustentabilidade, com especial enfoque no reforço do nosso impacto social positivo nos territórios onde operamos”.
Para 2026, a PortoBay traça “uma visão prudente, mas confiante”, alertando para a “instabilidade geopolítica” e para “uma sensibilidade acrescida ao preço”, com “reservas efetuadas cada vez mais próximas da data de viagem” e “sinais de moderação da procura” em Lisboa e Porto. Refere ainda o “risco de abrandamento do poder de compra nos principais mercados emissores”, nomeadamente Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos.
Grupo PortoBay cresce 14% para receitas de 149M€ em 2025
Segundo o comunicado distribuído na BTL, a PortoBay encerrou o ano com uma receita de 149 milhões de euros, o que representa um aumento de 14% face ao ano anterior.
Em Portugal, onde o grupo opera na Madeira, Algarve, Lisboa e Porto, a faturação atingiu 134 milhões de euros (+14%), com uma taxa média de ocupação anual de 88%, “praticamente em linha com o ano anterior”. No Brasil, as unidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Búzios registaram uma receita de 95 milhões de reais (+16%) e uma ocupação de 77%.
Em 2025, o perfil dos hóspedes manteve-se “predominantemente internacional”, representando mais de 90% da operação do grupo, com destaque para o Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Brasil e Portugal.
O grupo destaca ainda o seu programa de fidelização Prestige by PortoBay, que “foi responsável por 35% das dormidas em Portugal e 28% no Brasil”.
Atualmente, a PortoBay Hotels & Resorts integra 17 unidades hoteleiras de quatro e cinco estrelas, num total de 2.041 quartos. No último ano, aumentou a capacidade instalada com a abertura do novo PortoBay Blue Ocean, no Algarve, que iniciou operação durante o verão.
Citado no comunicado, Cláudio Santos refere que “2025 foi um ano particularmente relevante para o grupo, não apenas pelos resultados alcançados, mas também pela transição de liderança que concretizámos com estabilidade e continuidade estratégica”.
“Novo capítulo” com continuidade estratégica
À frente da PortoBay desde setembro de 2025, após a saída de António Trindade da função executiva, mantendo-se como chairman, Cláudio Santos assume uma liderança que define como dual.
“É as duas coisas: é um novo capítulo e há muita coisa para continuar. Diria que há muito mais para continuar do que para descontinuar. Nesse sentido, é claramente uma liderança de continuidade, mas espero que também seja um novo capítulo em algumas coisas”, afirmou ao TNews.
Há 22 anos no grupo, onde anteriormente desempenhava funções como diretor executivo no Brasil, o novo CEO admite que o desafio não estava nos planos. “Isto não era uma coisa que eu tivesse planeado, mas é obviamente gratificante o reconhecimento e o desafio”, sublinhou.



