A baixa adoção da inteligência artificial, a fragmentação de dados e as diferenças de preços na distribuição hoteleira continuam a ser alguns dos principais obstáculos à eficiência dos programas de viagens corporativas, segundo um estudo da GBTA – Global Business Travel Association realizado junto de compradores de viagens empresariais dos Estados Unidos, Canadá e Europa.
De acordo com a análise, apesar do avanço da digitalização nas viagens corporativas, muitas empresas continuam a enfrentar dificuldades na integração de tecnologia, dados, políticas de viagem e serviço ao viajante.
O estudo revela que 58% dos compradores de viagens corporativas consideram que a inteligência artificial teve até agora “pouco ou nenhum impacto” nos seus programas de viagens, apesar do interesse crescente pelas suas potenciais aplicações.
Entre as áreas que geram maior interesse destacam-se a análise preditiva de gastos em viagens (92%), a gestão automatizada de disrupções e alterações de reservas (89%), o apoio ao viajante através de IA (85%) e as experiências de reserva conversacional (83%).
Ainda assim, a aceitação varia consoante o nível de intervenção da tecnologia. Os compradores mostram-se mais confortáveis com ferramentas de recomendação de voos e hotéis ou geração de relatórios personalizados, mas demonstram maior resistência quando a IA implica acesso ao calendário dos colaboradores ou alterações automáticas de reservas.
A gestão global dos programas de viagens continua também condicionada pela fragmentação de dados. Segundo o estudo, apenas 12% dos compradores globais afirmam ter uma visão consolidada dos seus programas através de uma única fonte de dados.
Entre os principais desafios identificados surgem a falta de relatórios consolidados (63%), o suporte desigual ao viajante entre mercados (60%) e a gestão de múltiplas relações com empresas de gestão de viagens (52%).
Segundo a GBTA, esta dispersão limita a capacidade das empresas para analisar despesas, aplicar políticas homogéneas e identificar desvios em tempo real.
A distribuição hoteleira surge igualmente como um dos principais pontos de fricção nas viagens corporativas. O estudo mostra que 72% dos compradores identificam como principal problema a possibilidade de os colaboradores encontrarem hotéis mais baratos fora dos canais corporativos, dificultando o controlo de custos e o cumprimento das políticas internas de viagem.
Ao mesmo tempo, a associação destaca uma evolução da distribuição hoteleira para modelos mais próximos do retalho, com maior detalhe sobre características dos quartos, serviços adicionais e custo total da estadia.
Segundo a GBTA, 51% dos compradores consideram que a reserva baseada em atributos – como tipologia de quarto, piso, vistas ou serviços adicionais – poderá melhorar a experiência de reserva hoteleira.
O estudo conclui que o principal desafio das viagens de negócios não está na falta de inovação tecnológica, mas na dificuldade em integrar de forma eficiente tecnologia, conteúdo, política de viagens e serviço ao viajante num único ecossistema de gestão.
“A digitalização das viagens corporativas não depende apenas da incorporação de novas ferramentas”, refere a análise, acrescentando que continua a ser necessário garantir uma maior ligação entre tecnologia, dados, assistência e distribuição.




