O Hotel Turismo da Guarda voltou a entrar no radar do investimento turístico, com o Turismo de Portugal a lançar, esta quarta-feira, um novo concurso público para o arrendamento do imóvel, com opção de compra. A renda mensal mínima está fixada em 3.858,34 euros.
Trata-se da sexta tentativa para reabrir o Hotel Turismo da Guarda. As candidaturas ao concurso devem ser submetidas até às 17h00 do 40.º dia a contar da data da publicitação, sendo que o vencedor do concurso público lançado esta quarta-feira deverá ser conhecido em maio.
O concurso destina-se a fins não habitacionais do imóvel, “com vista à realização de obras e posterior exploração para fins turísticos como estabelecimento hoteleiro com a classificação mínima de 4 estrelas, nos termos da legislação em vigor”, lê-se no anúncio do procedimento.
O contrato de arrendamento terá uma duração de 50 anos. No entanto, o futuro arrendatário poderá acionar a opção de compra a partir do quarto ano, mediante o pagamento de cerca de 6,8 milhões de euros ao Turismo de Portugal, atual proprietário do imóvel.
“O valor da opção de compra inclui o valor de mercado do imóvel após a conclusão das obras, deduzido do montante estimado de investimento em reabilitação, acrescido do valor atualizado das rendas devidas até ao final da concessão”, afirma o Turismo de Portugal.
O edifício apresenta uma área bruta de construção de 11.363 metros quadrados. O caderno de encargos impõe regras apertadas quanto à intervenção no imóvel, exigindo o respeito pela traça original do projeto, da autoria do arquiteto Vasco Regaleira, concebido em 1936 sob orientação do ministro Duarte Pacheco.
“As obras de instalação de um novo projeto no Hotel Turismo da Guarda devem obedecer a rigorosos critérios de respeito pelas pré-existências construídas”, indica. O vencedor está ainda impedido de alterar “a coerência formal e construtiva do imóvel” para viabilizar a instalação do seu projeto.
“É expressamente proibida a alteração volumétrica ou a modificação das fachadas, bem como a abertura ou alargamento de vãos nas paredes a preservar”. O Turismo de Portugal considera também “premente recuperar alguns valores arquitetónicos perdidos, clarificando nomeadamente a sua volumetria, anulando ou minimizando o impacto das intervenções posteriores pouco qualificadas”.
“O Hotel Turismo da Guarda possui uma localização privilegiada em pleno centro da cidade com acesso às principais vias de comunicação regionais, A25 e A23, permitindo um acesso facilitado à fronteira de Vilar Formoso (30 minutos) e, dessa forma, à cidade de Salamanca (01:50m)”, indica o mesmo comunicado.
A unidade encontra-se ainda a cerca de 60 quilómetros da cidade de Viseu e a 100 quilómetros de Castelo Branco, estando a aproximadamente duas horas do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto.
Inaugurado em 1947, o Hotel Turismo da Guarda fechou portas em outubro de 2010. Desde então, o imóvel tem passado por vários processos sem sucesso. Em 2011, foi adquirido pelo Turismo de Portugal à Câmara da Guarda com o objetivo de ali instalar a Escola de Hotelaria e Hotel de Aplicação, projeto que viria a ser abandonado no ano seguinte.
Posteriormente integrado no programa Revive – Reabilitação, Património e Turismo, entre 2017 e 2021 registou três tentativas falhadas de concessão. Em 2022, foi retirado do programa e, em 2023, integrado na rede de Pousadas de Portugal. Já em dezembro de 2025, o contrato de arrendamento com a ENATUR foi revogado por mútuo acordo, relançando o processo.



