Quinta-feira, Fevereiro 22, 2024
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Hoteleiros sem fronteiras | Com Duarte Bon de Sousa, Vice-Presidente de Operações da Oetker Collection

“Hoteleiros sem Fronteiras” consiste numa série de entrevistas com profissionais portugueses que desenvolvem a sua atividade no estrangeiro, procurando explorar os seus percursos profissionais e as experiências que têm adquirido em diferentes mercados.

Com Duarte Bon de Sousa

Com uma carreira notável no universo da hotelaria de luxo, Duarte Bon de Sousa partilha o seu percurso profissional desde os primeiros passos até integrar a Oetker Collection, uma coleção de hotéis de excelência. Nesta entrevista, exploramos não apenas os desafios únicos de gerir hotéis no exterior, mas também as recompensas e realizações que marcaram a sua carreira. Duarte Bon de Sousa fala ainda de estratégias eficazes para lidar com as expectativas e necessidades dos hóspedes internacionais e expõe a sua visão sobre as tendências futuras na indústria hoteleira de luxo e os planos de expansão da Oetker Collection.

Como iniciou a sua carreira na indústria hoteleira? 

Desde pequeno que tenho um fascínio pelo mundo da hotelaria, o que me levou a tirar o curso de Direção e Gestão Hoteleira na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE) 

Comecei o meu percurso profissional como Night Manager no Hotel Le Méridien em Lisboa. 

Como foi a sua trajetória profissional até se tornar diretor hoteleiro no estrangeiro?

O dia a dia de um hoteleiro é dura e exige muito esforço pessoal e muita dedicação. Tive a sorte de me cruzar com profissionais de excelência, tanto no Grupos Le Meridien como no Four Seasons, que me ensinaram muito e que me proporcionaram uma base sólida de ferramentas que foram fundamentais para o meu desenvolvimento profissional, antes de assumir o meu primeiro cargo como diretor geral.

O meu primeiro cargo como diretor geral foi na Ilha da Madeira, onde permaneci durante quatro anos.

Posteriormente, tive a oportunidade de integrar a Oetker Collection, uma coleção de hotéis de excelência, onde desempenhei a função de diretor geral em dois deles, em França, durante nove anos.

Atualmente, ocupo o cargo de vice-presidente de Operações do grupo.

Quais são os desafios únicos de gerir um hotel no estrangeiro?

Gerir um hotel enquanto diretor geral implica, sobretudo, zelar pelo bem-estar das pessoas, sejam eles colaboradores, hóspedes, fornecedores, proprietários ou membros da comunidade ligada ao hotel.

A essência do nosso trabalho mantém-se consistente em qualquer país. O que varia de país para país são as particularidades da cultura local, as leis aplicáveis e a sensibilidade em relação ao contexto envolvente.

“o que me traz maior satisfação é testemunhar o crescimento e sucesso dos jovens que começaram as suas carreiras comigo, agora assumindo responsabilidades em diversos departamentos ou liderando como diretores em outros hotéis”

Quais foram as suas maiores recompensas ou realizações como diretor de hotel no exterior?

Tive a sorte de receber diversos reconhecimentos, como o título de “Melhor Hotel de Charme da Europa” no Château Saint-Martin & Spa e o prémio de “Melhor acolhimento e serviço de hotel na Europa” no L’Apogée Courchevel, entre outros. Claro que estes prémios não são só meus, são de uma vasta equipa de profissionais de excelência que me rodeia. Nada se faz sozinho.

A conquista da nossa primeira estrela Michelin foi algo verdadeiramente especial.  

No entanto, o que me traz maior satisfação é testemunhar o crescimento e sucesso dos jovens que começaram as suas carreiras comigo, agora assumindo responsabilidades em diversos departamentos ou liderando como diretores em outros hotéis.

Como se gere uma equipa multicultural?

A multiculturalidade é apenas o respeito por cada membro da equipa, considerando os seus costumes e hábitos. Fornecendo formação linguística e cultural, e sobretudo tendo flexibilidade e capacidade de adaptação.

“Nos nossos hotéis, temos a sorte de estabelecer relações privilegiadas com os nossos clientes. Dedicamos bastante tempo a ouvi-los e compreender as suas necessidades”.

Quais são os princípios-chave que considera essenciais para liderar uma equipa de sucesso? 

Como referi anteriormente, tenho uma paixão por impulsionar o desenvolvimento das pessoas.  

O reconhecimento por parte das minhas equipas desse compromisso funciona como uma poderosa fonte de motivação.  

Encorajo a criatividade, dando espaço para que possam inovar, e considero a confiança como uma qualidade fundamental.

Colocar a dimensão humana no centro da minha liderança é também uma peça-chave para o desenvolvimento de uma equipa bem-sucedida. Acrescento a isso os valores do espírito de família, a elegância, a gentileza, a escuta ativa e o perfeccionismo.

Que estratégias são eficazes para lidar com diferentes expectativas e necessidades dos hóspedes internacionais?

