Iberostar Hotels & Resorts cresce em ano de instabilidade, com Madeira e Algarve no radar para novos projetos

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Apesar da instabilidade geopolítica, da saída de Cuba e de um mercado mais cauteloso nas decisões de viagem, a Iberostar Hotels & Resorts continua a crescer em 2026 acima do melhor ano pós-pandemia. Portugal mantém-se no radar de expansão da cadeia espanhola, com Madeira e Algarve entre os destinos onde procura novas oportunidades de investimento, revelou Miguel Coelho, business development director para Portugal e Espanha, em entrevista ao TNews.

“Estamos constantemente à procura de negócios. Portugal, sendo um destino bastante turístico e com muita procura por mercados com os quais trabalhamos, está sempre dentro dos nossos próximos investimentos”, afirmou Miguel Coelho, destacando que “a Madeira e o Algarve são os destinos que nos atraem mais”.

“Costuma-se dizer que o segredo é a base do negócio. Se existe um negócio fechado para os próximos anos, diria à data de hoje que não, mas isso é uma coisa que pode mudar amanhã”, acrescentou.

A nível global, a Iberostar Hotels & Resorts opera atualmente mais de cem hotéis, contando com 34 unidades na Península Ibérica, das quais 32 estão localizadas em Espanha e duas em Portugal. A cadeia mantém em território nacional o Iberostar Selection Lisboa e o Iberostar Selection Lagos Algarve.

2025 foi o melhor ano pós-pandemia e 2026 supera expectativas

O desempenho da Iberostar no ano passado ultrapassou as expectativas iniciais da empresa. “2025 foi o melhor ano no ciclo pós-pandemia, o que para nós é sempre uma surpresa. Com todas as incertezas da economia mundial, estávamos reticentes”, disse Miguel Coelho. Em termos de crescimento, a cadeia terminou o ano com uma produção “sensivelmente 13% acima de 2024”, com todos os destinos em crescimento, à exceção de Cuba.

Durante 2025, a Iberostar reforçou o portfólio com novas unidades, nomeadamente o Iberostar Selection Riviera Cancún, no México, o Iberostar Selection Es Trenc, em Palma de Maiorca, o Joia Aruba by Iberostar e dois hotéis em Miami, que assinalaram o regresso da cadeia aos Estados Unidos.

Apesar do contexto de instabilidade geopolítica, 2026 está atualmente a registar um desempenho ainda mais positivo. “Neste momento, continuamos acima [de 2025]. O ano passado foi o melhor pós-pandemia e este ainda está a ser melhor”, afirmou.

No entanto, admite que o ano tem sido marcado por maior irregularidade na procura. “2026 começou muito forte até março. Entre abril e maio esteve muito parada, fruto de todas estas incertezas”, explicou.

“Portugal, sendo um destino bastante turístico e com muita procura por mercados com os quais trabalhamos, está sempre dentro dos nossos próximos investimentos. Diria que a Madeira e o Algarve são os destinos que nos atraem mais”

Guerra no Médio Oriente desviou procura para Canárias e Baleares

A instabilidade internacional teve impactos distintos nos vários mercados da cadeia hoteleira. “Olhando para a Iberostar como um todo e incluindo todos os mercados, posso dizer que, em algumas zonas, o início da guerra no Médio Oriente foi positivo para nós – e digo isto com muitas aspas, porque não associo a palavra ‘guerra’ a algo positivo”, indicou Miguel Coelho.

“A verdade é que ganhámos sobretudo nas Canárias e nas Baleares, não propriamente com o mercado português, mas especificamente o inglês e o alemão fugiram do Médio Oriente e encheram os nossos hotéis nesses destinos”, explicou.

No mercado português, a evolução mantém-se igualmente positiva no primeiro semestre. “Estamos 5% acima do ano passado”, revelou, considerando o resultado relevante perante o atual contexto.

Ainda assim, identifica uma alteração no comportamento dos consumidores. “Ao contrário do que se verificava em 2025, quando as pessoas acabavam por se distribuir no primeiro semestre, os meses de março, abril, maio e junho estiveram abaixo [dos resultados] de 2025”, afirmou.

