A indústria hoteleira norte-americana prepara-se para um ano particularmente desafiante. As mais recentes previsões da CoStar e da Tourism Economics apontam para um crescimento nulo das receitas em 2025, refletindo o impacto das pressões económicas e das mudanças nos comportamentos dos viajantes.
Segundo os analistas, a receita por quarto disponível (RevPAR) deverá registar um ligeiro declínio de 0,1% este ano, afastando-se assim das projeções mais otimistas que tinham sido divulgadas anteriormente.
Inflação e custos de entrada no país pressionam viagens
De acordo com a Hotel Management Network, a economia norte-americana deverá crescer apenas 1,5% em 2025, abaixo da previsão inicial de 1,9%. Esta revisão em baixa está associada a pressões inflacionistas persistentes, com o Índice de Preços no Consumidor projetado para subir 2,9% este ano.
O efeito direto é visível nos orçamentos de viagens mais apertados, tanto de consumidores como de empresas, prejudicados também pelas taxas de juro que permanecem em níveis elevados.
Além disto, a partir de 30 de setembro de 2025, viajar para os EUA ficará ainda mais caro: o valor da autorização eletrónica de viagem (ESTA) passará de 21 para 40 dólares (cerca de 35 euros). A subida, confirmada pelo Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), representa uma majoração de quase 90% – a maior desde a criação do programa.
O ESTA é utilizado todos os anos por milhões de turistas e viajantes de negócios no âmbito do Programa de Isenção de Visto (Visa Waiver Program), que permite estadias de curta duração (até 90 dias) a cidadãos de 42 países, incluindo a maioria dos Estados-membros da União Europeia. Este aumento do custo de entrada no país poderá tornar-se mais um travão ao dinamismo da procura internacional.
Segmentação do mercado: luxo resiste, gama média perde tração
Segundo a Hotel Management Network, o setor revela ainda uma mudança no perfil dos consumidores e na procura por viagens. Hotéis de luxo e de gama alta continuam a registar desempenho sólido, apoiados por clientes com maior poder de compra que não reduziram as suas viagens. Pelo contrário, os hotéis de gama média enfrentam maior pressão, com procura mais fraca e margens de lucro a diminuir.
No segmento corporativo, a recuperação continua limitada. As viagens de negócios permanecem abaixo dos níveis pré-pandemia, resultado da consolidação do trabalho remoto e da preferência por reuniões virtuais, o que afeta diretamente as taxas de ocupação e as reservas de grupos.
2026 pode trazer recuperação, mas incerteza mantém-se
Embora 2025 se apresente como um ano de estagnação, os especialistas perspetivam uma recuperação moderada em 2026, com um aumento de 0,8% no RevPAR. Este cenário depende, contudo, de uma melhoria no crescimento económico e da estabilização da inflação.
Ainda assim, o futuro do setor continua condicionado por fatores externos: eventos geopolíticos, confiança dos consumidores e mudanças nas preferências de viagem podem alterar o ritmo da recuperação.