Nos nossos hotéis, temos a sorte de estabelecer relações privilegiadas com os nossos clientes. Dedicamos bastante tempo a ouvi-los e compreender as suas necessidades. O nível de exigência é elevado, e as nossas equipas compreendem-no perfeitamente. Para assegurar a qualidade do serviço, utilizamos os padrões de qualidade da empresa Leading Quality e somos regularmente auditados por clientes mistério.

O Le Bristol Paris é um dos hotéis da Oetker Collection

Como define o papel da Oetker Collection no cenário internacional da hotelaria de luxo?

Orgulhamo-nos de fazer parte dos líderes mundiais na hotelaria de luxo,  apesar de a Oetker Collection não ter uma longa história. Ao longo dos anos, conseguimos estabelecer um padrão excepcional de excelência e sofisticação. Somos reconhecidos por possuir alguns dos hotéis mais exclusivos do mundo e por proporcionar um serviço irrepreensível.

Quais são os elementos diferenciadores que a Oetker Collection procura oferecer em comparação com outras marcas de luxo?

Na Oetker Collection, gerimos hotéis verdadeiramente excepcionais, que consideramos “obras-primas” (Masterpieces) e fazemo-lo com um forte espírito familiar, elegância e amabilidade genuína. É esta rara combinação de qualidade e atitude que estabelece um vínculo emocional especial entre os nossos hóspedes e os nossos hotéis. Esta ligação é tão abrangente e significativa que muitos dos nossos hóspedes passaram a considerar os nossos hotéis como a sua casa.

Como a empresa lida com as complexidades de operar propriedades de luxo em diferentes partes do mundo?

Cada hotel conta com a sua própria equipa local, recebendo apoio central a partir da sede da empresa em França, onde especialistas de cada departamento mantêm contacto permanente e oferecem suporte constante aos hotéis. A nossa presença em vários países orienta as nossas operações através de uma abordagem sensível, respeitando a cultura local, mantendo padrões de qualidade globais e dedicando uma atenção cuidadosa às preferências e expectativas específicas de cada região.

Hotel La Palma, em Capri, Itália

Como vê as tendências futuras na indústria da hotelaria de luxo e como a Oetker Collection se posiciona para enfrentar esses desafios?

Existe uma tendência chave que estará cada vez mais presente na vida de todos nós, e essa é a sustentabilidade.

Recentemente, li um documento que mencionava que os atuais maiores consumidores de luxo são os baby boomers, mas que a tendência está a mudar. Até 2030, 40% dos gastos de luxo serão da Geração Alfa. Embora tenham apenas 14 anos em 2024, eles já terão identidade e herdarão dinheiro até 2030, quando atingirem os 20 anos.

É essencial adotar práticas sustentáveis para permanecer relevante neste mercado.

O empenho na sustentabilidade abrange diversas áreas, desde as energias até à procura de produtos alimentares de regiões próximas aos hotéis, passando pela eliminação do uso de plástico não reutilizável, além de um considerável esforço em educação e sensibilização. Este compromisso visa adotar práticas que respeitem o meio ambiente e fomentem a responsabilidade social.

“A indústria hoteleira de luxo está em constante evolução, e os líderes bem-sucedidos são aqueles que estão sempre dispostos a adquirir novos conhecimentos, acompanhar as tendências e inovar nas suas abordagens”

Há novos projetos ou expansões planeadas para a Oetker Collection no futuro próximo?

Em 2023, inauguramos o nosso primeiro hotel em Itália, o Hotel La Palma em Capri. Até ao final deste ano, realizaremos a nossa entrada nos Estados Unidos, mais especificamente em Palm Beach, na Flórida, onde abrirá o The Vineta Hotel.

Anteriormente, referi os nossos hotéis como sendo “obras-primas”. Cada hotel precisa de ser verdadeiramente especial, e, por isso, mesmo se estamos a trabalhar em novos projetos,  não prevejo um crescimento muito significativo do nosso portfólio, pois apenas teremos hotéis verdadeiramente únicos.

Que conselhos daria a profissionais que aspiram a papéis de liderança na indústria hoteleira internacional de luxo?

É gratificante observar que temos muitos portugueses que se destacam em hotéis pelo mundo, não apenas em cargos de liderança, mas em diversas posições.

Na minha perspetiva, o espírito aventureiro é fundamental. Ter a coragem de sair da zona de conforto para abraçar novos desafios em diferentes países é uma qualidade essencial para progredir nesta indústria.

Além disso, a vontade de aprender é crucial. A indústria hoteleira de luxo está em constante evolução, e os líderes bem-sucedidos são aqueles que estão sempre dispostos a adquirir novos conhecimentos, acompanhar as tendências e inovar nas suas abordagens.

Finalmente, recomendo o desenvolvimento de habilidades interpessoais sólidas. A capacidade de se comunicar eficazmente, criar relacionamentos positivos e liderar com empatia são atributos que fazem uma verdadeira diferença nos líderes de sucesso na indústria hoteleira internacional de luxo. 

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