Segundo Miguel Coelho, muitos viajantes portugueses estarão a concentrar as férias apenas nos meses de verão. “Temos mais pessoas a viajar em agosto do que tínhamos no ano passado, e essa é uma tendência que estamos a verificar em todos os destinos. Por receio, as pessoas talvez acabaram por optar por fazer apenas uma viagem por ano”.

Saída de Cuba e quebra no México impacta, mas Caraíbas continuam estratégicas

A saída da Iberostar de Cuba foi oficialmente confirmada em julho. A empresa tinha reduzido progressivamente a operação no destino, passando de 18 hotéis para seis unidades a partir de 1 de junho, antes de abandonar totalmente a atividade hoteleira na ilha.

“A Iberostar sempre teve uma ligação muito forte a Cuba e nós resistimos até à última”, referiu. “O encerramento de Cuba tem tido muito impacto porque era um destino que se vendia muito em Portugal. Tínhamos quase duas dezenas de hotéis e, neste momento, não temos nenhum”.

“Não iremos fazer uma substituição direta de certeza absoluta”, acrescentou, explicando que a estratégia passa antes por analisar novas oportunidades, sobretudo em mercados onde já está presente. “Temos alguns [projetos] nas Caraíbas, incluindo em destinos onde já operamos, que ainda estão em fase de estudo para aumentar o nosso portfólio, mais propriamente na Dominicana”, adiantou.

“Desde a sua nascença, há 70 anos, que a Iberostar sempre esteve presente nas Caraíbas. O pacote de tudo incluído de operador turístico sempre foi o seu core business”, acrescentou.

Miguel Coelho admite, contudo, que a ligação histórica a Cuba poderá abrir a porta a um regresso no futuro, dependendo do desenrolar da situação geopolítica. “Avaliando o nosso passado e a relação que a família Fluxá tem com o povo cubano, tenho quase a certeza que a Iberostar voltará a Cuba”, disse.

Além de Cuba, a Iberostar tem sentido impactos no México, após a onda de violência que despoletou no final de fevereiro, associada a conflitos envolvendo cartéis de droga. Miguel Coelho explica que o timing acabou por penalizar as vendas. “Precisamente quando íamos começar a BTL, que é um momento forte de vendas, saiu a notícia do conflito entre narcotraficantes”, recordou.

Apesar de a situação se concentrar numa zona onde a presença da Iberostar é limitada, a perceção geral dos consumidores acabou por afetar a procura. “Apesar de as guerras terem iniciado no lado do Pacífico, onde só temos um hotel, quando as pessoas leem que há conflitos no México, não querem saber onde”, disse. “Notamos que o México está com números abaixo em comparação com os últimos anos”.

“O encerramento de Cuba tem tido muito impacto porque era um destino que se vendia muito em Portugal (…). O México está com números abaixo em comparação com os últimos anos”

Portugal representa uma pequena fatia, mas relação com a marca é forte

Apesar de Portugal não representar um dos principais mercados da Iberostar em volume global, Miguel Coelho destaca a relação consolidada entre os consumidores portugueses e a marca. “Sejamos sinceros: é uma gota no meio do oceano”, afirmou, comparando a dimensão do mercado português com outros emissores internacionais.

“A relação dos portugueses com a cadeia Iberostar é muito forte e está bem consolidada. Não somos propriamente uma marca barata e, tendo em conta a nossa economia e o custo dos nossos hotéis, diria que é bastante positiva”, acrescentou.

No entanto, “em destinos como a Tunísia e Marrocos, o mercado português ganha uma preponderância grande que não tem nas Caraíbas, nas Baleares ou nas Canárias. O share anda na casa dos 30%”.

A Tunísia é “o destino mais vendido nos últimos anos” pela Iberostar entre os portugueses, seguida de Marrocos e das Caraíbas, com México e República Dominicana. Brasil e Ilhas Baleares completam os destinos mais procurados.

