Habitantes de Sintra e Palma de Maiorca protestam contra turismo massificado

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Sintra e Palma de Maiorca, Espanha, foram palco de protestos durante o fim de semana contra o turismo de massas nas regiões e a consequente perda de qualidade de vida dos habitantes.

A associação QSintra – Em Defesa de um Sítio Único lançou este sábado uma iniciativa contra o “turismo de massas e caos no trânsito”. Segundo reporta a agência Lusa, foram colocadas faixas nas janelas e varandas e cartazes nas montras de lojas, restaurantes e cafés, exigindo à Câmara Municipal medidas contra o excesso de turismo. “Queremos Sintra viva e habitada, não ao turismo de massas!” é um dos lemas que se podem ler nas faixas e nos cartazes.

Em comunicado, a QSintra explica que decidiu passar à ação para evitar que a cidade de Sintra se transforme “num mero parque de diversões congestionado”, nomeadamente “face à perda de qualidade de vida, aos constantes congestionamentos de trânsito e à descaracterização acelerada da zona inscrita como Património Mundial”.

Além dos protestos de rua, a associação publicou no seu site um manifesto intitulado “Sintra é de todos e precisa de todos”. As suas seis reivindicações, diz a Lusa, incluem: revitalização da comunidade e qualidade de vida dos residentes; maior cuidado e mais critério no planeamento e na gestão urbana; turismo de qualidade e não de quantidade; combater a “excessiva dependência” do turismo; recuperar e preservar a natureza, pedindo “regras e fiscalização mais estritas que preservem a paisagem, a área florestal e a orla costeira”; e a criação de uma estrutura especializada para gerir a Paisagem Cultural de Sintra.

A associação exige também “um levantamento sistemático de todos os grandes projetos” de novos hotéis, empreendimentos imobiliários e superfícies comerciais, com vista a “avaliar o seu impacto sobre a paisagem, o ecossistema, a mobilidade e a vida das pessoas”.

Para a QSintra, a cidade “tem todas as condições para se tornar num polo cultural de grande qualidade e projeção mundial em áreas com potencial, como, por exemplo, a música, a literatura, o cinema, as artes plásticas, o artesanato e ofícios, a gastronomia”, sublinha.

“Menos Turismo, Mais Vida”: Palma de Maiorca palco de protesto

Milhares de pessoas aíram à rua este domingo para participar num protesto em Palma de Maiorca, Espanha, contra o turismo massificado na ilha. Os organizadores falam na presença de 50 mil pessoas, mas a Polícia Nacional contabilizou cerca de 12 mil.

A organização do protesto esteve a cargo da plataforma “Menos Turismo, Mais Vida”, que é constituída por mais de uma centena de associações, coletivos e movimentos sociais de Maiorca. De acordo com a Lusa, a manifestação ocorre na época alta do turismo na zona balnear de Espanha e acontece dois meses depois de um protesto semelhante.

A manifestação trata-se de “um ponto de viragem, um murro na mesa e o início de outras ações de mobilização nas quatro ilhas [Menorca, Maiorca, Formentera e Ibiza], não só em Maiorca, que se estenderão além do verão”, disse o porta-voz da plataforma, Pere Joana Femenia, citado pela agência Efe.

Algumas medidas reivindicadas pela “Menos Turismo, Mais Vida” incluem o limite do número de voos, de cruzeiros, do aluguer de automóveis e de casas para férias. Defendem também a regulação da compra de habitação para não residentes.

A Lusa refere que Espanha é o segundo destino turístico do mundo, depois de França, e em 2023 recebeu 86 milhões de visitantes estrangeiros, segundo estatísticas oficiais.

Em 2022, o turismo representou 11,6% do Produto Interno Bruto (PIB) de Espanha, de acordo com o dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, tendo gerado mais de 1,9 milhões de postos de trabalho nesse ano.

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