Em Portugal, a operação hoteleira divide-se entre duas unidades com perfis distintos. O Iberostar Selection Lisboa é atualmente o “único hotel urbano” da cadeia no portfólio e tem registado um desempenho positivo. “Lisboa atravessa uma fase de muita pujança em termos de turismo e é um hotel que funciona bem, quer para visitantes individuais, quer para grupos e incentivos, sobretudo com os mercados brasileiro, americano e algum sul-americano, como o argentino”.

Já o Iberostar Selection Lagos Algarve tem um perfil sazonal e beneficia também da proximidade ao Autódromo Internacional do Algarve. “Temos sentido um boom gigante de reservas com os eventos de MotoGP ou de Fórmula 1, visto que é o hotel de cinco estrelas que está mais próximo do Autódromo”, disse, indicando que os principais mercados são o francês e o inglês.

“São hotéis que felizmente temos conseguido manter a ocupação acima dos 90%”, destacou Miguel Coelho.

“Em destinos como a Tunísia e Marrocos, o mercado português ganha uma preponderância grande que não tem nas Caraíbas, nas Baleares ou nas Canárias. O share anda na casa dos 30%”

Aberturas e grandes renovações nas Caraíbas marcam expansão

A expansão internacional continua a ser uma prioridade para a Iberostar, com várias novidades previstas para o segundo semestre de 2026, com destaque para a inauguração do Iberostar Selection Zanzibar, marcada para 1 de novembro. “É um hotel construído de raiz, num destino onde há muita procura, está muito na moda no mercado português. Temos muita expectativa”, afirmou. 

A cadeia abriu também em julho o Iberostar Selection Montenegro, a quarta unidade da marca naquele país, localizada na Riviera de Bar.

Em paralelo, a Iberostar está a avançar com um plano significativo de renovação nas Caraíbas. No México, os hotéis Iberostar Waves Tucán e Iberostar Waves Quetzal, em Playa del Carmen, estão a ser totalmente renovados, num investimento que “ronda um milhão de euros”.

A cadeia prepara igualmente uma transformação do produto na Jamaica. O Joia Rose Hall by Iberostar será “renovado a 100%”, numa estratégia de reforço do segmento de luxo apenas para adultos.

“A Iberostar tem três segmentos: Waves, Selection e Joia. O Joia é o nosso segmento de luxo só para adultos. Queremos fazer quase como um rebranding do Joia. Queremos melhorar ainda mais esse luxo e, portanto, estamos a preparar uma nova alteração a esse conceito”, avançou Miguel Coelho.

Já o Iberostar Waves Rose Hall, que sofreu “pequenas alterações no ano passado”, passará também a funcionar como unidade apenas para adultos, enquanto o segmento Selection continuará direcionado para famílias.

“Na Jamaica, vamos passar a ter dois hotéis só adultos: o Joia Rose All e o Waves Rose All, ficando o Selection para famílias com crianças ou casais que não queiram ir para um adults-only”, resumiu.

“Temos alguns [projetos] nas Caraíbas, incluindo em destinos onde já operamos, que ainda estão em fase de estudo para aumentar o nosso portfólio, mais propriamente na Dominicana”

Iberostar mantém ambição com maior prudência

Para a segunda metade de 2026, a Iberostar mantém uma perspetiva positiva, embora reconheça alguma incerteza nas reservas de fim de ano.

“As reservas para o final de ano ainda estão muito paradas. Este é um período de vendas muito fortes, sobretudo dos nossos hotéis no Brasil, mas ainda está muito parado”, afirmou. “Se mantivermos o ritmo [registado no primeiro semestre], a nossa expectativa é que cheguemos ao final do ano em positivo”. 

Apesar da pressão sobre custos operacionais, nomeadamente energia e combustíveis, a empresa mantém a ambição de crescimento. “Não estamos cautelosos na nossa ambição, porque essa está ainda mais alta. Mas estamos cautelosos na hora de fazer algumas previsões e de estudar uma nova abertura”, acrescentou.

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